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quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Crítica - A Favorita (2018)

Realizado por Yorgos Lanthimos
Com Emma Stone, Rachel Weisz, Olivia Colman, Nicholas Hoult

Yorgos Lanthimos, o realizador do intemporal "Canino", continua a sua aventura em Hollywood e, após uma mediana experiência com o thriller "he Killing of a Sacred Deer", parece ter recuperado a sua veia criativa com "A Favorita"/"The Favourite". Trata-se de uma comédia negra com bases históricas, cuja trama nos transporta até ao início do Século XVIII, em Inglaterra, onde uma frágil Rainha Ana (Olivia Colman) tenta Governar como pode o Reino, mas na realidade quem governa o país é a sua amiga Sarah (Rachel Weisz). Mas quando uma nova criada (Emma Stone) chega ao palácio, o poder de Sarah junto da Rainha é ameaçado e uma nova ordem parece ficar estabelecida. 




Estamos perante um filme que nos oferece uma mistura agradavelmente eclética entre uma comédia negra, uma ótima cinematografia e um argumento muito intimista. Este aprofunda, pese embora certas falácias históricas, uma poderosa ligação entre três mulheres poderosas e com personalidades completamente distintas que, ao longo do filme, envolvem-se em picardias, dramas e muitas "cat fights" que se destacam pela sua extroversão. É claro que, quando comparado com o soberbo nível técnico do filme ou com o excelente nível do seu elenco, o argumento revela-se, claramente, como a parte mais fraca deste trio de luxo, mas por si só convém referir que é, de facto, também ele um produto de excelência. Este é muito bem trabalhado e, claramente, atento aos seus principais atrativos e não há dúvidas que os enobrece e eleva para patamares muito bons. Não é por isso de estranhar a nomeação que Deborah Davis e Tony McNamara receberam ao Óscar de Melhor Argumento Original já que, de facto, há pouco a apontar ao argumento. Exceptuando claro alguns detalhes menos positivos que desiludiram, nomeadamente a subjetiva sequência final, cujo real significado é difícil de compreender. Esta sequência acaba por não ter qualquer ligação com o estilo e com o próprio espírito do filme, pelo que a sua inclusão é, no mínimo, bizarra. 
Fora isso, a história de "A Favorita" representa uma deliciosa aventura por intrigas femininas, segredos sexuais, manipulações descaradas e poderosos confrontos de personalidade que são sempre muito bem trabalhados. E o filme funciona também num plano político e social (igualdade de género), já que numa época claramente machista, "A Favorita" consegue passar uma forte ideologia/ mensagem de igualdade de género (nem sempre historicamente correta) e, claro está, também joga muito bem com os jogos políticos que comandavam a vida palaciana.
Tal como enunciado, os Elementos Técnicos e o Elenco são os outros destaques do filme. As capacidades técnicas de Lanthimos são, como se sabe, acima da média e em "A Favorita" exibe bem todo o seu nível. Todo o filme é um retrato do seu detalhe e da seu excelência técnica, já que está repleto de louváveis ​​escolhas estéticas que ajudam a enriquecer a qualidade e o tom únicos do filme. 
Já no que toca ao Elenco, destaque para Emma Stone, Rachel Weisz e Olivia Colman, as três protagonistas e grandes estrelas do filme. A sua performance coletiva é geralmente como um todo, com cada atriz a incutir uma natureza distinta a cada performance, algo que melhora claramente a experiência fornecida pelo filme. Um destaque especial para uma soberba Colman que, sem dúvida, surpreende no papel da inocente Rainha Ana. E o que dizer também de Weisz que, mais numa parte inicial que final, brilha com todas as forças e incarna na perfeição o papel de vilã. Na segunda parte do filme, tal papel é entregue a Emma Stone que também brilha ao mais alto nível. A apoiar este grande trio feminino estão alguns atores masculinos secundários de relevo que promovem uma grande interpretação de apoio. 
Em suma, "A Favorita" não é o chamado "filmaço", mas é, sem dúvida, um Filme dos Óscares. Está um pouco distante dos que, efetivamente, estão na corrida pelo Óscar de Melhor Filme, mas não deixa de ser um filme com grande qualidade e, acima de tudo, um requinte técnico elevado!

Classificação - 4 Estrelas em 5

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