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Crítica - The Golden Glove (2019)

Crítica - The Golden Glove (2019)
Crítica - The Golden Glove (2019)
Realizado por Fatih Akin
Com Jonas Dassler, Margarete Tiesel, Katja Studt

Sinopse - Hamburgo, 1970. Fritz Honka é um homem sem rumo e com o rosto deformado que vagueia pelas noites de um bairro onde se cruza com outras almas perdidas. Ninguém desconfia que, na realidade, Fritz é um serial killer. Ele persegue mulheres mais velhas e solitárias que conhece no The Golden Glove, o seu bar favorito, e esquarteja-se no seu apartamento imundo. Quando os jornais começam a noticiar o desaparecimento sucessivo de várias mulheres, o medo e o caos instalam-se na cidade.

Fatih Akin é um contador de histórias nato, mas acima de tudo é um autor extremamente versátil. A sua filmografia apresenta filmes diversos sobre temas variados como genocídio, ataques terroristas ou até mesmo sobre a loucura da juventude, sendo que todos eles apresentam argumentos cuidados e bem estruturados que, a par da hábil direção de Akin, promovem um forte sentimento de qualidade. Mas por muito versátil que Akin seja, nunca lhe vimos um filme tão violento e controverso como o seu mais recente projeto, que estreou no Festival de Berlim em 2019, onde recebeu críticas muito negativas.
Mas estamos perante o pior filme de Akin até à data, como muita crítica teima em dizer? Não me parece. É o mais polémico e o mais extravagante, sendo também o mais chocante, mas mesmo no seio da loucura que é este “The Golden Glove” conseguimos apreciar o talento de Akin, bem como a sua enorme capacidade para contar uma história difícil. Sim, Akin já explorou no passado as ramificações de temas moralmente bem mais complexos que os desta obra, mas em “The Golden Love” promove um mergulho duro e cru na vida e rotina de um serial-killer (que efetivamente existiu) sem ter medo de chocar o espectador. E há que aplaudir Akin por não ter romantizado ou refreado o relato sangrento dos crimes de Fritz Honka, tendo optado por promover um retrato cinematográfico tão frio e violento como a história real. É, por isso, uma obra que nos leva até aos meandros do mal e da violência, explorando as profundezas da perversidade e das psicopatias presentes no caso real e que Akin faz questão de reforçar e desenvolver sem receios comerciais. 
Não é de estranhar portanto que “The Golden Glove” seja a obra mais polémica de Akin até à data, porque realmente é aquele que maiores doses de violência promove e aquele que menos restrição moral e dramática apresenta. É um filme que aposta em sequências bem fortes, mas que acima de tudo nos leva numa viagem pelo deplorável e pelo proibitivo. É claro que não se pode comparar esta obra aos extremos que vários filmes apostaram no passado, tendo usado a violência apenas para o “shock value”. É verdade que não se pode dizer que esta obra esteja isenta deste sentimento, já que há algum exagero em algumas partes, mas no seu íntimo, “The Golden Glove” aposta numa violência excêntrica para passar mensagens e, acima de tudo, para se manter fidedigno à sua poderosa base real. 
É, ainda assim, um filme difícil e diferente que causa estranheza e não será assimilado da mesma forma por todos, daí as pobres críticas que recebeu. Mas tecnicamente é mais um grande trabalho de Fatih Akin que, pese embora aposte aqui numa narrativa menos consensual, conseguiu voltar a surpreender o mundo do cinema! É notório que o cineasta queria fazer este filme há já algum tempo e que tem bastante orgulho do mesmo, não só por ter crescido em Hamburgo e com a história de Honka, mas sobretudo porque parece ter depositado neste projeto uma fé diferente. O que é certo é que arriscou bastante para dar vida ao mesmo, desde logo a sua própria carreira. Para muitos foi um risco correto, já para outros foi um risco sem nexo. Mas o que é certo é que Akin arriscou e apresenta aqui algo que, na minha opinião, pode-se orgulhar porque traz uma lufada de ar fresco e uma nova dimensão à sua filmografia. Este seu novo esforço pode até ser difícil de ver devido a temas e cenas mais pesadas, mas mesmo assim é uma obra que recomendo e que merece uma oportunidade.

PS - Em Portugal o filme não estreará nos cinemas, mas pode já ser visto no Filmin, tendo sido também exibido no MOTELx 2019!

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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