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Crítica - El Guardián Invisible (2017)

Crítica - El Guardián Invisible (2017)
Crítica - El Guardián Invisible (2017)
Realizado por Fernando González Molina
Com Marta Etura, Elvira Mínguez, Nen

Estreado em 2017 em Espanha, "El Guardián Invisible" está longe de ser uma obra consensual e, apesar de o ter apreciado bastante, consigo perceber porque é que é assim tão polarizante. Até no seu país Natal, onde teve honras de estreia nas salas de cinema, este thriller criminal não conseguiu reunir grande consenso e mesmo agora, com a sua passagem para o catálogo da Netflix, tem ficado na sombra de outras obras que conseguiram reunir um maior consenso mediático. 
Um dos factores que pode ajudar a explicar o distanciamento do público é a sua longa duração. É porque com quase duas horas e meia de duração, "El Guardián Invisible" torna-se numa verdadeira maratona e, infelizmente, nem sempre consegue manter o nível durante toda a duração do filme, algo que o torna difícil de ver. Até se pode dizer que a jornada da inspectora Amaia para resolver uma série de macabros crimes na sua cidade Natal até começa bem, apresentando o ponto de equilíbrio ideal entre crime, suspense, drama e ação. Este ímpeto inicial não é, no entanto, transportado para uma segunda parte do filme bastante longa, onde assistimos a abrupta quebra de energia e suspense, mas sobretudo a um desvio da temática central. Os crimes de um serial killer passam, assim, para segundo plano em detrimento da uma jornada de introspecção da personagem principal. A segunda parte do filme pode-se resumir à batalha interna que Amaia trava para lidar com o seu passado sombrio que envolve abusos parentais. E embora este desenvolvimento pessoal tenha mérito e não seja de todo descabido para o desenrolar do filme, acaba por frustrar expectativas e por polarizar um enredo que estava bem lançado.
É certo que na terceira e última parte recuperamos o tema e a essência do início, mas aquele ponto intermédio, pese embora estar bem construído, acaba por partir o filme e por permitir um certo distanciamento do público. É também por causa deste ponto intermédio que o filme tem mais de duas horas de duração, já que o mesmo perde tempo a desenvolver ao pormenor todas as pontas soltas da trama que vão sendo fornecidas, mas é claro que este desenvolvimento, embora necessário para atar a história da protagonista, acaba por tomar o seu tempo. Por tudo isto pode parecer que "El Guardián Invisible" é desequilibrado e que tenta contar duas histórias separadas no mesmo filme, mas a verdade é que é exatamente o oposto. O início e o fim estão ligados pelo meio que, embora mais subjetivo e mais próximo à protagonista, permite esclarecer comportamentos, teorias, mitologias basca mas, acima de tudo, permite compreender a protagonista, os seus métodos e o seu comportamento. E assim torna-se muito mais fácil para o espectador ver em Amaia uma verdadeira heroína, cujo desempenho profissional não é furto de acaso, mas sim de trabalho árduo e dedicação, apesar do filme dar ali uma astuta indicação que houve forças sobrenaturais a ajudá-la. E este pormenor é outro ponto delicioso do filme. A referência a uma criatura mitológica basca parece inocente e até absurdo, mas no final revela-se essencial e, sem roubar realismo ao filme, acaba por fornecer-lhe um elemento extra de criatividade. A pequena sequência no final, onde este elemento sobrenatural ganha relevo é magistral e revela-se como uma forma inusitada do filme despedir-se do espectador!
E por falar em final, muitos podem até dizer que a conclusão que nos é apresentada é forçada e que a revelação da identidade do serial killer é inusitada, mas uma vez mais, a identidade do serial killer está relacionada com a segunda parte do filme, pelo que o mesmo teria sempre que ter alguma relação com a protagonista. E, tal como o twist sobrenatural, os vários twists e detalhes que vão aparecendo nesta obra são deliciosos e todos eles têm um propósito. O mérito é do argumento, mas também de Dolores Redondo, a autora do livro que deu origem a este filme e a quem se deve tamanho detalhe. Ao argumento de Luiso Berdejo deve ser dado, ainda assim, os parabéns por ter conseguido transpor para o cinema uma obra tão complexa como a que Redondo criou.
Para além de um enredo atrativo, "El Guardián Invisible" está também muito bem feito. É verdade que poderia ter um ritmo mais coeso, mas tecnicamente é muito interessante. A direção de Fernando González Molina denota grande qualidade e capacidade para controlar variados elementos, sendo também de destacar a bela fotografia sombria, chuvosa e nebulosa de Flavio Martínez Labiano, que assim ajudou a conferir ao filme aquele toque de magia cinematográfica. Também não poderia deixar de mencionar o belo trabalho de Marta Etura, uma das melhores atrizes espanholas dos últimos anos que, uma vez mais, volta a brilhar com uma grande performance! 
Embora seja um filme diferente, "El Guardián Invisible" não é tão inacessível como já o pintaram. É uma obra que demora o seu tempo é certo, mas que vale a pena assistir, particularmente se aprecia thrillers que vão mais além do óbvio. Uma sequela relacionada com o elemento mitológico do filme já foi lançada e também ficará disponível na Netflix em breve, mas tudo começou com esta grande obra!

Classificação - 4 Estrelas em 5

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