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Crítica - Faz-me Companhia (2019)

Crítica - Faz-me Companhia (2019)
Crítica - Faz-me Companhia (2019)
Realizado por Gonçalo Almeida
Com Cleia Almeida e Filipa Areosa

Teve a sua estreia no famoso festival de cinema MOTELX 2019, onde esteve em competição para o prémio de Melhor Longa de Terror Europeia/'Méliès d’Argent e, na altura, já se suspeitava que "Faz-me Companhia" conseguisse chegar às salas de cinema nacionais. E não se presumia tal facto porque estamos perante um filme fora de série ou perante um projeto inovador, mas sim porque nos últimos dois a três anos temos visto chegar aos cinemas portugueses algumas longas metragens de terror/ cinema fantástico que brilharam em festivais portugueses, como o MOTELx ou o FantasPorto. Basta recordar os exemplos recentes de "A Floresta das Almas Perdidas", "Gelo", "Inner Ghost", "Mutant Blast" ou "Pecado Fatal" (este um thriller, mas que ainda assim teve o apogeu da sua caminhada no FantasPorto). Era por isso lógico pressupor que também fosse permitido a "Faz-me Companhia" chegar aos cinemas para que assim conseguisse continuar a promoção da produção de longas metragens de terror portuguesas! E provar assim que este tipo de filmes também consegue chegar ao grande público.
É bem verdade que a aposta no terror tem crescido em Portugal, mas isto tem sucedido sobretudo graças às curtas-metragens que continuam a ser o veículo predilecto de cineastas nacionais (sobretudo jovens) para contar uma história do género. São ainda escassos os exemplos de longas metragens de terror 100% portuguesas, não só porque é um género difícil de atrair financiamento, mas sobretudo porque o terror Não Americano nunca teve grande sucesso junto do público nacional. Ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis que têm promovido uma aposta estruturada neste género, quer em curtas-metragens, quer em longas-metragens, Portugal tem privilegiado outros mundos cinematográficos. Mas o terror tem provado que também merece atenção, quer do público, quer dos investidores, e as gerações mais jovens já começam a olhar para o terror nacional de outra forma. 
Todos os títulos que já referimos, incluindo este "Faz-me Companhia", tiveram uma oportunidade e contribuíram para a promoção da ideia que há espaço e há mérito para uma aposta mais arriscada no terror nacional. E talvez com o apoio desta mensagem, Portugal possa finalmente sair da cauda da Europa no que diz respeito ao investimento e à  criação de longas metragens de terror.
Mas falando agora de "Faz-me Companhia". Protagonizado pelas atrizes Cleia Almeida e Filipa Areosa (e com uma breve participação vocal de Eunice Muñoz), "Faz-me Companhia" é, como se percebe, um esforço corajoso por parte de Gonçalo Almeida, mas não tão glorioso como se esperaria. O que se quer dizer é que não será este projeto a assumir o papel de "postal de qualidade" do terror português, mas embora com certas falhas tem, ainda assim valor. É uma história simples que se pode descrever como um triângulo amoroso entre duas mulheres e um fantasma. A sua sinopse oficial descreve-o como uma história de mistério que começa quando Sílvia (Cleia Almeida) aluga uma casa para o fim-de-semana no sul de Portugal, tendo a intenção de se encontrar com Clara (Filipa Areosa), a sua amante. Entre mergulhos na piscina e banhos de sol, o fim-de-semana perfeito a dois começa a ser perturbado por um mal misterioso de cariz sobrenatural.
A sua base narrativa é simples e é explorada de uma forma algo pachorrenta. E isto é propositado, já que Gonçalo Almeida tenta, como se diz na gíria popular, render o peixe ao máximo e retirar tudo aquilo que o conceito básico tem para oferecer. Não se pode dizer que seja um primoroso exemplo do terror sobrenatural, mas há elementos de suspense que espevitam alguma curiosidade e, neste capítulo, a reta final acaba por se revelar interessante. Mas o seu grande inimigo é, sem surpresa, o seu ritmo lento e a sua falta de dinâmica que sem dúvida afastarão a vasta maioria do público.
Pode-se argumentar que este projeto talvez funcionasse melhor como uma curta-metragem, já que poderia condensar em vinte ou trinta minutos a sua história e promover assim uma narrativa mais dinâmica. Mas há que dar crédito a  Gonçalo Almeida por ter arriscado e por ter cumprido na parte técnica, onde é evidente o potencial do cineasta e da sua equipa técnica. É claro que a grande falha está no argumento, mas é um projeto que mostra potencial e que ajuda a transmitir uma mensagem comercial muito positiva. Gonçalo Almeida já tinha provado o seu talento em 2017, quando venceu o Prémio de Melhor Curta-Metragen do MOTELx com a qual até chegou ao Festival de Sundance. Esta sua aventura nas longas-metragens não correu tão bem como esse projeto, mas é um passo na direção certa e confio que a sua próxima aventura neste género e neste formato seja bem superior. O talento está lá....

Classificação - 2 Estrelas em 5

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