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Crítica - Malasaña 32 (2020)

Crítica - Malasaña 32 (2020)

Realizado por Albert Pintó

Com Begoña Vargas, Iván Marcos, Bea Segura


Filme de abertura do MOTELx 2020, “3ª Andar: Terror na Rua Malasaña"/ “Malasaña 32” é mais um competente exemplo da aposta crescente que tem sido feita pelo Cinema Espanhol no cinema fantástico e de terror. É claro que quando falamos de filmes de terror oriundos de Espanha, “REC” é logo o primeiro título que nos vem à cabeça, já que é o ex-libris de sucesso desta aposta cinematográfica deste país. Mas antes do clássico moderno de Jaume Balagueró e Paco Plaza já existiram obras promissoras e, nos últimos anos, têm sido também lançados vários filmes que não ficam atrás dessa famosa produção que, importa recordar, teve direito a várias sequelas, sendo que todas foram substancialmente mais fracas que o original! 

Embora seja produto de uma aposta de excelência por parte de Espanha num género que merece mais investimento por parte de todos os mercados, “Malasaña 32” não é propriamente o melhor exemplo que podemos usar para justificar tal investimento. Quero com isto dizer que embora faça parte de uma aposta louvável, “Malasaña 32” não é um grande filme de terror, mais grave ainda pode-se até dizer que é um produto que será facilmente esquecido pelo grande público. 

Em “Malasaña 32” seguimos a história macabra da família Olmedo, uma família do campo que se muda para a cidade com a expectativa que um quotidiano citadino lhes traga mais prosperidade. Para esse efeito compra um apartamento no terceiro andar do número 32 da Rua Manuela Malasaña, em Madrid. Mas os Olmedo desconhecem que há mais uma presença no apartamento que adquiriram. Algo de cuja existência não se apercebem vai pôr em risco as suas vidas e eles vão ter de se defender. 

Trata-se de um filme de terror sobrenatural que é supostamente inspirado numa história real, mas certo é que não é a sua base de inspiração que é problemática, mas sim o fraco tratamento que é dado a uma história sobrenatural básica e que precisava de muito mais para se destacar. Ao socorrerem-se de clichés clássicos do típico terror sobrenatural e ao impor demasiada fé em sequências de sustos rápidos/ jump scares, Albert Pintó e a sua Equipa acabaram por criar um filme que, infelizmente, já vimos noutras ocasiões…e tais filmes são provavelmente bem mais completos e competentes. 

Não é, portanto, um produto que nos traz algo de novo ou algo de excecional. É bastante básico na sua missão e na sua construção, tanto é que nem nos seus aspetos mais técnicos ligados a questões cénicas ou de ambiente consegue promover grande entrosamento com o espectador. É certo que não se pode reconhecer grande valor, desde logo, à sua básica premissa e, por isso, esta nunca iria fomentar um grande filme de terror, mas certo é que poderia retirar-se um pouco mais do que acaba por nos ser apresentado. 

Dito isto, “Malasaña 32” nunca será um filme de terror recomendável, mesmo dentro do nicho que é o mercado espanhol do cinema fantástico, mas ainda assim não deixa de ser uma aposta valorosa. É uma tentativa de um filme de terror comercial que, infelizmente, correu menos bem que outras experiências passadas, mas representa um passo na direção certa e espera-se que Espanha, tal como a Suécia, Reino Unido ou França continuem nesta aposta forte no terror. E espera-se que esta aposta incentive outros mercados a seguirem tais passos…É claro que histórias de sucesso acabam por dar mais força a investimentos, mas nunca se sabe se o próximo “Get Out” pode vir de um mercado periférico….


Classificação - 1,5 Estrelas em 5

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