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Family Film Project, Um Festival Único Que Merece Ser Descoberto

Family Film Project, Um Festival Único Que Merece Ser Descoberto
Family Film Project, Um Festival Único Que Merece Ser Descoberto


Na sua nona edição, e num ano pandémico com repercussões a múltiplos níveis, o Family Film Project reforça a sua missão, presenteando-nos com um mundo confinado no reduto dos espaços familiares, mas também um mundo pautado cada vez mais pela distância, que por sua vez reverte para uma maior aproximação ou proximidade das imagens. 

Na secção competitiva deste ano surgem já filmes diretamente relacionados com a condição pandémica e as alterações sociais e comportamentais daí decorrentes. Mas interessa-nos também prosseguir o projeto de partilha de obras que descolam do presente para questionarem a construção (e desconstrução) da memória e do arquivo – zonas temáticas que este ano estarão especialmente presentes – bem como as formas de representação do trabalho, dos afetos e dos lugares. 

É neste âmbito que surge a escolha do cineasta em foco na edição de 2020: Harun Farocki (1944-2014) iniciou a sua trajetória artística no campo do cinema ativista e, mais tarde, a partir dos anos 90, voltou-se também para o universo das videoinstalações. Farocki é por vezes considerado um “artista-arqueologista”, pela forma como explora os modos de representação social e política e pela sua atenção à materialidade histórica das próprias imagens. No último dia do Festival, a 17 de outubro, será exibida uma seleção de quatro longas-metragens de momentos distintos da sua carreira, entre 1978 e 2009: Entre duas guerras [Zwischen zwei Kriegen] (1978), Peter Lorre: A Dupla Face [Peter Lorre: Das doppelte gesicht] (1984), Imagens do Mundo e Inscrições da Guerra [Bilder der Welt und Inschrift des Krieges] (1988) e Em Comparação [Zum vergleich] (2009). Estas sessões serão antecedidas por uma masterclass por Susana Nascimento Duarte, dedicada à obra de Farocki.

Logo no primeiro dia do Festival, será também apresentado o ciclo de performances Private Collection, este ano com intervenções de Tânia Dinis e Flávio Rodrigues (no Museu da Faculdade de Belas Artes do Porto), e com um concerto de Alexandre Soares (no Passos Manuel). Como sempre, este ciclo retoma a temática central do Festival – o arquivo e a memória – para propor abordagens livres do espaço criativo e íntimo de cada artista. Dedicado também ao público mais jovem, o festival dará igualmente continuidade à sua oficina Imagens lá de Casa, onde as crianças podem realizar atividades criativas alusivas à temática do festival através de imagens e das artes performativas.

À semelhança de anos anteriores, será também lançado um novo livro focado no cinema, nos novos media digitais e na reflexão sobre as imagens: Memory and Aesthetic Experience – Essays on Cinema, Media and Cognition, editado por Filipe Martins em parceria com o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, que contará com textos originais de Jaimie Baron, Patricia R. Zimmermann, Dale Hudson, Filipe Martins, Luís Umbelino, Nelson Araújo, Susana Nascimento Duarte e Wolfgang Ernst.

Criado em 2012, o Family Film Project organiza as suas sessões competitivas de cinema segundo três zonas temáticas: Vidas e Lugares (com enfoque no registo voyeurístico, biográfico ou documental de habitats e quotidianos), Ligações (centrada nas dinâmicas interpessoais e comunitárias) e Memória e Arquivo (dedicada a olhares criativos a partir de testemunhos e de found footage). Para além das sessões competitivas, o programa do Festival reserva tradicionalmente um espaço de destaque para realizadores, artistas e investigadores convidados de renome nacional e internacional, tais como Jonas Mekas (2012), Péter Forgács (2013), Alina Marazzi (2015), João Canijo (2016), Regina Guimarães (2017), Bill Nichols (2018),  Daniel Blaufuks (2018), Paula Rabinowitz (2018), Cláudia Varejão (2019), Jaimie Baron (2019) e, este ano, um foco dedicado a Harun Farocki.

Entre esta nona edição e a preparação da décima, será apresentado um programa especial dedicado a Roy Andersson em parceria com a retrospetiva que a Cinemateca Portuguesa vai realizar e com a Alambique Filmes. Será um momento de grande destaque pela singularidade da obra deste realizador sueco. 

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