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Entrevista a Eché Janga, o Criativo Realizador de Buladó, o Candidato da Holanda ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro

O Portal Cinema teve uma conversa maravilhosa com Eché Janga, um realizador originário das Ilhas Curação que é responsável pelo mágico "Buladó", o candidato da Holanda ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. "Buladó" é um filme muito especial e graças a esta magnifica entrevista com Eché Janga conseguimos perceber a lógica, as inspirações e a grande criatividade por detrás deste belo projeto que enobrece não só o cinema holandês, mas sobretudo a cultura das ex-colónias deste país europeu, nomeadamente do Curaçao

The team of Portal Cinema had a wonderful conversation with  Eché Janga, a director originally from the Curacao Islands who is filmmaker responsible for the magical drama "Buladó", the Dutch candidate for the Best Foreign Language Oscar. "Buladó" is a very special film and due to this amazing interview with Eché Janga we can see the logic, the inspirations and the great creativity that led to the creation of this beautiful project that ennobles not only Dutch cinema, but above all the culture of the former colonies of this European country , namely from Curaçao.



Entrevista a Eché Janga, o Creativo Realizador de Buladó, o Candidato da Holanda ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro

As the different mentalities of rational father Ouira and spiritual grandfather Weljo start to clash, eleven-year-old Kenza is determined to find her own path into adult life. A magical-realism film placed on a junkyard in Curaçao. 


Portal Cinema (PC) – Adoraria aproveitar esta oportunidade para lhe perguntar o que o levou a seguir carreira de realizador? I would love to take this opportunity and ask you what drove you to become a filmmaker?

Eché Janga - Quando era criança era sonhador e, por volta dos 8 anos, comecei a questionar-me sobre as questões existenciais da vida. E com questões, como por exemplo, o que é vida e o que é a morte e porque é que estamos estamos aqui. Descobri rapidamente que ninguém poderia responder a estas questões. Estava interessado em coisas que o Homem não conseguia entender e criei as minhas próprias filosofias para me consolar. Além disso, adorava contar histórias para amigos e para colegas de escola. Descobri que é preciso exagerar um pouco para que o meu público sinta o mesmo que eu senti no momento do evento sobre o qual baseava as minhas histórias. Então contar histórias sempre foi a minha praia. A realidade era meio chata para mim ... Eu adoro o realismo mágico porque a própria vida é  uma mágica realista para mim. Quando vi o "Stalker" do  Tarkovski, comecei a fazer tudo ao meu alcance para me tornar realizador.

When I was a kid I was the dreamy type and around the age of 8 I started wondering about the existential questions of life. Like what is life & death and why are we here. I quickly found out that nobody could answer that. I was interested in things man couldn’t understand and came up with my own philosophies to give myself some comfort.  I also loved to tell stories to friends and classmates. I discovered you had to exaggerate a bit to let my audience feel the same thing I felt at the moment of the event I was telling everyone about. So storytelling was my thing. Reality was kind of boring for me… I loved magic realism because life itself is magic realistic to me. When I saw Mr Tarkovski’s "Stalker", I started to do everything within my power to become a filmmaker.


PC – Falemos agora de “Buladó”. Como é que lhe surgiu a ideia de criar este filme e como é que o descreve?/ We have to talk about “Buladó”. How did you came up with the idea for this film and how do you describe it?


Eché Janga - Durante algum tempo morei com o meu tio que é igual ao meu pai da Ilha de Curaçao. Ele também era um contador de histórias e, ao contrário do meu pai, era uma pessoa muito espiritual. Eu próprio sou agnóstico. O meu tio escreveu um conto sobre um homem que queria morrer no caminho dos indígenas de Curaçao. Estes indígenas são pessoas que viviam em Curaçao muito antes dos Holandeses que, como se sabe, trouxeram para a Ilha escravos da África Ocidental para trabalharem nas plantações.

O velho tinha um filho que não acreditava na forma como o seu pai queria morrer e disse-lhe para ir para um lar para idosos. Eles acabaram por se chatear um com o outro. A história tinha cerca de três páginas. Gostei muito porque tenho a mesma dualidade dentro de mim. Sou um racionalista, mas também um espiritualista. Achei a história forte demais para a transformar numa curta … Tinha que ser um longa, então comecei a escrever o seu argumento e combinei muitas coisas da minha família com a história do meu tio. E isto tudo acabou por dar origem à história de "Buladó". Os personagens do filme são inspirados na minha família. Kenza é inspirada na minha irmã, Weljo é inspirado no meu tio e Ouira parece-se com o meu pai.

For some time I lived with my Uncle who is just like my father from the Curacao Islands. He was also a story teller and unlike my father a very spiritual person.  I am agnostic. My uncle had written a short story about a man who wanted to die in the way of the indigenous people of Curacao. The people who lived there long before the Dutch brought the people they made into slaves from western Africa towards the island.

The old man had a son who didn’t believe in the way his father wanted to die and told him to go to a place for elderly people. They did fight with each other and the story was about three pages. I liked it so much because I have the same duality within myself. I am a rationalist but also spiritual. I thought the story was too strong to make it into a short film… It had to be a feature, so I started writing and combined lots of stuff from my family with the story of my uncle and it eventually became the story of "Buladó." The characters of the film are inspired by my family. Kenza is my sister, Weljo is my uncle and Ouira resembles my father.


PC –  Quais foram os principais desafios que enfrentou durante a criação deste projeto?/ What were the main challenges you faced during the creation of this project?

Eché Janga - O mais difícil foi fazer um longa-metragem em uma ilha onde quase não havia experiência ou atributos e material para fazer o longa-metragem que eu tinha em mente. Não tínhamos muito dinheiro e a maior parte do custo foi para hospedagem da tripulação e passagens aéreas. Então, eu precisava tornar tudo mais simples a cada dia. Foi uma luta contra o tempo porque rodamos quase todo o filme com luz natural e o sol cai rápido em Curaçao.

The hardest thing was to shoot a feature film on an island were there was almost no experience or attributes and material to shoot the feature film I had in mind. We didn’t had a lot of money and most of the cost went to housevesting the crew and flight tickets. So I needed to make everything more simple every day. It was a fight against time because we did almost shot the entire film with natural light and the sun drops fast in Curaçao.


PC – Este filme foi selecionado pela Holanda como o representante do país ao Óscar de melhor Filme Estrangeiro. Como recebeu esta notícia? E acredita que esta seleção poderá ajudar na promoção do filme?/ The film was selected as the Netherland’s Oscar Entry for the Foreign Film Oscar. How did you get the news? And how do you think this selection will help the promotion of your film?

 

Eché Janga - O meu produtor ligou-me e parece que fui atingido por um raio. Não conseguia acreditar. As ex-ilhas colónias da Holanda são uma cultura tão pequena ... o idioma: o papiamento só é falado em três pequenas ilhas do mundo. Curaçao, Bonaire e Aruba. Então, para eles, isso é incrível, afinal de contas um júri norte.americano vai ver a um filme na língua deles.

Para o filme em si é um grande impulso. As pessoas vão querer ver este filme mais por causa da seleção, porque na verdade é um filme muito limitado quando comparados com os filmes americanos que vemos nos cinemas holandeses.

My producer called me up and I was totally struck by lightning, couldn’t believe it. You know the former colony islands of the Netherlands is such a small culture… the language: Papiamentu is only spoken on three small islands in the world. Curaçao, Bonaire and Aruba. So for them this is so amazing, a American jury is going to watch a film in their language.

For the film itself it is a big boost, people will want to see this film more because of the selection which is in fact a very small film if you compare it to the American films in the Dutch theatres.

 

PC – O filme tem uma vibe emocional e espiritual muito forte. Que mensagens espera que ele possa transmitir ao público?/ The film as a very strong emotive and spiritual vibe. What messages to you hope it can convey to the audience? 

Eché Janga - Espero que as pessoas extraiam do filme que, embora sejamos todos tão diferentes, precisamos de mos dar bem uns com os outros e respeitar as necessidades uns dos outros. Os três personagens vivem todos na mesma casa, mas são todos muito diferentes e precisam uns dos outros para obter a salvação.

I hope people will extract from it that although we are all so different we need to get along with each other and respect each others needs. The three characters live all in the same house but are all very different and need each others to get salvation. 


PC –  Sei que é uma pergunta difícil tendo em conta os tempos imprevisíveis em que estamos a viver, mas levando em consideração seu último filme, está a trabalhar em algo novo?/ I know It’s a hard question taking into consideration the unpredictable times we’re living in, but taking in consideration of your latest film, are you working on something new?

Eché Janga - Sim, estou a trabalhar em dois outros projetos, mas eles ainda estão num estágio inicial do argumento. Realismo Mágico e Curaçao terão um papel nestes projetos novamente, porque isto faz parte de mim.

Yes I’m working on two other projects but they are still in a very early stage of the script. Magic realism and Curaçao will have a role in it again because that’s a part of me.

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