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Entrevista a Véronique Reymond e Stéphanie Chuat, as Realizadoras do Comovente My Little Sister, Candidato da Suiça Aos Óscares 2021

Entrevista a Véronique Reymond e Stéphanie Chuat, as Realizadoras do Comovente My Little Sister, Candidato da Suiça Aos Óscares 2021
Véronique Reymond (Left) and Stéphanie Chuat (Right)  
Credits: Sophie Brasey


Recentemente, o Portal Cinema esteve à conversa com Véronique Reymond e Stéphanie Chuat, as realizadoras e escritoras do drama "My Little Sister", o brilhante candidato da Suiça ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2021. Se querem compreender este belo filme, então recomendamos a leitura desta entrevista, onde Véronique Reymond e Stéphanie Chuat exploram todas as vertentes da sua colaboração e deste seu sublime trabalho que tem merecido elogios por parte da imprensa. Esta dupla tem potencial para dar que falar pela positiva!

Recently, Portal Cinema chatted with  Véronique Reymond e Stéphanie Chuat, the directors and writers of the drama "My Little Sister", Switzerland's entry for the Best Foreign Film Oscar in 2021. If you want to understand this beautiful film, then we recommend reading this interview where Véronique Reymond and Stéphanie Chuat explore all aspects of their collaboration and their sublime work that has been praised by the press. One thing is certain, this amazing duo has a bright future!


Entrevista a Véronique Reymond e Stéphanie Chuat, as Realizadoras do Comovente My Little Sister, Candidato da Suiça Aos Óscares 2021

Lisa has bid goodbye to her ambitions as a playwright and the Berlin arts scene and now lives in Switzerland with her husband, who runs an international school. When her twin brother falls ill, she returns to Berlin.



PC – Adoraria começar por perguntar o que vos levou a seguir uma carreira na indústria cinematográfica? O que nos pode contar sobre a sua experiência profissional?/ I’d love to start by asking you what led you both to pursue a career in the film industry? What can you tell us about your professional background?


Véronique Reymond - Nós já nos conhecemos desde os 10 anos de idade, estudamos juntas inclusivamente. Temos então um vínculo muito forte há décadas e compartilhamos inúmeras memórias juntas. E, curiosamente, começamos como atrizes neste meio. Fomos as duas juntas para a escola de teatro. Além do ensino em representação, também formamos uma dupla de palco e apresentamos nossos atos de palhaço nas ruas da Europa. Então começamos a fazer shows nos cinemas. Passamos a fazer filmes quando começamos a adicionar sequências cinematográficas às nossas peças. Foi assim que entramos neste mundo da escrita e da direção de filmes. Gostamos tanto que decidimos seguir nesta direção. Foi um processo muito natural. Mas não fomos para a escola de cinema. Primeiramente escrevemos e realizamos curtas-metragens, documentários, e então uma primeiro longa-metragem em 2010 intitulada "La Petite Chambre". A partir desse momento assentamos de pedra e cal no mundo audiovisual. Em seguida, escrevemos e realizamos uma série, um documentário e agora, "My Little Sister".

We’ve known each other since we were 10 years old. We were at school together. We have a very strong bond, and shared countless memories together. We started out as actresses. We both went to theatre school. Besides our training, we also created a stage duo and performed our clown acts in the streets of Europe. Then we started putting on shows in theatres. We moved to film making by adding movie sequences to our plays. That's how we came into this field of writing and directing movies. We loved it so much that we decided to keep going in that direction. It was a very natural process. But we didn’t go to film school. We first wrote and directed short films, documentaries, then a first feature film in 2010, "La Petite Chambre". From this moment on, we stayed in the audiovisual world. We then wrote and directed a series, a documentary, and now "My Little Sister".


PC - Quais são suas principais inspirações e influências na indústria cinematográfica?/What are your main inspirations and influences in the film industry? 


Stéphanie Chuat - Ambos adoramos autores como Ken Loach e Mike Leigh e a verdade que reside nos seus personagens. Existe uma força e um realismo que realmente nos inspiram. E os elencos que eles escolhem são incríveis. Todos os membros do elenco nos seus filmes representam tão bem que  poderíamos pensar que eles não são atores, mas pessoas reais a viverem as suas vidas. E isso é de tirar o fôlego.

We both love authors like Ken Loach and Mike Leigh and the truth of their characters. There is a strength and realism that really inspires us. And their cast is amazing. They play so well, you would think that they are not actors, but real people. That’s breathtaking.





PC- Vamos falar sobre “My Little Sister”? O que nos podem contar sobre este projeto e como surgiu a ideia de criá-lo? /  Lets talk about “My Little Sister”? What can you tell us about this project and how did you came up with the idea to create it? 


Stéphanie Chuat - O filme tem várias origens. Em primeiro lugar queríamos ampliar o nosso horizonte e trabalhar com atores que não falassem apenas francês. Existem alguns atores alemães, britânicos e americanos com quem sempre sonhamos trabalhar. Entre eles, a estrela alemã Nina Hoss, em quem pensamos desde o início do desenvolvimento de "My Little Sister". Então, tivemos a grande oportunidade de conhecê-la casualmente numa boutique em Berlim. É claro que a abordamos e perguntamos se ela tinha tempo para tomar um café connosco. Demos-lhe o nosso número de telefone, pensando que ela nunca mais nos ligaria. Mas ela ligou e, alguns dias depois, tomamos um longo café com ela. Durante essa conversa, Nina contou-nos que fazia parte da Companhia de Teatro Berlin Schaubühne e convenceu-nos ainda mais.

The movie has several origins. We first wanted to broaden our horizon and work with non French-speaking actors. There are some German, British, American actors we've dreamt to work with. Among them, the German star Nina Hoss, who we thought of since the beginning of "My Little Sister’s" development. We then had the big chance to meet her casually in a boutique in Berlin. We approached her and asked her if she had time for a coffee with us. We gave her our phone number, thinking that she’d never call us back. But she did, and we had a very long coffee with her some days later. During this conversation, Nina told us she was part of the Berlin Schaubühne theatre Company.


Véronique Reymond - Como ambas somos atrizes, conhecemos este prestigioso teatro (Berlin Schaubühne theatre Company) e o seu diretor artístico Thomas Ostermeier há muito tempo. Este foi o gatilho para que a juntássemos com Lars Eidinger (o ator principal do Schaubühne) como irmãos gémeos. Sobre os outros tópicos de "My Little Sister" posso dizer que queríamos explorar um aspecto pouco conhecido da Suíça, os expatriados e o mundo dos colégios internos. Então, quando descobrimos as nossas raízes comuns no teatro com a Nina tivemos a ideia de confrontar esse mundo fechado com o meio teatral de Berlim. Sobre o cerne do filme, que assenta no vínculo entre irmãos gémeos posso dizer que é uma ideia próxima a nós. Somos uma dupla artística há anos e, mais importante, já nos conhecemos desde os 10 anos de idade. Há muito de nosso relacionamento nessa história de gémeos. Compartilhamos um mundo que não existirá mais se um de nós se for.

As we are both actresses, we’ve known this prestigious theatre and its artistic director Thomas Ostermeier. This was the trigger for us to bring her together with Lars Eidinger (the lead actor of the Schaubühne) as twin siblings. About the other topics of "My Little Sister", we wanted to explore a little-known aspect of Switzerland, the expats and the world of boarding schools. Then, when we discovered our common roots in theatre with Nina, we had the idea to confront this closed world with the Berlin theatre milieu. About the core of the film, the twin siblings bond, we are an artistic duo since years now and, more important, we have known each other since we’re 10 years old. There is a lot of our own relationship in this story about twins. We share a world together that will no more exist if one of us is gone.


PC – Como descrevem “My Little Sister”? E quais foram os principais desafios que enfrentaram durante o processo de filmagens?/ How do you describe “My Little Sister” to the audience? And what were the main challenges you’ve faced during the filming process? 


Stéphanie Chuat - “My Little Sister” explora o vínculo invisível entre gémeos adultos. Sven é um ator famoso, Lisa uma dramaturga brilhante que suspendeu a carreira para criar os filhos. Quando o seu irmão é diagnosticado com leucemia aguda, ela questiona toda a sua vida, comprometendo até mesmo o seu casamento. Contra todas as probabilidades, os irmãos conseguem sublimar a possível separação por meio da criatividade, e Lisa se reconecta à sua própria escrita.

"My Little Sister" explores the invisible bond between adults twins. Sven is a famous actor, Lisa a brilliant playwright who has put her career on hold to raise her children. As her brother is diagnosed with severe leukemia, she questions her whole life, compromising even her marriage. Against all odds, the siblings manage to sublime the possible separation through creativity, and Lisa reconnects to her own writing.


Véronique Reymond - Um dos grandes desafios foi a contratação dos atores. Devido às suas agendas muito ocupadas tivemos apenas um dia de ensaio em conjunto com Nina Hoss e Lars Eidinger antes de iniciarmos as filmagens. Passamos por todas as suas cenas e diálogos. Mas se esse curto tempo de ensaio foi tão bom, é porque conversamos exaustivamente com eles sobre os seus personagens durante todo o processo de escrita que, devo dizer, demorou quatro anos.

One of the big challenges was the schedule of the actors. Due to their very busy agendas, we only had one day of rehearsal with Nina Hoss and Lars Eidinger together before the start of the shooting. We went through all their scenes and dialogues. But if this short rehearsal time went so well, it’s because we had talked at length with them about their characters throughout the whole writing process, which took four years. 


Stéphanie Chuat - E então avançamos para as filmagens. Não tínhamos muitos dias de rodagem, mas tínhamos muitas cenas para filmar todos os dias, incluindo mudanças de cenário no mesmo dia. Como fizemos uma série antes desse projeto, com um cronograma muito rápido e apertado, essa experiência acabou por nos ajudar muito para as filmagens de "My Little Siste"r. Por acaso, com grandes atores como Nina Hoss, Lars Eidinger, Marthe Keller e Jens Albinus, o texto já está interiorizado e, assim, conseguimos lidar rapidamente com o ajuste fino de movimentos inexprimíveis e não verbais. É uma grande alegria para nós poder trabalhar com atores tão bons.

And then there was the shooting itself. We did not have many days of shooting, but many scenes to shoot every day, including set changes within the same day. We did a television series before this project, with a really quick and tight schedule, so that experience helped us a lot for the shooting of" My Little Sister".  By chance we've worked with great actors such as Nina Hoss, Lars Eidinger, Marthe Keller and Jens Albinus, so the text was already interiorized and you can quickly deal with the fine-tuning of inexpressible, non-verbal moves. It’s was great joy for us to be able to work with such fine actors.


Véronique Reymond - Na verdade, cada passo da criação deste filme foi realmente desafiador! A edição também não foi um passeio no parque, porque tivemos muita correria, e como a camara é portátil e muito móvel, nunca tivemos duas gravações idênticas. Portanto, tivemos que passar cuidadosamente por todas as sequências para encontrar a peça exata de que precisávamos. Já sabíamos de cor todas as sequências no final da edição.

Actually, every step of making the movie was really challenging! The editing wasn’t a walk in the park either, because we had a lot of rushes, and since the camera was handheld in very mobile way we never had two identical shots. So we had to go carefully through all the rushes to find the exact piece we needed. We knew them all by heart at the end of the editing.


PC – Como descrevem a vossa parceria. Como foi a experiência de trabalharem juntas neste filme?/ How do you describe your partnership. How working together on this movie?


Véronique Reymond  - Somos uma dupla artística há anos e gostamos muito de colaborar juntas. Foi uma grande oportunidade de trabalharmos em dupla, pois esse negócio às vezes pode ser uma espécie de montanha-russa.

We are an artistic duo for several years now, and enjoy collaborating together. It’s a big chance to be working together, as this business can sometimes be kind of a roller coaster. 


Stéphanie Chuat - A nossa forma de trabalhar evoluiu ao longo dos anos. Escrevemos "La Petite Chambre" juntas, sendo esta uma peça a 4 mãos. Mas em "My Little Sister" o processo foi diferente, porque fui impedida de escrever, pois a minha mãe foi diagnosticada com cancro de pulmão em estágio terminal. Então, de um dia para o outro, vi-me no lugar de Lisa em "My Little Sister". Tornei-me na cuidadora domiciliar da minha mãe até ao dia que ela faleceu, 10 meses depois. Então, como uma esponja, Véronique observava-me e inseria no argumento algumas das coisas pela qual estava a passar. Então, durante as filmagens do filme, estávamos as duas 100% presentes no set, sem nenhuma distribuição de tarefas entre nós as duas. Assim, ficamos disponíveis para o momento, para o que estava a acontecer no set. E foi assim que trabalhamos durante as filmagens: nunca decidimos com antecedência quem faria o quê. A mesma coisa durante o processo de montagem do filme, que poderia ate ser um momento mais conflituoso entre nós. Durante a edição de "My Little Sister" tivemos muitas discussões, mas sempre chegamos à versão final das cenas sem nunca abandonar as nossas duas visões. No final encontramos sempre soluções com as quais ambos concordamos plenamente.

Our way of working has evolved over the years. We wrote "La Petite Chambre" completely together. That film it’s a 4-hands piece. But for "My Little Sister" the process was different, because I was taken away from writing, as my mother was diagnosed with a lung cancer in a terminal stage. So, from one day to the other, I found myself in the place of Lisa in "My Little Sister". I became the home caretaker of my mother until she passed away, 10 months later. So, like a sponge, Véronique would observe me and insert in the script some of the things I was going through. Then, during the shooting of the movie, we were both 100% present on the set, without any distribution of tasks between the two of us. This way, we remained available to the moment, to what was happening on the set. That’s how we work during the shooting: we never decide in advance who does what. Same thing during the film editing process, which can be a more conflictual moment between us. During the editing of "My Little Sister", we had many discussions, but we always got to the final version of the scenes without ever compromising between our two visions. In the end, we always found solutions that we both fully agreed on.

PC – O filme foi o escolhido para representar a Suíça na corrida ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Como receberam a notícia e como acham que isso ajudará o filme?/ The film was selected to be Switzerland’s entry for the Best International Film Oscar. How did you get the news and what do you feel it will do for this film?

Stéphanie Chuat/ Véronique Reymond  - O filme foi selecionado por uma comissão que viu a todos os filmes suíços elegíveis para os Óscares. Recebemos um telefonema quando eles decidiram, já no final do mês de agosto de 2020. Ficamos muito, muito felizes pelo nosso filme ter sido escolhido. Como o filme também foi lançado nos Estados Unidos por estes dias, então esta escolha dá mais visibilidade e oportunidades de ser visto por pessoas nos Estados Unidos. Também por profissionais da indústria dos EUA. Portanto, é uma grande oportunidade do nosso trabalho ser visto e talvez abrir novas possibilidades na nossa jornada como cineastas.

The movie was selected by a commission who watched all Swiss eligible movies for the Oscars. We received a phone call when they had decided, at the end of the month of August 2020 already. We were very very happy that our movie had been chosen. As the movie is also released in the US right now, it gives it more visibility and chances to be watched by people in the US. Also by US industry professionals.  So it’s a chance for our work to be seen, and maybe open new possibilities in our journey as filmmakers.


PC – O que nos pode dizer sobre os vossos projetos futuros?/ What can you tell us about your future projects?

Stéphanie Chuat/ Véronique Reymond - Estamos, neste momento, a escrever "Toxic", uma série desenvolvida em conjunto com uma estação de televisão suíça. É um drama ecológico que combina uma história de família que explora as consequências de uma contaminação misteriosa do Lago Genebra, na Suíça. "Toxic" questiona todos sobre a sua relação com o meio ambiente e mais especificamente com a água, elemento vital para a Humanidade. Quando começamos a desenvolvê-lo, já em 2016, víamos como uma espécie de série de antecipação, mas com a pandemia Covid-19, parece ser um assunto bastante atual. Em termos de produção e filmagem, como a evolução do coronavírus se tornou o nosso barómetro, teremos a maior paciência possível… Vamos esperar para ver!

We are currently writing "Toxic", a series developed together with Swiss TV. It's an ecological drama combined to a family story exploring the consequences of a mysterious contamination of Lake Geneva in Switzerland. "Toxic" questions everyone about their relationship with the environment and more specifically with water, a vital element for mankind. When we started developing it, in 2016 already, we saw it as a kind of anticipation series, but with the Covid-19 pandemic, it seems to be quite a topical subject. In terms of production and shooting, since the evolution of coronavirus has become our barometer, we'll be as patient as possible… Let's wait and see! 

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