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sábado, novembro 03, 2018

Crítica - Bohemian Rhapsody (2018)

Realizado por Bryan Singer
Com Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee

E após muitas adversidades e controvérsias, "Bohemian Rhapsody" chegou finalmente aos cinemas! O processo de pré-produção desta cinebiografia de Freddie Mercury, o icónico vocalista dos Queen, não foi fácil e atravessou muita turbulência. Desde problemas jurídicos a mudanças repentinas de equipa técnica e até de protagonista, "Bohemian Rhapsody" acabou por encontrar na dupla Bryan Singer/ Rami Malek um ponto seguro de equilíbrio que permitiu levar o filme a bom porto. E por bom porto queremos dizer um resultado minimamente positivo. Porque embora tenha muitas valências positivas, este projeto não é o power house que se esperava. É um filme muito aceitável é certo, mas será mesmo que faz justiça à lenda que é Freddie Mercury?  
Na sua essência, "Bohemian Rhapsody" é uma energética mas simplista celebração da vida de Freddie Mercury (1946-1991), que, juntamente com os Queen e a sua Música, desafiou os estereótipos e quebrou recordes! O filme explora o nascimento dos Queen sob a batuta de Mercury e desenvolve os principais pontos da sua vida pessoal, mas também os pontos de destaque da carreira da banda até ao mítico concerto que deram no Live Aid. Esta sua performance foi aliás considerada a melhor de sempre! Mas entre os grandes destaques musicais dos Queen, "Bohemian Rhapsody" explora a conturbada vida privada de Mercury e como este lidou com a sua sexualidade, os seus vícios e, sobretudo, com os seus fantasmas. 
É precisamente quando explora este lado mais privado que perde o seu encanto e se transforma numa experiência cinematográfica bastante frustante. E porque? No fundo porque fica no ar uma sensação de potencial desperdiçado. A vida de Mercury dava uma novela mexicana, mas "Bohemian Rhgapsody" exagera no retrato que nos pinta e, entre erros e omissões graves, acaba também por promover doses exacerbadas de melodramatismo. Fica no ar a sensação que a real história de Mercury fiou por contar, ou pelo menos, a real história perdeu-se no meio de tantas omissões e embelezamentos ficcionais e melodramáticos. 


A primeira parte do filme até começa por ser precisamente aquilo que esperávamos, ou seja, um filme que sem exageros ou sem grandes aproveitamentos históricos explora o começo dos Queen e, por arrasto, os primeiros passos de Freddie Mercury até ao estrelato. Após o segmento em que vemos como é que os Queen criaram a mítica Bohemian Rhapsody é que se começa a desvirtuar a sua essência e estilo. O que até então estava a ser uma cinebiografia com potencial transforma-se numa enxurrada de melodramas pessoais que, infelizmente, nem sempre correspondem a uma veracidade histórica.
Pese embora este desperdício de potencial dramático e factual, "Bohemian Rhapsody" promove, ainda assim, bons momentos em particular para os fãs dos Queen. É interessante ver como a banda criou alguns dos seus maiores êxitos e como é que a mente de Mercury funcionava. É impossível não delirar com o momento em que Mercury sobe ao palco pela primeira vez com os Queen ou como a banda criou Bohemian Rhapsody. Tal como é impossível não sentir um pouco de emoção quando o filme nos presenteia com uma encenação da performance dos Queen no Live Aid, performance essa onde a vivacidade de Malik se mescla com o estilo inconfundível de Mercury. 
Embora sem o poder objetivo que se esperava, estamos mesmo assim perante uma grande experiência musical que deixará qualquer fã dos Queen orgulhoso. Pelo menos terá a oportunidade de ouvir os grandes sucessos da banda cantados pela voz do próprio Freddie Mercury e nisso o filme acertou. Teria sido um desastre por Malik ou qualquer outra pessoa a cantar e a substituir a voz do eterno vocalista dos Queen. Pelo menos assim todos nós conseguimos sentir a sua real presença nesta obra. Mas verdade seja dita que Malik interpreta-o com grande aptidão e imita na perfeição a sua energia, o seu estilo e o seu poder em palco. 
Posto isto tudo, "Bohemian Rhapsody" não é um filme super estrela à imagem de Freddie Mercury ou dos Queen, nem é tão memorável ou revolucionário como a homónima música da banda britânica, mas representa pelo menos uma das maiores característica dos Queen: consegue entreter. 

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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