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sexta-feira, dezembro 21, 2018

Crítica - Mowgli (2018)

Realizado por Andy Serkis
Com Benedict Cumberbatch, Cate Blanchett, Andy Serkis

Em tempos áureos, a Warner Bros chegou a depositar grandes esperanças e expectativas em “Mowgli”, uma versão live action do clássico “O Livro da Selva”. O sucesso da versão live action da Walt Disney do mesmo clássico só ajudou a alimentar ainda mais tais expectativas mas, subitamente, já numa fase de pós-produção, a Warner perdeu toda a fé no projeto. A solução do estúdio passou por vender “Mowgli” à Netflix e, verdade seja dita, esta foi uma decisão que se revelou acertada para ambos os lados. 
Embora esteja bem longe de ser um mau filme, “Mowgli” nunca iria corresponder às elevadas expectativas comerciais traçadas pela Warner. Embora seja uma interessante adaptação do clássico que cativou e ainda cativa a imaginação de milhares de pessoas, certo é que perde bastante em comparação com a versão mais estilizada e acessível da Disney. E as comparações entre ambos são inevitáveis, já que foram lançados muito próximos um do outro e adaptam o mesmo clássico quase sob a égide do mesmo estilo de género, embora sob visões diferentes. Neste ponto realça-se que a versão de “Mowgli”, por exemplo, obedece a um estilo mais adulto, já a da versão da Disney foca-se numa visão mais criativa e infantil. O que é certo é que, pese embora adaptem o mesmo clássico, nos detalhes “Mowgli” e “The Jungle Book” têm diferenças assinaláveis, mas quer tecnicamente, quer ao nível do enredo, a versão da Disney bate, como se diz na gíria, aos pontos este projeto da Netflix/Warner Bros. 
Mas deixando as comparações de lado e abordando, em exclusivo, este produto da Netflix pode-se dizer que é, de facto, uma adaptação competente de “O Livro da Selva”. Embora sacrifique um pouco a magia que catapultou a clássica animação da Disney para o sucesso, o que é certo é que o resultado final satisfaz. O enredo, como já se disse, tenta de facto passar uma imagem mais adulta da clássica história, preferindo explorar mensagens relacionadas com a exclusão social, a união familiar, as diferenças sociais e a relação entre Homem e Natureza. O problema é que a abordagem de tais temas peca pela falta de eficácia e perde-se, por vezes, em pormenores insignificantes que pouco acrescentam à história ou, então, entra por caminhos demasiado cliché ou melodramáticos. São estes momentos de infeliz eficácia ou clareza que prejudicam “Mowgli” e prejudicam a sua imagem e, no fundo, o seu resultado final. 
Mesmo tecnicamente, “Mowgli” fica bem abaixo do que se esperava. Embora seja notório que o CGI dos Animais tenha por trás muito trabalho técnico, o que é certo é que fica a ideia que poderia ter sido feito muito mais neste campo, nomeadamente no que toca ao trabalho do realismo dos animais (a figura do Bagheera, por exemplo, é deplorável). E nas próprias sequências de ação é notório que a componente técnica não estava tão afinada como deveria, por exemplo a sequência da batalha final é bastante fraquinha e pouco intensa, perdendo muito valor devido ao parco apelo técnico que oferece. É pena porque com um pouco mais de calibre técnico e um enredo melhor idealizado, “Mowgli” poderia, quem sabe, lutar por algum prestígio na época de prémios, como aconteceu com a versão da Disney.

Classificação - 3 Estrelas em 5

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