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segunda-feira, janeiro 14, 2019

Crítica - Mary Queen of Scots (2018)

Realizado por Josie Rourke
Com Margot Robbie, Saoirse Ronan, Guy Pearce

Quando se junta Cinema e a icónica História da Rainha Elizabeth na mesma frase, então quase de certeza que será chamado à conversa o maravilhoso filme “Elizabeth” (1998), um poderoso retrato dos primeiros anos do Reinado de Elizabeth e um grande filme onde Cate Blanchett maravilha qualquer um no papel da histórica Monarca Britânica. A sua sequela “Elizabeth: The Golden Age” (2007), também apresenta uma Blanchett de grande nível, mas já não se pode dizer que seja um filme tão forte como o primeiro, mas funciona ainda assim, como um razoável follow-up do primeiro e como uma interessante conclusão para esta mini antologia cinematográfica dedicada à Rainha Elizabeth.
O primeiro filme explora, entre muitas capítulos da vida da Monarca, a sua rivalidade com Mary de Guise, a Herdeira ao Trono da Escócia que, por tudo o que representava, assumia-se como uma séria ameaça ao seu Reinado e à Soberania Britânica sobre a Escócia. O segundo filme já explorava a sua relação e posterior rivalidade com Mary: A Rainha dos Escoceses, a filha de Mary de Guise e que tal como a mãe tinha os olhos postos na Soberania Escocesa e no Trono Britânico. Infelizmente, “Elizabeth: The Golden Age” não explorou tão pormenorizadamente como o que era suposto a tumultuosa relação entre Elizabeth e Mary, tendo preferido focar-se na rivalidade entre as Coroas Britânicas e Espanholas apoiadas, respetivamentes, pelas Igrejas Protestante e Católica. Quase uma década após o lançamento da sequela de Elizabeth surge nos Cinemas este “Mary Queen of Scots”, uma cinebiografia de Mary - a Rainha dos Escoceses que se foca no mesmo período temporal de “Elizabeth: The Golden Age”, mas que dá um pouco mais de atenção à relação entre as duas Monarcas, focando-se também na luta de Mary em manter o seu poder na Escócia e junto da sua Corte.




Embora a relação entre Mary e Elizabeth seja um dos pontos mais interessantes da vida da primeira, “Mary Queen of Scots” começa por falhar como produto cinebiográfico ao ignorar toda a história de Mary antes de esta chegar à Escócia para reclamar o seu trono. O seu passado em França, a sua complexa relação com a sua Mãe ou os dramas que viveu no seio da Corte Francesa são completamente ignorados e isso ajuda a descontextualizar a sua relação com Elizabeth, o Reino Britânico e até com a sua Corte na Escócia. No fundo caímos de para-quedas num ponto central da vida de Mary sem termos conhecimento mínimo do que se passou para trás. É claro que quem conheça a história desta personalidade ou tenha visto, por exemplo, a série “Reign” consegue perceber um pouco melhor todos os contextos históricos, políticos e militares que o filme vai apresentando, mas sem uma pré-informação é impossível compreender a dimensão desta história real. Não é só na contextualização histórica e narrativa que “Mary Queen of Scots” falha. Todo o argumento é explorado de uma forma desorganizada, confusa e até polémica que não nos consegue transmitir uma história linear que explore convincentemente e historicamente os dramas, dilemas e desafios que Mary – A Rainha dos Escoceses enfrentou na sua Corte e perante o Reino Britânico. As suas relações com França e o Vaticano são completamente ignoradas, apesar de terem sido fulcrais no seu percurso de vida, tal como a sua complexa história familiar que apenas é timidamente abordada para fins puramente históricos. Mesmo o ponto central do enredo, ou seja, a relação entre Mary e Elizabeth denota incríveis falhas históricas e deixa de lado momentos fulcrais, como o seu exílio ou os políticos eventos que levaram à morte de Mary ordenada por Elizabeth.
São demasiados pontos ignorados e outros a que é dada uma importância desmesurada e que nada faz pela força dramática e histórica do filme. Não é por isso de estranhar que estejamos perante um filme que se torna demasiado pesado com o passar do tempo. Por outras palavras menos simpáticas pode-se mesmo dizer que é um filme aborrecido. E não teria que ter sido assim. A vida de Mary tinha potencial para dar um filme bem mais interessante e, acima de tudo, a sua relação com Elizabeth poderia ter originado um filme muito melhor. É por isso fácil de concluir que os responsáveis pelo argumento não tiveram o critério nem o discernimento necessário para tomar as melhores decisões. E, acima de tudo, não souberam olhar para o brilhante exemplo dos dois filmes “Elizabeth” para verem como a história de Mary poderia ter sido contada no cinema! 
Embora o seu argumento seja no máximo medíocre, “Mary Queen of Scots” tem aspetos muito positivos. Estes resumem-se sobretudo a elementos técnicos, como o Guarda Roupa, a Caracterização ou a Montagem, mas também no elenco há elementos interessantes. Antes da estreia do filme todos esperariam que seria Saoirse Ronan (Mary) a revelar-se como o principal motor e atrativo do elenco, mas surpreendentemente é a mais secundária Margot Robbie (Rainha Elizabeth) que rouba as atenções. É certo que a performance da primeira foi muito prejudicada pelo péssimo argumento, mas mesmo assim é impossível não dar crédito nem mérito a Robbie. A sua interpretação da Rainha Elizabeth não é, nem de longe nem de perto, tão sublime como a de Blanchett em “Elizabeth”, mas merece um destaque bem positivo porque conseguiu assumir na perfeição todos os traços que marcaram a sua personalidade. A vantagem de Robbie sobre Ronan torna-se evidente na única sequência onde as duas contracenam cara a cara, cena essa onde Robbie se sobrepõem completamente a uma inesperadamente apagada Ronan. E no fundo a performance de Ronan representa a imagem que o filme nos deixa, ou seja, uma sensação de que o resultado final não correspondem ao potencial nem às expectativas traçadas.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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