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terça-feira, março 12, 2019

Crítica - Snu (2019)

Realizado por Patrícia Sequeira
Com Eric da Silva, Paulo Calatré, Inês Castel-Branco 

Há histórias recentes da Sociedade Portuguesa com enorme potencial para renderem excelentes filmes. E, na História do Cinema Português, não é difícil encontrar filmes de excelência que respeitaram as suas espetaculares bases históricas e deram assim origem a filmes magnânimos. Ao olharmos, por exemplo, para a excelência de obras como “Cartas de Guerra”, “Balada da Praia dos Cães”, “Cinco Dias, Cinco Noites” ou “Tabu constatamos que são obras inteligentes, criativas e cujos criadores conseguiram pegar em estilhaços de histórias reais e eventos marcantes para criarem verdadeiras obras primas do Cinema Nacional.
O problema é que no Cinema Português bons filmes como estes são, de facto, memoráveis mas não abundam. Não é por falta de valorosas Histórias Reais que estes não existem. Os grandes culpados são mesmo quem desperdiça grandes Histórias em filmes medíocres. Seja por incompetência, falta de visão, incapacidade técnica ou criativa, falta de fundos ou ausência de oportunidades, o que é certo é que, infelizmente, conseguimos contar pelos dedos os filmes de grande qualidade que são inspirados numa marcante história real portuguesa referente aos últimos 100 anos da nossa História, isto claro falando apenas de Filmes Não Documentais. 
Reforço que não estamos desprovidos de grandes filmes que se enquadrem neste tipo de produto. Aos já supra-citados juntam-se outros menos avassaladores é certo, mas igualmente interessantes e que até tentaram aproximar-se de um estilo um pouco mais comercial. São exemplos disto mesmo o drama “Florbela”, uma cinebiografia da poetisa Florbela Espanca; o drama de guerra “Soldado Milhões” sobre a história de bravura do soldado Aníbal Augusto Milhais na 1ª Grande Guerra e, também, a recente dramédia “Ruth”, sobre a transferência do jogador de futebol Eusébio para o Sport Lisboa e Benfica. 
E chegamos finalmente a “Snu”! E falar deste filme após uma exposição sobre o desperdício de grandes Histórias por parte do Cinema é naturalíssimo, já que, efetivamente, “Snu” é o exemplo perfeito disso mesmo. Esta obra é nos apresentada como uma cinebiografia do romance entre Snu Abecassis e Francisco Sá-Carneiro (Antigo Primeiro-Ministro de Portugal) que, muitas vezes, é descrita como uma das grandes histórias românticas do Século XX. Isto porque a Jornalista e o Político apaixonam-se irremediavelmente e decidiram assumir esse amor publicamente num Portugal em plena reconstrução das cinzas do fascismo, abalando as convenções nacionais e os valores tradicionais de família, abraçando também em conjunto fortes ideologias políticas. Os dois morreram tragicamente em 1980 num acidente de aviação que, ainda hoje, encontra-se envolvido por muitas teorias da conspiração, algo que reforça ainda mais o legado dramático da sua história conjunta. 
No papel, a história de Snu e Sá Carneiro tem, à partida, tudo o que se pode pedir para originar um grande filme! Drama, Dilemas Morais, Conspirações, Jogos Políticos, Relevância Histórica, Romance, Tragédia, Dúvidas Existências ou Traições, enfim, uma panóplia de temas ricos e com potencial para dar muito, tendo ainda a deliciosa agravante de terem sempre uma forte e concreta inspiração real por detrás. Infelizmente, “Snu” é daqueles exemplos onde o potencial está todo lá, mas a concretização do mesmo é tão má e mediana que acaba por resultar num filme desprovido de emoção, qualidade ou criatividade.
Em vez de uma empolgante epopeia política/ dramática/ romântica/ conspiracional somos presenteados com uma deselegante mistura entre uma insípida telenovela e um incompetente telefilme que se foca, infelizmente, em tudo aquilo que não interessa. Poderá ser um exagero, mas nem a história de Snu, nem a de Sá Carneiro e, muito menos, a de ambos como casal são eficazmente abordadas. 
Sem querer ser muito duro, mas já o sendo, “Snu” é um filme superficial que nada tem a ver com as personagens e sequências de eventos sobre as quais a sua história verso. Não passa de uma incapaz representação, ou melhor, de um exercício de pura futilidade que nada acrescenta ao Cinema Português ou à História. Nada mais se poderia esperar de um argumento que promove consecutivos tiros nos pés e que nunca vai a fundo em nenhuma questão. No fundo este preocupa-se apenas em cultivar uma espécie de melodrama completamente desnecessário e um ambiente desagradavelmente reles que nada combina com um produto que poderia e deveria ter um calibre bem superior. 
Salva-se, felizmente, uma performance segura e bem competente de Inês Castel-Branco que, confesso, surpreendeu-me pela forma como assumiu a personagem Snu. Em completo contraste está Pedro Almendra que, como já muitos disseram, está completamente perdido no filme. A sua escolha para interpretar Sá Carneiro foi, já de si, duvidosa, mas a sua performance simplista não ajudou em nada. Entre os poucos positivos destaque ainda para os cenários, onde se evidencia um esforço para tentar transpor o filme para a realidade Pós-25 de Abril.

Classificação - 1,5 Estrelas em 5

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