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quinta-feira, julho 25, 2019

Crítica - The Lion King (2019)

Realizado por Jon Favreau
Com Seth Rogen, Donald Glover, Keegan-Michael Key, Beyonce

Na sua demanda para transformar/ converter os seus maiores clássicos de animação em filmes live-action, a Walt Disney tem contado com um forte aliado: a nostalgia. É este poderoso sentimento que a Disney sabe manipular como ninguém que tem disfarçado as lacunas destes projetos e tem levado milhões de pessoas aos cinemas, cimentando assim a aposta do estúdio nestas conversões nestes moldes pouco ambiciosos. É certo que há filmes desta aposta live-action que, pese embora algumas falhas crassas, conseguiram de certa forma reinventar o clássico. Um bom exemplo é “Maleficent”, já que os seus criadores souberam pegar na boa base original de “A Bela Adormecida” e, pelo menos, tentaram inovar e criar um conteúdo diferente. É certo que não foram bem sucedidos nesta tarefa, mas pelo menos ofereceram uma nova perspectiva da história que acrescentou algo ao original (nem que seja vermos mais da personagem mais interessante).
Pelo menos as mentes por detrás de “Maleficent” fizeram bem mais do que os criadores deste “O Rei Leão”. Estes nem tentaram disfarçar que esta obra live-action é uma cópia praticamente idêntica ao filme original, com a única relevante diferença a residir na componente visual/técnica. É certo que a história original do filme é efetivamente intemporal e de grande qualidade, mas qual foi mesmo o grande propósito de criar um filme narrativamente e musicalmente idêntico à animação de 1994 mas com um visual mais computorizado e até menos apelativo? A única resposta é também a mais óbvia; o lucro fácil. Não houve qualquer nobre intenção de apresentar a história de Simba às novas gerações, até porque ainda há poucos anos atrás uma versão remasterizada do clássico saiu nos cinemas. Houve sim uma tentativa de ganhar dinheiro de forma fácil e com o menor trabalho criativo possível, destruindo assim a possibilidade de elevar a história de Simba e Companhia para outros patamares que poderiam, na mesma, convencer novas gerações e apresentar algo novo às gerações que vibraram com a animação original.




O mais grave é que o pouco que esta versão live-action divergiu da animação resultou em desastres gigantescos. Um dos pontos mais marcantes e fortes da animação é a poderosa “Be Prepared” que Scar entoou junto das Hienas e cujo ponto alto replicou uma parada Nazi. Esta alegoria, embora polémica na altura, é sublime sob qualquer ponto de vista e tornou-se num corajoso símbolo de irreverência pouco vista em obras para crianças nos dias de hoje. É óbvio que a versão live-action conseguiu destruir este legado e reduziu a este momento a um insignificante momento musical sem qualquer piada. Também a balada “Can you Feel the Love Tonight” rendeu uma péssima sequência nesta obra de 2019, onde nem a Emoção, nem o Amor marcaram presença. Neste ponto a vertente computorizada prejudicou o efeito que esta cena poderia ter nos espectadores, já que as expressões humanizadas presentes na animação e que ajudaram a tornar tal sequência num ícone romântico não puderam marcar presença aqui, diminuindo assim o seu impacto romântico.
Não se compreende por isso como é que, perante este facto óbvio, os responsáveis por esta versão moderna ainda acrescentaram mais minutos à sequência, sabendo perfeitamente que a mesma nunca seria tão eficaz/memorável e que dela nunca poderiam retirar o sumo romântico pretendido. Estes são apenas os dois casos mais graves, mas ao longo do filme encontramos vários exemplos de pequenas derivações sem sentido que só prejudicaram o resultado final e mancharam o legado da obra original. 
Se algumas das obras live-action que a Disney tem lançado até têm conseguido tornar-se em bons complementos das versões originais de animação, “O Rei leão”, que era até apontado como a principal aposta da Disney neste capítulo, acaba por se destacar como a única obra que nada acrescenta ao clássico. Mesmo a elogiada componente tecnológica/técnica do filme, que até lhe poderá valer uma ida aos Óscares na categoria de Melhores Efeitos Especiais, não tem de todo poder suficiente para brilhar por si só, porque nada apaga a grande mancha/ desperdício de potencial que esta “conversão” representa. Só mesmo a nostalgia mascara os seus gigantes problemas…

Crítica - 1,5 Estrelas em 5

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