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sexta-feira, junho 06, 2014

Crítica - Maleficent (2014)

Realizado por Robert Stromberg 
Com Angelina Jolie, Elle Fanning, Brenton Thwaites, Sharlto Copley 

O elenco de vilões dos filmes Walt Disney é muito rico em personagens categoricamente maléficas e curiosas que, por vezes, até superam em popularidade, carisma e qualidade os próprios heróis das histórias. Um dos exemplos mais proeminentes deste fenómeno é a poderosa bruxa Maleficent, a grande antagonista do intemporal filme de animação “Sleeping Beauty” (1959), cuja trama é baseada nos igualmente clássicos contos de fadas “La Belle au Bois Dormant”, de Charles Perrault e “Little Briar Rose”, dos Irmãos Grimm. Este clássico cinematográfico é, ainda hoje, encarado como uma das pérolas da Walt Disney, por isso acredito que serão poucas as pessoas que nunca tenham sequer entrado em contacto com este projeto ou que, pelo menos, não conheçam as bases originais da sua história, mas quem viu “Sleeping Beauty” sabe bem que Maleficent é a grande estrela do filme, sendo de longe a personagem mais complexa e completa, conseguindo por isso atirar para canto a Princesa Aurora, bem como outras personagens caricatas mas secundárias, como as Três Fadas que protegem a Princesa Aurora. A popularidade e importância de Maleficent são portanto inegáveis, por isso compreende-se como é que a Walt Disney chegou à conclusão que esta bruxa poderia render um filme de fantasia algo diferente, que conseguisse também dar um twist singular à história que é retratada no filme de 1959. Esta ideia materializou-se portanto em “Maleficent”, um filme live action que, no máximo dos máximos, pode ser livremente descrito como uma spin-off alternativa de “Sleeping Beauty”, porque para além da sua intriga ser explorada sob a perspectiva de Maleficent e não da Princesa Aurora, apresenta também uma história com algumas diferenças importantes e que, no fundo, acabam por estragar toda a magia do clássico e da vilã.


É certo que esta ideia tinha potencial e começou até por me entusiasmar mas confesso que, com o passar dos meses e após ver uma série de materiais promocionais medonhos, fui perdendo a esperança no seu valor, até que finalmente os meus piores receios confirmaram-se quando tive a oportunidade de ver aquele que será para mim uma das grandes desilusões de 2014. Para começar, “Maleficent” é, por incrível que pareça, mais infantil que o próprio “Sleeping Beauty”. É tão meloso e inocente que torna-se rapidamente enjoativo, cansativo e completamente intolerável para todos os espectadores que tenham mais que dez anos, algo que é um pouco irónico, já que em Portugal, “Maleficent” é recomendado apenas para um público com idade superior a doze anos, algo que se apresenta, desde logo, como um grave problema, porque duvido que alguém mais velho que essa idade mínima consiga vibrar ao máximo com um projeto tão meloso como este. Se já viu o clássico e até gosta de Maleficent, então acredito piamente que, tal como eu, vai simplesmente odiar esta versão, que denigre a história original e atira para a lama a personalidade e o poder de uma das personagens maléficas mais famosas do Universo Disney. A própria Maleficent que aqui nos é apresentada é tudo menos maléfica, mas sim uma versão enjoativamente doce e infantil da aguerrida personagem que tanta presença teve em “Sleeping Beauty”. É certo que o retrato que aqui é feito apresenta uma certa malvadez e frieza que, infelizmente, restringe-se apenas a uns cinco minutos intermédios que vão desde o ato com o qual o Rei Stefan corrompeu Maleficent, até uns minutos após o já clássico momento em que a aqui pseudo-vilã amaldiçoa a Princesa Aurora. É precisamente a partir deste ponto que “Maleficent” torna-se incompreensivelmente frágil e melosamente parvo, até mesmo para os padrões de um filme familiar que, a julgar apenas pela sua classificação etária, acaba por tecnicamente não ser assim tão familiar quanto isso.


Voltando um pouco atrás, a primeira parte do filme pinta um breve retrato das origens da vilã de uma forma muito apagada e com o já esperado twist romântico pelo meio, mas pelo menos esta pequena introdução é dotada de uma certa eficácia contextual, porque explica com alguma agilidade fantasiosa os pressupostos que se escondem por detrás das motivações cruéis desta famosa personagem. O problema é que estas tão populares motivações duram na prática, como já referi, pouco mais de cinco minutos. É porque a partir do momento que Maleficent lança por fim a sua tão desejada vingança contra o Rei Stefan, somos presenteados com a progressiva deterioração da sua personalidade maléfica. A ideia que tínhamos desta personagem malévola e irremediavelmente corrompida desaparece numa questão de minutos para dar lugar a uma imagem infeliz de redenção e carinho que, simplesmente, não combina com tudo aquilo que se quer e gosta em Maleficent. É certo que é uma aposta surpreendente, mas é uma surpresa má e fraca, que aniquila de imediato qualquer impacto que “Maleficent” poderia ter junto do espetador. É porque no fundo, estamos perante um conto de fadas sem a peculiaridade ou singularidade que se esperava, até mesmo perante o clássico original, “Maleficent” é muito mais fraquinho, porque nem um vilão decente e memorável tem, já que Maleficent assume aqui, para todos os efeitos e propósitos, um papel de bruxa boazinha. E quem é que é o vilão? Pois bem, esse papel é atirado para o Rei Stefan que, embora seja uma personagem duvidosa, está longe de ser um grande vilão e, acima de tudo, está longe de merecer qualquer ataque, já que representa apenas o máximo da ambição humana e atua sempre com o compreensivo desdém e loucura perante uma situação muito difícil, algo que no final não merece sequer o devido apreço pela sua própria filha.

 

E por falar em final, o que dizer da sua péssima conclusão, que é porventura um dos piores finais de um filme da Walt Disney. Já se sabe que um final num filme como este será estupidamente meloso e idealista, mas a forma como toda a história atinge o seu climax é uma autêntica desgraça, quer para a honra da história original, quer para as bases de entretenimento do espetador. É porque a batalha final é simplesmente ridícula e cheia de falhas impressionantes, sendo de destacar o péssimo twist que fizeram com a parte do dragão, que para mim era uma das partes mais esperadas do filme e que acabou por merecer pouco tempo de antena. O final e o início de “Maleficent” não são bons, mas pelo menos têm alguma energia, algo que falta à parte intermédia, que é uma autêntica sonolência devido a forma previsível, melancólica e pachorrenta como nos é apresentado o crescimento da Princesa Aurora e a aproximação maternal de Maleficent, que graças a esta sua imprópria redenção acaba mesmo por se tornar, contra todas as expetativas, uma figura irritante e sem qualquer pingo de malícia, no entanto, consegue ser menos irritante que as Três Fadas, que abusam no nível de parvoíce e ingenuidade, ajudando por isso a piorar ainda mais o péssimo sentido de humor do filme. A nível visual, “Maleficent” é bonito. É neste ponto que se nota bem que é um filme da Walt Disney com um toque infantil e familiar, já que todas as partes técnicas são muito coloridas e acriançadas. Tenho que admitir que por vezes a fantasia sempre circundante do reino mágico e as figuras doces das criaturas especiais são exageradas e não conseguem, como é óbvio, transmitir aquele elemento de seriedade, mas não se pode dizer que estejam más, porque realmente não estão, são mas é um pouco infantis demais para o apreço de um público mais velho. O que fica de positivo e o que de certa forma se salva nesta mega produção é a prestação de Angelina Jolie na pele de Maleficent. Este casting foi perfeito em todos os aspetos, porque acho que nenhuma outra atriz conseguiria encaixar tão bem nesta personagem, no entanto, preferia que esta pobrezita Maleficent tivesse puxado mais pela garra e pelo poderio de Angelina Jolie, algo que teria acontecido se esta fraquinha versão tivesse mais parecenças com a portentosa versão que ilumina com malvadez o clássico de 1959. O que importa dizer é que este casting acabou por ser a única boa decisão que a Walt Disney tomou em todo este projeto, que tinha tanto potencial para ser diferente, mas que acabou por se perder num produto pouco memorável que desonra a história original com os twists estupidamente bonzinhos e doces que se reportam a Maleficent, que para todo o sempre deveria apenas ser recordada como vilã.

Classificação - 1,5 Estrelas em 5

10 comentários:

  1. Fui ver o filme na quinta feira e foi exactamente esta a minha opinião! Mas vi que o resto das pessoas até não tinha desgostado, até pensei que fosse eu a ser um bocado do contra, mas felizmente há mais quem pense como eu!

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  2. Discordo completamente. Gostei muito filme, e algumas pessoas que conheço que até não acham piada a este tipo de filme, viram e gostaram. Tal como disse, este é um filme para maiores de 12 anos. Logo, na minha opinião, é normal que a abordagem do filme seja mais crua e nos tente transportar para uma fantasia mais "aceitável" para adultos, porque eventualmente não se pode estar à espera que todos acreditemos que a bruxa má ficou zangada e lançou um feitiço só porque não foi convidada para a festa. Acho bastante interessante esta abordagem do porquê da Maleficent ser como é. As histórias intemporais como é o caso da Bela Adormecida, vão continuar a sê-lo. No entanto, se não houver alguns inputs para os tempos actuais não existira uma lógica para se fazer este filme. Bastaria fazer-se um remake do que já existe uma vez que a personagem principal continuaria a ser a Aurora e existiria uma história para se contar sobre a Maleficent. Quem vai ver este filme tem que, ou deveria, perspectivar que eventualmente a história contada não seria totalmente igual à que todos conhecemos.

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    1. O problema é esse, por ser supostamente mais adulto é que deveria ser menos infantil e idealista que o filme de animação. Era completamente a favor de um novo twist Para a história original, não queria um remake, longe disso, mas o twist que aqui é apresentado é muito fraquinho e transforma esta história numa versão má, porque até destrói a própria vilã.

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    2. Entendo o ponto de vista. Acho que o fail deles aí foi quererem juntar ambas e não conseguiram encaixá-las da melhor forma.

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  3. Respeito a opinião do João, mas discordo totalmente. Achei o filme visualmente sedutor, a interpretação da Angelina Jolie eletrizante e o argumento inovador. Uma lufada de ar fresco no meio dos filmes de ação violentos, comédias românticas parvas e filmes de super-heróis que enchem os cinemas até à exaustão. E é um filme da Walt Disney, o que se podia esperar? O público alvo será sempre o juvenil.

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  4. Tenho que concordar com o João. A Maleficient sempre foi das minhas personagens favoritas da Disney e tinha grandes expectativas para o filme e talvez por isso me tenha desiludido. Gostava de ter visto mais malvadez e a única cena que achei sublime e que me causou arrepios foi a do baptizado. A partir daí foi sempre a piorar e o final então foi péssimo. E acho q infantilizaram demasiado a história e para mim a maior e melhor vila da Disney. Ah e o que fizeram com as três fadas foi imperdoável, retrataram nas como tontas e idiotas, não gostei.

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  5. Concordo plenamente, a personagem perdeu toda sua força com essa melação que fizeram, fiquei muito decepcionado quando transformaram ela em heroína.
    Eu amei o fato do beijo ser dela, e amei a personagem ser vivida por Angelina Jolie, mas tirando isso o resto ficou muito infantil. Eu só queria ver esse filme pra ver a Angelina Jolie virar um dragão.
    Pontos distoantes:
    - Maleficent ( Malévola ou Maléfica) é o nome de uma fada que foi dado pelos próprios pais?? Tipo assim - "Filha você se chamará Maléfica que tem o significado óbvio, apesar de você ser uma fada boa."
    - Ok o lance do beijo foi legal, mas e o Phelippe? ele não é o verdadeiro amor da Aurora?? Ok eu concordo mulheres no poder, sou super a favor do amor entre mulheres, amor de mãe e tal, mas essa distorção da história foi mto grande.
    - Um ponto muito importante e que foi esquecido completamente foi o presente da última fada, que não só na versão do desenho, como em todos os contos originais ( Irmãos Grimm, ou Charles Perrault ) é o que dá a chance de quebrar o feitiço à aurora.

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  6. Agora uma coisa que daria um ótimo filme seria se eles pegassem no conto original onde na verdade a princesa e o palácio inteiro dormiram por 100 anos e fizessem algo. Tipo eles viveram uma vida inteira ( 100 anos ) sonhando ou não, isso é interessante, e depois ter de acordar pra realidade, uma mente velha em um corpo que foi preservado pelo sono, pela magia enfim... Acho isso um solo mais fértil para se retirar um bom roteiro do que esse que eles fizeram.

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  7. Se fosse a Cinderela tudo bem fazer isso, pq lá vc ta dizendo pras criancinhas que se a mulher for limpadora de chão e comer o pão que o diabo amassou mas casar com um príncipe ela viverá feliz para sempre, mas aqui não, aqui a Aurora é uma princesa, abençoada com graça, beleza e amada por todos, não precisava de colocar o Phellipe (amor conjugal) como falso e ainda por contrariedade colocar eles juntos quando ela é coroada... WHAT???

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  8. Com o devido respeito pelas críticas do João, esta bem esmiuçada e muito semelhante às críticas estrangeiras que li no “Rotten Tomatoes”, eu, ao contrário, gostei do filme, precisamente pelo “twist” à estória original. Estava em branco quando o vi, ou seja, viu-o sem ter lido sequer a sinopse. Daí, talvez, eu ter gostado, porque não estava à espera de nada. Não posso dizer que fiquei fascinada, mas gostei sinceramente da lufada de ar fresco, como diz o Anónimo. Também ando farta de “bad and much of the same” filmes. Se a Disney tivesse seguido a mesma linha original, seria apenas mais um “remake”, portanto nada de novo haveria. A mensagem deste “twist” é simples e clara: ninguém nasce mau e o amor verdadeiro existe, sim, e consegue curar maleitas e ruindades, ponto final parágrafo. Quanto às falhas técnicas? Como reparar nelas, quando o seu número é inferior às de grande relevo?

    Acredito que a Disney sabia bem o que estava a fazer e fê-lo bem. Só quis “shake things up a bit”. Por isso, não percebo a razão de tanto alarido negativo, quer português quer estrangeiro, à volta deste filme, sinceramente! Sorry! ;)

    Lúcia

    P.S.: Espero que este meu comentário passe, já que um último que enviei, há coisa de dias, não chegou a ver a luz desta página, a não ser que tenha havido erro de envio.

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