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segunda-feira, agosto 05, 2019

Crítica - Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw (2019)

Realizado por David Leitch
Com Dwayne "The Rock" Johnson, Jason Statham, Idris Elba, Ryan Reynolds


Oito mega produções depois, a saga “Velocidade Furiosa” ganhou uma spin-off. Para ser totalmente correto, “Velocidade Furiosa: Ligação Tóquio”/ ”Fast & Furious: Tokyo Drift” começou por ser uma spin-off, mas com o evoluir da saga tornou-se num capítulo integrante da narrativa central do franchise. Parece óbvio que “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw” também apresenta pormenores narrativos que prometem relacionar diretamente a sua história com a do próximo “Velocidade Furiosa”, não só pela participação dos dois protagonistas, mas sobretudo por causa da apresentação de um novo vilão tecnológico. Este novo e misterioso vilão sucederá aparentemente à hacker Cypher (Charlize Theron), que no filme anterior seguiu a moda dos ciber vilões muito em voga em Hollywood, vilões esses que aparentemente substituíram os tradicionais gangsters de rua no paradigma maléfico da saga.
Mas para além do pomposo título e da participação de The Rock e Statham, “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw” pouco tem a ver com o frachise do qual deriva. A saga começou por ter foco nas corridas ilegais e nos crimes de rua, passando posteriormente para crimes de maior dimensão a bancos, mas ultimamente o foco tem sido torná-la numa saga policial ou de espionagem mais ao género de “Missão Impossível”. É neste espírito que se enquadra esta spin-off que continua assim o caminho trilhado por “The Fate of the Furious” e que continuará nos capítulos seguintes.  O problema é que mais aqui do que no capítulo anterior este desfoque é evidente e a nova identidade é mais presente do que nunca. Tanto é que são poucas as sequências que privilegiam o que outrora fez da saga um sucesso mundial: as explosivas sequências de ação/corrida com super carros.  É certo que há muitas sequências explosivas cheias de ação, mas os carros foram substituídos por tiroteios magnânimos e lutas corpo a corpo que, pese embora habilmente coordenadas, não correspondem ao que se esperava. No filme anterior já se tinha verificado esta alteração, mas esta spin-off é efetivamente radical já que só existe uma sequência que parece corresponder às origens e à génese da saga.




O irrealismo e a ficção exacerbada também parecem estar a tomar conta do percurso narrativo do franchise. É certo que todos os filmes anteriores denotavam uma forte dose de irrealismo, mas “The Fate of The Furious” e, agora, esta spin-off entraram por caminhos de excesso nunca antes navegados que prejudicam um já de si frágil argumento. A juntar a sequências de eventos improváveis e plotlines com claras falhas de lógica, “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw” promove ainda sequências de ação que gozam claramente com a inteligência do espectador e que promovem impossibilidades físicas tremendas. E tudo isto a favor do entretenimento fácil que, de certa forma, sempre comandou as entrega anteriores, mas que nesta spin-off consegue ser bem mais evidente.
Mas há coisas positivas pelo meio, nomeadamente a química entre The Rock e Statham. Tentando imitar a estratégias dos filmes Buddy Cops do Século Passado, “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw” cria uma boa dinâmica entre dois rivais que acabam por se tornar aliados e cujos dois intérpretes, embora tenham as suas carências na área da representação, nasceram claramente para assumir os respetivos papéis. Quem se destaca pela positiva é Vanessa Kirby, a grande força feminina desta spin-off e que realmente se pode considerar um exemplo de poder feminino, já que ajuda a transformar a sua personagem num peso pesado da história. Um pouco à semelhança ao que Theron tinha feito no capitulo anterior ou Michelle Rodriguez desde o início do francise. Kirby e a sua Hattie acabam por superar largamente a mensagem deixada por Eliza Gonzáles e a sua Madame M que, claramente, objetificam o sexo feminino, seguindo os maus exemplos passados do franchise. Já Idris Elba aparece deslocado num papel e numa produção que são claramente inferiores ao seu grande talento, mas pelo menos a sua presença dignificou um pouco o filme e ajudou também a criar um certo suspense relativamente ao seu chefe, o tal ciber vilão que, nesta obra, se ficou pelas sombras.
Não se esperava nem mais nem menos de “Velocidade Furiosa: Hobbs & Shaw”, mas esperava-se, pelo menos, um pouco mais de identidade. E isto acaba por tornar esta spin-off num produto desnecessário e puramente comercial que nada acrescenta à saga principal, excluindo lá está a apresentação do novo vilão. Mas isto parece muito pouco para o que poderia representar para um franchise que, a partir de agora, deverá começar a sua curva descendente nas bilheteiras.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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