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quinta-feira, setembro 19, 2019

Crítica - Ad Astra (2019)


Realizado por James Gray
Com Brad Pitt, Liv Tyler, Tommy Lee Jones

Pode não transparecer no resultado final, mas “Ad Astra” enfrentou vários problemas de pós-produção. E certo é que estes problemas acabaram por, em última análise, beneficiar aquele que viria a ser o produto final. E isto porque um desses problemas foi provocado pelo próprio realizador James Gray que, após ver um corte do filme, decidiu que tinha que adiar a sua estreia (já marcada na altura) para aperfeiçoar boa parte dos efeitos especiais.
Importa recordar que em 2016, quando anunciou que se iria dedicar a este projeto, Gray revelou que queria criar um filme espacial altamente realista que conseguisse transportar o espectador para o espaço. Pode-se presumir pela sua atitude radical que, esse primeiro corte, não conseguiria transpor essa visão no campo visual/realista, pelo que há que lhe dar crédito por ir contra os intuitos comerciais de Hollywood (o filme acabou por ficar mais caro e implicou cortes nas expectativas de lucros) e conseguiu levar assim a sua avante.
Esta jogada arriscada de Gray compensou porque, efetivamente, “Ad Astra” apresenta uma componente visual muito apelativa e bem acima da média. É injusto compará-lo com filmes espaciais também visualmente poderosos, como “Interstellar” por exemplo, mas é certo que esta obra de Gray não fica muito atrás dessa obra de Nolan, mas só no que toca ao campo estético claro está.
Há sequências incríveis neste produto e, quando se vê em IMAX, a imponência de tais sequências é ainda mais reforçada pelas cores e nitidez que os Ecrãs IMAX proporcionam. A sequência final é simplesmente magistral do ponto de vista fotográfico e tecnológico. Já num plano mais de tensão/ação temos a sequência inicial que supera, por exemplo, qualquer sequência de desastre presente em “Gravity”, outro filme espacial com uma bela componente técnica.
Estes são os dois exemplos técnicos mais impressionantes, mas pelo meio encontramos muitos outros pormenores visualmente deliciosos. Já perto do final existe, por exemplo, uma sequência mais metodológica (onde a insanidade e solidão espacial são explorados com destreza) que é também abrilhantada por uma componente técnica muito intensa e interessante. Também se pode dizer o mesmo, por exemplo, da sequência de ação que se passa na Lua! Em tudo, “Ad Astra” assume-se como um triunfo visual, muito em parte graças à já mencionada experiência de Gray, mas também à fotografia de Hoyte Van Hoytema e ao já conhecido talento da Equipa VFX, responsável pelos efeitos especiais.





Embora seja visualmente espetacular, contando também com um forte apoio musical de uma banda sonora melífera de Max Richter, “Ad Astra” tem certas falhas. E estas encontram-se maioritariamente ao nível do enredo. O filme deambula sempre entre os conceitos de drama espacial, drama familiar, ação espacial, thriller sci-fi e até, em certo momento, filme catástrofe. Esta crise de identidade acaba mesmo por prejudicá-lo, já que acaba por nunca assumir diretamente aquilo que realmente aspirou a ser, ou seja, um solitário road movie espacial com uma forte nuance dramática/ familiar, onde existe uma tentativa de desconstruir psicologicamente relações familiares, personalidades e mentalidades emocionalmente inertes.
Estas ideias vão surgindo, nomeadamente na última meia hora, mas certo é que “Ad Astra” perde muito foco com pontos que, embora agitem a narrativa, pouco acrescentam e só ajudam a promover erros desnecessários. A já elogiada sequência de ação lunar, por exemplo, embora tenha um bom nível visual acaba por ser completamente inconsequente. E a esta pode-se juntar também uma sequência, já perto do final, onde a personagem de Brad Pitt dá azo a um plano tão arriscado (e fisicamente impossível) que nos faz lembrar as sequências mais risíveis de “Gravity”.
É porque entre impossibilidades físicas, sequências sem sentido que só desvirtuam o foco e, claro está, lacunas graves na hora de explorar o filão central do argumento, “Ad Astra” não deixa de desiludir. É certo que tecnicamente é magistral, mas se o argumento correspondesse a esse nível técnico, então estaríamos perante um claro candidato aos Óscares. Já para não falar que poderíamos estar a falar de uma obra que poderia estar a ter o mesmo hype que “Interstellar” teve na sua época.
Também no quadro de pontos positivos do filme está Brad Pitt. Que belo regresso ao Topo de Hollywood que Pitt está a ter. Após brilhar em “Once Upon a Time in Hollywood”, Pitt tem aqui mais uma grande performance que parece confirmar que 2019 marcou, definitivamente, o seu regresso a elite. Será que poderá chegar aos Óscares com esta performance? Fica a dúvida, mas a chegar aos Óscares parece que Pitt o fará com a obra de Tarantino. Donald Sutherland, Tommy Lee Jones e Ruth Negga são os nomes mais sonantes do elenco secundário, mas nenhum deles mostra a força de Pitt. O mesmo se diz de Liv Tyler, mas esta porque quase não aparece no ecrã, algo que diz muito do desnorte do enredo atendo à identidade da sua personagem.

Classificação - 3 Esrelas em 5

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