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Crítica - Lost Girls: An Unsolved American Mystery (2020)

Crítica - Lost Girls: An Unsolved American Mystery (2020)
Crítica - Lost Girls: An Unsolved American Mystery (2020)
Realizado por Liz Garbus
Com Amy Ryan, Thomasin McKenzie

Na base de "Lost Girls: An Unsolved American Mystery", a mais recente produção original da Netflix, está uma história criminal muito conhecida na Costa Este dos Estados Unidos da América, mas pouco divulgada no resto do mundo. Trata-se de um macabro caso de polícia que ainda permanece em aberto e sobre o qual quase não há pistas. O mais curioso é que este caso real está ligado a outro maior e ainda mais macabro, igualmente em aberto, que tem assombrado as autoridades norte-americanas. O primeiro é o caso de Shannan Gilbert, uma call girl que desapareceu subitamente após um "serviço" numa comunidade privada em Long Island. O seu desaparecimento foi alertado pela sua família às autoridades e, graças às buscas por Shannan, a polícia descobriu, na zona onde ela desapareceu, os restos mortais de várias mulheres, todas elas com ligações à indústria do sexo. O corpo de Shannan, no entanto, só foi descoberto quase um ano mais tarde e, após algumas teorias em contrário, presume-se hoje em dia que Shannan foi a última vítima (até ao momento) do misterioso serial killer de Long Island, cujo número total de homicídios supera a uma dezena. Até hoje as autoridades não têm a certeza se Shannan foi vítima desse serial killer ou se foi morta por outra pessoa, mas certo é que o seu desaparecimento deu a conhecer o macabro trabalho de um perigoso predador que ainda está à solta. E a probabilidade diz mesmo que Shanna foi vítima da mesma pessoa que matou todas as mulheres, cujos restos mortais foram descoberto nas praias de Long Island. 

Crítica - Lost Girls: An Unsolved American Mystery (2020)


A trama de "Lost Girls: An Unsolved American Mystery" retrata esse caso sob o ponto de vista da família de Shannan, mais concretamente sob o olhar da sua mãe, Mari Shannan, que, perante a incompetência e clara inatividade da polícia de Long island, luta contra tudo e contra todos para encontrar o corpo da sua filha e descobrir quem a matou. Por arrasto, "Lost Girls: An Unsolved American Mystery" dá a conhecer os contornos criminais do caso do Long Island Serial Killer, mas é em Shannan e na sua história que o filme se foca e é este caso que parece dar as melhores pistas para encontrar o responsável pelas mortes. Embora seja discutível a culpabilidade dos suspeitos e dos principais intervenientes, certo é que esta obra ajuda a demostrar o que já vários documentários sobre o caso concluíram, ou seja, que o assassínio muito provavelmente nunca será apanhado e que, para tal, muito contribuiu a gigante negligencia policia que rodeou o caso de Shannan, mas também o tratamento que as autoridades deram ao desaparecimento das outras mulheres, perdendo-se assim com o tempo muitas pistas importantes. 
Não é de estranhar, pelo que vemos no filme, que se encontre por essa internet fora muitas matérias jornalísticas que criticam a ação policial e a forma como tiveram em consideração os desaparecimento das vítimas, vistas provavelmente com vítimas de risco descartáveis. É no fundo este lado mais humano que o filme tenta transmitir, ao passar a dor e os sentimentos de famílias devastadas por esta tragédia e a quem ninguém acudiu em tempo útil. Há até um monologo de Mari, a mãe de Shannan, nesta obra maravilhosamente interpretada por Amy Ryan, que nos indica isso mesmo e que demonstra a força do seu sentimento e revolta, já que ela considera que "ninguém se preocupa com ela, tanto é que só sabem chamar às vítimas prostitutas e não aquilo que são, ou seja, filhas, mães ou irmãs de alguém".
Como já referido, Amy Ryan é a grande estrela do elenco desta produção, tendo uma grande performance, mas há também que destacar, num plano mais secundário, Thomasin McKenzie que, após brilhar em "Jojo Rabbit", tem aqui uma performance segura, mas claramente inferior à do seu grande sucesso até à data. Tal como a performance de Ryan, a direção de Liz Garbus (Já nomeada a Um Óscar de Melhor Documentário) também é impressionante, sendo de destacar que esta cineasta, pouco conhecida do grande público mas com grande carreira, mostrou novamente talento ao ostentar um bom trabalho de câmara. A fotografia também é de qualidade e, embora seja sombria, isto acabou por resultar e por ajudar ao tom que se procurava conferir a este projeto que dá-nos umas luzes interessantes sobre um caso complexo, macabro e repleto de mistério. O caso ainda está em aberto, mas dificilmente será resolvido sem uma confissão e "Lost Girls: An Unsolved American Mystery" ajuda-nos a perceber porque é que isso aconteceu. No entanto esta é uma obra mais próxima ao lado dramático da questão, do que propriamente à sua vertente criminal ou documental, por isso, engane-se caso pense que encontrará aqui um vibrante thriller policial repleto de investigação. Não é um thriller policial, mas sim um drama familiar que explora um caso de polícia!


Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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