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Crítica - El Silencio de la Ciudad Blanca (2020)

Crítica - El Silencio de la Ciudad Blanca (2020)
Crítica - El Silencio de la Ciudad Blanca (2020)

Realizado por Daniel Calparsoro
Com Belén Rueda, Javier Rey, Aura Garrido

Será “El Silencio de la Ciudad Blanca” a resposta de Espanha ao icónico “Se7en”? Se o é, então é uma resposta bastante mediana que fica muito aquém do esperado. E porque, desde logo, a comparação com o icónico thriller psicológico de David Fincher? É óbvio que é uma comparação injusta  sem qualquer correlação de qualidade, mas à vista desarmada podem até ser encontradas parecenças entre o clássico de David Fincher e esta obra baseada no homónimo best-seller de Eva Garcia Sáenz. Na base destes dois thriller psicológicos estão crimes motivados por rituais com algum tipo de ligação à religião que são perpetrados por dois serial-killer psicóticos com ideias retorcidas de vingança. Mas as semelhanças param por aqui e qualquer outra comparação entre o brilhante “Se7en” e o mediano “El silencio de la Ciudad Blanca” poderá ser considerado uma afronta para o requinte e qualidade do primeiro!
Os filmes que exploram crimes perpetrados por serial killers com motivações macabras têm, por vezes, o dom gratificante de nos fazerem mergulhar numa investigação alucinante repleta de curvas e contracurvas que nos fazem vestir a pele dos detetives incumbidos de encontrar pistas para a identidade do criminoso ou decifrar os objetivos que se escondem por detrás das suas ações. E se há algo que “Sev7en” consegue promover junto do público é precisamente este valoroso sentimento de suspense e investigação policial! No início, “El Silencio de la Ciudad Blanca” parece ter também esse potencial, mas rapidamente se percebe que, embora a intenção esteja lá, a concretização fica muito aquém da expectativa.
Há que dizer que, quer pela premissa, quer pela sua introdução intrigante, “El Silencio de la Ciudad Blanca” parece ter todas as intenções de providenciar ao espectador uma história repleta de suspense com potencial para prendê-lo a uma intriga criminal repleta de suspense. Mas esta intenção positiva acaba por esbarrar na incompreensível desorganização de um argumento que vai perdendo objetividade e capacidade de atração à medida que a trama vai evoluindo. São várias as falhas que lhe podem ser apontadas e a desorganização de ideias é, provavelmente, a principal, mas também há vários pormenores que não fazem sentido. Um desses detalhes é, por exemplo, o facto da identidade do serial-killer ser desvendada  demasiado rápido e sem o devido apoio narrativo para tal, impedindo assim uma maior aposta na dúvida e no mistério. Mas uma das maiores falhas que se pode apontar-lhe é mesmo a forma atabalhoada e confusa como explora a sequência de homicídios, as suas motivações e, acima de tudo, a investigação policial. Esta denota uma completa falha de objetividade e de real trabalho policial, sendo que todos os eventos vão-se sucedendo mais por sorte do que por óbvio talento dos envolvidos. Graças a inconcebíveis desvios emocionais, como a incompreensível relação entre o protagonista e a sua superior ou a inexplicável relação da sua parceira com as drogas, “El Silencio de la Ciudad Blanca” perde-se em pormenores insignificantes e deixa de lado um maior foco no que realmente importa, ou seja, a substância criminal e o suspense relativo aos homicídios e ao desenrolar da investigação criminal!
Por tudo isto, “El Silencio de la Ciudad Blanca” perde a nossa atenção ultrapassada a meia hora de filme, e tudo o que acontece depois dessa marca acaba por se afundar num espírito de mediocridade. Embora a conclusão responda a questões e ajude a compreender as motivações do vilão, certo é que toda a explicação fornecida é tão confusa e tão descabida como o próprio desenrolar da trama. E assim se percebe que acaba por não haver grande sentido por detrás dos homicídios (aos quais nunca é dada a devida atenção, sendo tratados apenas como elementos secundários) e que tudo não passou de uma retorcida história de vingança. E isto leva-nos a um final anticlimático e vazio de emoção que, curiosamente, acaba por se revelar um final justo para um filme mediano que verdadeiramente nunca conseguiu cumprir o que prometeu.

Classificação - 2 Estrelas em 5

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