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Crítica - Red Joan (2018)

Crítica - Red Joan (2018)
Crítica - Red Joan (2018)
Realizado por Trevor Nunn
Com Judi Dench, Sophie Cookson, Stephen Campbell Moore

A bizarra história da “Granny Spy” conquistou elevada atenção mediática no Reino Unido nos Anos 80, mas com o passar dos anos caiu no esquecimento do grande público, até que “Red Joan” surgiu nos cinemas e deu-lhe uma nova vida. E assim novas gerações foram apresentadas à história real de Melita Norwood que, no Pós-Segunda Guerra Mundial, decidiu fornecer informações secretas à União Soviética sobre os estudos nucleares que o Reino Unido estava a desenvolver em parceria com os Estados Unidos da América e que conduziram à criação da Bomba Atómica. O mais interessante desta história é que Melita não era uma comunista assumida nem vendeu à União Soviética tais informações, tendo-o feito por questões puramente ideológicas, já que acreditava que tinha a obrigação de dar tais informações à União Soviética para equilibrar o balanço de forças entre Este e Oeste. Ao contrário de outros espiões britânicos que também forneceram informações à União Soviética, Norwood  só foi apanhada muito depois da concretização dos seus atos e, quando foi apanhada nem foi julgada, porque os Tribunais Britânicos consideraram que a sua idade avançada já não justificava avançar com um julgamento por traição. 
Ao contrário das ações de outros espiões, as ações de Norwood foram desculpadas pela opinião pública, já que o seu raciocínio por detrás das suas ações acabou por lhe dar razão. Embora tenha dado ajudado a alimentar a Guerra Fria, a presença de Armas Nucleares em igual número no Este e no Oeste acabou por anular a agressividade e ambições políticas de ambos os lados, impedindo assim um escalar do conflito ou massacre de um dos lados. Tal como Norwood previu, as Armas Nucleares acabaram por servir como dissuasor mútuo, por isso as suas ações contribuíram para que tenha existido um equilíbrio de forças e que nenhum lado tenha abusado e levado a cabo atos impensáveis. 
Como se pode ver, a história real de Melita Norwood é bastante interessante. É óbvio que tinha sumo dramático e moral mais que suficiente para gerar um bom filme, mas infelizmente “Red Joan” não soube aproveitar esta grande história e acaba por se revelar um drama fraco sem grande brilho. É inegável que se esperava mais e melhor, mas ao prender-se demasiado aos dramas pessoais da protagonista e à suas grandes incertezas amorosas e emocionais, “Red Joan” perdeu de vista o factor histórico de qualidade e degenerou num drama comum sem qualquer rasgo de criatividade. Nem mesmo as sequências onde a protagonista, já idosa, é interrogada conseguem oferecer algo de inesperado. Poderia ter sido feita tanta coisa de diferente nestas sequências, mas as mesmas são completamente menosprezadas. E no fundo, nestas sequências em particular, o próprio filme menospreza uma das suas maiores mais valias, a experiente atriz Judi Dench, que poderia ter brilhado tanto se lhe tivessem dado material para tal…

Classificação - 2 Estrelas em 5

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