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Histórias do Cinema - Free Willy, o Filme Paradoxal Que Acabou Por Matar Uma Orca Para Salvar Muitas Mais

Histórias do Cinema - Free Willy, o Filme Paradoxal Que Acabou Por Matar Uma Orca Para Salvar Muitas Mais
Histórias do Cinema - Free Willy, o Filme Paradoxal Que Acabou Por Matar Uma Orca Para Salvar Muitas Mais

Quem não se lembra de "Free Willy"? Em 1993, "Free Willy" encantou o mundo com a história de um jovem rapaz que, contra tudo e contra todos, conseguiu devolver ao Oceanouma orca que era a principal atracão de um parque aquático. O filme foi um enorme sucesso em todo o mundo, tendo faturado mais de cento e cinquenta milhões de dólares nas bilheteiras, algo que permitiu construir uma saga com mais três filmes, dois dos quais também sucessos comerciais. 
Embora tenha sido um sucesso, certo é que "Free Willy" não gerou nenhuma estrela, já que nenhum dos atores do seu elenco tem, hoje em dia, uma grande carreira no cinema. Jason James Richter, por exemplo, que interpretou o rapaz com a ambição de salvar a orca Willy, acabou por ter uma carreira discreta em Hollywood e, embora ainda se mantenha no ativo, "Free Willy" continua a ser de longe o seu maior filme até à data. Richter até teve alguns problemas com a Lei recentemente, algo que não ajudou nada à sua carreira.  Quem acabou por ter uma carreira com mais alguns altos após "Free Willy" foi mesmo o seu realizador Simon Wincer, agora já retirado e com setenta e sete anos de idade. Após "Free Willy", Wincer não realizou muitos mais filmes, mas destacou-se novamente com mais duas obras marcantes. O primeiro foi o ainda famoso "Crocodile Dundee in Los Angeles", que se tornou no seu segundo maior sucesso comercial, após claro está "Free Willy". Já o seu segundo destaque foi o drama "The Young Black Stallion" (2003), um filme baseado no clássico romance "Black Stallion" que, apesar de ter fracassado nas bilheteiras, acabou por entrar para a história, já que foi o primeiro filme que a Disney produziu a pensar nas exibições nos Cinemas IMAX e que, curiosamente, quase levou o estúdio a desistir do IMAX, mas isso será outra história.... 7


Histórias do Cinema - Free Willy, o Filme Paradoxal Que Acabou Por Matar Uma Orca Para Salvar Muitas Mais



Uma Lenda de Toneladas


Quando se diz que "Free Willy" não gerou nenhuma estrela é claro que falamos de uma estrela Humana, já que o filme gerou sim uma estrela bem grande (literalmente) de seu nome Keiko. E quem é Keiko? Pois bem, Keiko era o Willy e, há quem diga e bem, a verdadeira estrela principal do filme! Mas embora tenha sido o "motor dramático" do filme, certo é que Keiko era, provavelmente, o lado mais fraco e triste do mesmo. Isto porque Keiko não ganhou a sua liberdade imediata com o seu sucesso, já que por ironia do destino, Keiko era, tal como Willy, uma orca que vivia em cativeiro e que era a principal atração de um parque aquático, mais concretamente no Parque Reino Aventura, na Cidade do México, que o "emprestou" à Warner Bros para filmar a sua grande produção. Quando as filmagens acabaram, Keiko regressou aos seus espetáculos no México, mas não por muito mais tempo. O sucesso de "Free Willy" acabou por levar ao sucesso de Keiko que, mesmo numa altura sem redes sociais e com a internet ainda a crescer, tornou-se numa celebridade mundial. E por isso, numa altura sem petições online, os fãs de "Free Willy" em todo o mundo juntaram-se e criaram o movimento "Free Keiko" que teve como objetivo pedir à Warner Bros para comprar Keiko e dar-lhe a sua liberdade. 
Como seria de esperar, o movimento "Free Keiko" foi um sucesso tão grande como "Free Willy" e conseguiu assim angariar uma verba substancial que permitiu convencer a Warner Bros. a lutar pela liberdade de Keiko e a investir num programa revolucionário para introduzir a amada orca no seu habitat natural. Keiko foi rapidamente transferido do México para o Oregon Coast Aquarium. Este transporte aliás ficou célebre em todo o mundo, tendo imagens do mesmo tido honras de aberturas de telejornais que mostraram Keiko a ser transportado num avião de carga UPS C-130. No Oregon, já sem atuações e num ambiente reservado e calmo, Keiko ganhou forças e começou a ser preparada a sua reintregação na natureza, mas havia um grande problema. Nunca nenhuma orca em cativeiro tinha sido devolvida, com sucesso, ao seu habitat natural. Kekiko poderia, assim, ser mais uma vez um pioneiro
Com o apoio de muitos peritos em vida animal, Keiko foi sendo treinado a recusar a ajuda dos Humanos e, em 1998, foi transferido para a uma instalação na Islândia. Por esta altura, a fama de "Free Willy" já fazia parte do passado de Hollywood e , embora tenham sido produzidas sequelas, estas nunca atingiram o sucesso do primeiro filme. Mas o mundo não esqueceu Willy, mas claro que a atenção mediática já não era a mesma e, claro está, os fundos angariados pelos fãs também não. Se a libertação de Keiko do México tinha tido muita ajuda financeira por parte dos fãs, o que se seguiu apenas foi possível graças a apoios multimilionários de privados. E de 1994 até à sua libertação final em 2002 estima-se que todo o processo de reintrodução de Keiko ao seu habitat natural tenha custado mais de quinze milhões de dólares, sendo esta uma estimativa algo moderada. 
Embora tenha chegado à Islândia em 1998, Keiko só foi libertado de forma oficial em 2002. Ao longo de quatro anos, o Instituto de Recursos Naturais da Groenlândia, em parceria com dezenas de peritos, tentou ensinar Keiko a sobreviver sozinho e a reintroduzir-lhe hábitos selvagens que perdeu no cativeiro. O problema é que Keiko nunca se libertou da sua dependência dos Humanos e nunca parou de se comportar como um animal em cativeiro. Ainda assim, em 2002, Keiko foi finalmente libertado nas águas geladas do Norte.


A Liberdade e o Desastre...


As primeiras semanas foram encorajadoras, já que Keiko não regressou à Islândia nem procurou contacto imediato com Humanos, aliás até se chegou a presumir que Keiko tinha encontrado uma família junto de outras orcas, mas tal esperança esfumou-se quando deu sinais de vida na Noruega, onde apareceu sozinho e junto a locais habitados, onde foi relatado que interagia regularmente com Humanos a pedir-lhes comida e atenção. Escusado será dizer que este não é um comportamento habitual para uma orca que é uma espécie de baleia bastante reclusa e violenta. Keiko viajou assim mais de mil quilómetros para reencontrar Humanos e recuperar o conforto do cativeiro e do alimento fácil!
Uma vez em águas escandinavas, Keiko recusou-se a integrar-se grupos de orcas e a abandonar a costa e o contacto com Humanos. E permaneceu na Noruega durante mais de um ano, tendo interagido quase todos os dias com barcos e até com mergulhadores desportivos, sempre em busca dos afectos e mordomias que recebia em cativeiro. E devido à raridade de verem uma orca tão dócil e sociável, muitos Humanos interagiram com Keiko e até lhe davam algumas guloseimas, algo que só piorou a sua situação. Por estar tão dependente dos Humanos, Keiko parou de caçar e parou de se alimentar sozinha até que, em 2013, acabou por morrer vítima de uma combinação de subnutrição e pneumonia. E assim Keiko morreu em liberdade mas a sonhar com o cativeiro, especulando-se ainda hoje que poderia ter vivido muito mais anos de qualidade em cativeiro do que em liberdade, tal era a sua dependência dos Humanos. 

Histórias do Cinema - Free Willy, o Filme Paradoxal Que Acabou Por Matar Uma Orca Para Salvar Muitas Mais


Keiko foi um pioneiro porque, para além de ter sido a primeira orca a protagonizar um blockbuster, a experiência que protagonizou acabou também por ajudar os biólogos e peritos de vida animal a compreenderem melhor o comportamento das orcas e a otimizar programas de devolução de baleias à vida selvagem. Hoje em dia, orcas que estejam há demasiado tempo em cativeiro não são devolvidas ao seu habitat natural, porque se considera que embora a intenção seja louvável, os animais não se conseguirão adaptar e quase de certeza morrerão, tal como Keiko. Há agora melhores padrões que definem as prioridades de programas de reintrodução de animais como Keiko ao seu habitat natural, por isso pode-se dizer que embora Keiko tenha morrido, "Free Willy" acabou por salvar muitas orcas que poderiam ter seguido o mesmo caminho de Keiko. O filme também contribuiu para o grande público se apaixonar pelas orcas e, se no final dos anos noventa ainda era possível encontrar muitas orcas em cativeiro em parques aquáticos, certo é que no novo milénio são cada vez menos as instituições que têm estes animais nos seus programas de entretenimento, já que o seu uso comercial tem vindo a ser cada vez menos tolerado pela sociedade. "Free Willy" salvou assim muitas orcas, mas matou talvez aquela que os fãs mais gostavam, o sociável Keiko. 

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