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Crítica - Sérgio (2020)

Crítica - Sérgio (2020)
Crítica - Sérgio (2020)

Realizado por Greg Barker
Com Wagner Moura, Ana de Armas, Brían F. O'Byrn

Sabe quem foi Sérgio de Mello? É provável que antes de ver "Sérgio" não saiba quem foi este diplomata brasileiro. Por muitos feitos que Sérgio de Mello tenha conquistado ao longo da sua carreira diplomática, incluindo um muito importante em Timor-Leste, um território que como se sabe é próximo a Portugal, certo é que não é propriamente uma figura mundialmente reconhecida. Sim, no Brasil, Sérgio de Mello é um nome reconhecido junto dos círculos políticos, mas no resto do mundo não o é, pelo menos não diretamente pelos seus feitos diplomáticos que concretizou em vida, mas sim pela forma trágica como morreu. 
É porque começo por falar da fama e da morte de Sérgio de Mello? É porque é graças a estes dois pontos, que à partida parecem inocentes, que "Sérgio", a sua cinebiografia baseada no livro "The Man Who Tried to Save the World", acaba por se revelar um desastre, já que lhes confere um tratamento verdadeiramente deplorável que ajudam a arruinar a boa intenção do filme que era, acima de tudo, honrar a vida e carreira deste diplomata. E comecemos pelo aspeto da fama. Embora tenha sido um político/ diplomata de valor, Sérgio de Mello sempre foi uma figura pouco mediática da ONU, ou seja, um homem competente mas que trabalhava nas sombras de outros homens, esses sim bem mais mediáticos, como por exemplo o ex-Secretário Geral da ONU Kofi Annan. Sim, Sérgio de Mello era uma figura importante, mas não tinha, nem de longe, nem de perto, o estatuto de celebridade que nos é apresentado, até porque esse não era de todo o seu estilo, já que, segundo todos os relatos mediáticos, ele era um homem bastante reservado e humilde. Mas quem vê "Sérgio" não fica de todo com essa ideia. Este passa uma imagem de um Sérgio de Mello quase a roçar a arrogância e que parece até ser mais famoso que o próprio Koffi Annan, sendo reconhecido por tudo e por todos em qualquer parte do planeta, seja por políticos, seja por soldados ou cidadãos comuns. Este engrandecimento da imagem pública da figura de Sérgio de Mello fica mal a este projeto, não só por não corresponder de todo a um retrato real, mas sobretudo por projetar uma ideia completamente errada e por passar uma imagem completamente desfocada. O outro problema é a forma como é explorada a sua morte. Se Sérgio de Mello era uma figura assim tão conhecida do publico geral (pelo menos é esta a ideia que o filme tenta passar), então o público conhece a sua história e sabe que Sérgio de Mello morreu em 2003 vítima de um atentado terrorista. Então porque é que "Sérgio" joga tanto com o suspense em relação à sobrevivência do protagonista após este sofrer o atentado e que fazem com que o filme se arraste por mais tempo do que aquele que era necessário? Estas são apenas duas das muitas incoerência inexplicáveis que fazem parte deste projeto. Estas podem ser duas das mais objetivas, mas são apenas dois exemplos num mar de incoerências presentes num argumento inexplicavelmente pomposo e superficial. 
Sim, Sérgio de Mello foi um grande diplomata que ajudou milhões de pessoas e foi, sem dúvida, um grande homem. E, por isso, merecia uma cinebiografia bem melhor que "Sérgio", uma produção que até denigre a sua imagem e que não faz justiça à sua grande vida e aos seus grandes feitos, até porque prefere focar-se na sua vida romântica ou no melodrama da sua morte em detrimento das suas façanhas diplomáticas. 

Classificação - 1,5 Estrelas em 5

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