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MOTELX 2020 - Entrevista Com Pedro Martins e Inês Marques, Realizadores da Curta Porque Odeias o teu Irmão?

MOTELX 2020 - Entrevista Com Pedro Martins e Inês Marques, Realizadores da Curta Porque Odeias o teu Irmão?
MOTELX 2020 - Entrevista Com Pedro Martins e Inês Marques, Realizadores da Curta Porque Odeias o teu Irmão?

O Portal Cinema volta a aliar-se ao MOTELx (pelo terceiro ano consecutivo) para dar voz aos criadores que competem a um dos prémios mais icónicos do festival: Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa. É de recordar que o vencedor desta categoria será o representante de Portugal ao Prémio internacional Mélliès D´Árgent. É importante realçar que esta competição é um dos pontos altos da programação do MOTELx e a concretização de um dos maiores objectivos do festival: a promoção, incentivo e exibição de filmes de terror produzidos em Portugal.   É por isso um prazer para o Portal Cinema repetir esta parceria, ainda para mais num ano tão peculiar como este!


MOTELX 2020 - Entrevista Com Pedro Martins e Inês Marques, Realizadores da Curta Porque Odeias o teu Irmão?
Inês Marques e Pedro Martins


Falamos com Pedro Martins e Inês Marques, os dois criadores de “Porque Odeias o teu Irmão?”. No passado já nos cruzamos com ambos, nomeadamente no ano passado já que ambos estiveram envolvidos na curta “Häuschen” que brilhou no MOTELx. Pedro Martins, aliás, já tem um forte histórico nesta competição do MOTELx, por isso foi muito interessante falar com ele ecom Inês Marques sobre “Porque Odeias o teu Irmão?” e as suas expetativas para esta edição do certame.


Realizado por Pedro Martins e Inês Marques

Argumento de Pedro Martins e Andreia Albernaz

Com Carla Chambel, Welket Bungué, Carmen Santos   

Sinopse: Clara e Vítor são dois irmãos com uma relação conturbada, marcada pelo desacordo sobre o rumo a tomar em relação à relíquia da família. A relação será ainda mais abalada pelo súbito aparecimento de um visitante inesperado chamado Luís.

Sessões - 11 de Setembro (Sexta-feira) às 21h15 no Cinema São Jorge/ 13 de Setembro (Domingo) às 13h40 no Cinema São Jorge


Portal Cinema (PC) – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vêm apresentar ao MOTELX 2020, gostaria que falassem um pouco sobre o vosso percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a vossa formação? E o que fizeram antes de começarem a trabalhar neste projeto?

Pedro Martins: Sou investigador pós-doutorado na área da biologia mas desde cedo que alimento o meu mundo ficcional, seja pela escrita de contos de sci-fi e horror, ou mais recentemente (desde 2012) com a escrita de argumentos para cinema. Lancei-me como realizador com “A linha” e “Red Queen” e enveredei pelos géneros cinematográficos que sempre me seduziram mais: o thriller, o horror psicológico e conceptual. Em 2016 escrevi e co-realizei a micro-curta “A fêmea”, que venceu essa mesma categoria no festival MOTELX. Um ano depois escrevi “Vegan girl”, também vencedora do prémio de melhor micro-curta, criei e realizei “Calipso” em 2018 e “Häuschen, a Herança” em 2019, ambos com presença na secção de competição de curtas portuguesas do MOTELX. O “Häuschen” recebeu uma menção honrosa deste festival e está nomeado para os prémios Sophia deste ano.

Inês Marques: O meu percurso académico no cinema teve inicio na António Arroio onde pude experimentar o mundo dos audiovisuais. Ingressei no Santa Monica College em Los Angeles onde estudei realização de cinema e televisão. De regresso a Portugal passei pela Restart também no curso de realização. Antes do “Porque odeias o teu irmão” realizei a segunda edição dos Prémios Áquila, uma curta no âmbito académico e trabalhei como assistente de realização do “Red Queen”, “Calipso” e “A Herança”. Atualmente trabalho como videógrafa para o departamento de comunicação da Câmara Municipal de Lisboa.

PC – Quais são as vossas principais influências cinematográficas? E, já que estamos a falar no enquadramento de um Festival de Terror, qual é o vosso Top 3 pessoal de Filmes de Terror favoritos?

PM: Gosto de vários autores e estilos, do expressionismo alemão ao existencialismo e hiper-realismo nórdico (Lars von Trier, por exemplo), mas o cinema que mais me influencia enraiza-se em mestres do thriller psicológico (Alfred Hitchcock, Roman Polanski, Darren Aronovsky), do bizarro e do horror conceptual, como David Cronenberg, Lynch ou Vincenzo Natali. Quanto a eleger um top 3 de filmes de terror, é uma tarefa quase impossível mas, mais ou menos em linha de coerência com a corrente que mais me influencia, coloco na lista “Rosemary’s baby”, “Psycho” e “The shinning”, embora o “The Exorcist” merecesse um lugar nesta lista, e custa-me ainda deixar de lado obras-primas como “Alien” ou “Jaws”.

IM: Durante o meu percurso académico, tive dois momentos que me marcaram e mudaram por inteiro a meu olhar para o cinema. O primeiro foi o contacto com os filmes do Bergman, pela intensidade que as suas personagens carregam. O segundo momento foi com o filme de Klimov “Come and see” a transformação do jovem actor ao longo do filme, envolve-nos e transporta-nos para um ambiente de angustia e medo que nos acompanha ao longo do filme. O gosto pelo terror sempre esteve presente desde jovem, no entanto, considerava-o meramente entretenimento. Após a faculdade e com um olhar mais crítico, o terror tornou-se um género muito atrativo e cativante. 

1- Shinning 2- Psycho 3- Nosferatu 

PC – O que vos levou a criar “Porque Odeias o teu irmão”? Como o descrevem? E como o enquadram no panorama nacional do género de terror? 

PM/ IM - “Porque Odeias o teu irmão?” integrará um conjunto de curtas dentro de um projecto maior. Todas terão o mesmo denominador comum mas cada uma terá inspirações em estilos diferentes dentro do género do thriller e horror. Nesta história fomos buscar inspiração a Alfred Hitchcock e ao seu Psycho, no que se refere ao tema edipiano obsessivo, patológico, psicopata. Ingrediente que encontramos desde cedo noutro tipo de histórias de terror: os contos de fadas, quase sempre repletos de um simbolismo relacionado com os desafios e armadilhas do desenvolvimento psico-sexual das crianças. E um conto edipiano por natureza é a “Branca de Neve” dos irmãos Grimm (complexo de Electra). Fomos buscar os elementos simbólicos da Branca de Neve, casando-os, de uma forma subversiva e rebuscada, com o tema freudiano do clássico de Hitchcock. Neste caso, a nossa Branca de Neve chama-se Clara, e descende de uma família de retornados, com um passado colonial. Este passado colonial, e os seus reflexos no presente, é o tema central de “Porque Odeias o teu irmão?”. Neste sentido, e saindo das inspirações de base que serviram de ponto de partida, o ponto de chegada é uma história que toca num ponto sensível, numa questão que não poderia ser mais actual neste período que estamos a viver, de convulsões e clivagens sociais que apelam a um diálogo com o nosso passado. Na verdade é um tema que não é muito abordado em filmes de terror, muito menos em Portugal. Mas, por todas as razões que infelizmente conhecemos é este ano – e bem - o tema central do festival MOTELX.

PC – Quais foram os principais desafios que enfrentaram para lhe dar vida? 

PM/ IM - Enfrentámos alguns problemas na pré-produção. A preparação do décor foi muito célere o que fez com que tivéssemos de condensar alguns testes e planear o melhor possível para evitar problemas no décor.

Cenário da pandemia do Coronavírus já estava presente nas nossas cabeças, ainda assim conseguimos gravar nas melhores condições e com as iniciais prevenções. O maior desafio de todos foi mesmo conseguir reduzir para 15 minutos um filme com originalmente cerca de 25 minutos. Fizemo-lo com o intuito de caber no MOTELX, mas foi um exercício complicado e uma dor de alma ter que prescindir de planos, detalhes, silêncios e acções que a nosso ver fariam falta. Mas tentámos o nosso melhor para que o público se possa envolver e relacionar com a história e os seus personagens. 

PC – O que significa a presença da vossa curta na Competição Oficial do MOTELX? Como esperam que o público reaja? E perante isto quais são as vossas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma? 

PM/ IM - Somos seguidores atentos do MOTELX e é sempre uma grande honra voltar à secção de competição deste festival. As expectativas são relativamente humildes e contidas dado que este filme que apresentamos é uma versão bastante mais curta do que a nossa “versão ideal”, onde a história se entende melhor e respira mais. Mas neste festival há o limite dos 15 minutos, já sabíamos disso. Discutimos se valeria a pena concorrer e decidimos que sim, mesmo perdendo um pouco da ambiência, detalhe e tempo que a história precisa - e que a versão mais alongada consegue dar. Assim estamos talvez à espera de uma reacção mista por parte do público e júri. Dependerá um pouco da sensibilidade de cada espectador. Mas dada a actualidade do tema que exploramos, o ângulo com que o exploramos e a sua pertinência, acreditamos que é um filme muito interessante no âmbito da temática do MOTELX este ano. E que, mesmo com esta versão mais curta, a história terá ainda o poder de agarrar, intrigar e surpreender o espectador. O filme seguirá o seu curso natural, para além do MOTELX, achamos que este é um filme capaz de entrar num número bastante diversificado de festivais de cinema. Porque não é só um thriller. É um drama que toca na nossa história, num passado colonial mal resolvido, uma ferida que continua aberta - e bem exposta nos dias que correm.

PC – Em tempos de pandemia, incerteza sobre o futuro e perante a eminência de uma grave crise económica que poderá afetar o financiamento cinematográfico não só em Portugal, mas também em todo o Mundo  gostaria de saber qual a vossa posição e perspetiva sobre o futuro próximo da 7ª Arte em Portugal. Que novos desafios, oportunidades ou dilemas trará esta nova era para os criadores nacionais e, em particular, para o cinema de terror?

PM/ IM - Certamente que tempos difíceis se avizinham, mas é também nestas circunstâncias que surgem as melhores ideias. No cinema não será diferente. Sabemos as dificuldades inerentes a fazer um filme seja ele uma longa ou curta metragem, mas também sabemos que há cada vez mais jovens com garra e vontade de dar ao cinema nacional uma nova roupagem. 

Além das dificuldades de financiamento há também uma nova e grande preocupação, a segurança da equipa de trabalho. Os riscos associados às filmagens, ao contacto entre atores entre outras dificuldades, serão uma nova e grande preocupação. No entanto, e pensando que a situação pandémica pode trazer algumas mais valias, terror poderá ser um género a lucrar com a pandemia.

PC – E o que nos podem dizer sobre os vossos projetos futuros?

PM/ IM - Ideias para novos projectos vão sempre correndo em linha de fundo e a aposta será primeiramente em Portugal e em português. Como referimos, esta curta metragem, na sua versão mais longa, integrará um projecto maior. Um projecto que irá concorrer para financiamento.


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