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MOTELx 2020 - Entrevista Com Fábio Rebelo, Realizador da Curta Mata


O Portal Cinema volta a aliar-se ao MOTELx (pelo terceiro ano consecutivo) para dar voz aos criadores que competem a um dos prémios mais icónicos do festival: Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa. É de recordar que o vencedor desta categoria será o representante de Portugal ao Prémio internacional Mélliès D´Árgent. É importante realçar que esta competição é um dos pontos altos da programação do MOTELx e a concretização de um dos maiores objectivos do festival: a promoção, incentivo e exibição de filmes de terror produzidos em Portugal. É por isso um prazer para o Portal Cinema repetir esta parceria, ainda para mais num ano tão peculiar como este!


Fábio Rebelo


Com um título sugestivo e digno de um filme de terror gore, "Mata" é a proposta que Fábio Rebelo vem apresentar ao MOTELx. Será que a resposta à pergunta dada pela sinopse é...a morte? Terá que descobrir no MOTELx.


Realizado por Fábio Rebelo

Argumento de Fábio Rebelo

Com Carolina Gaspar, Rui André  

Sinopse: Um casal perdido na floresta acaba por se encontrar. Mas qual será o preço a pagar por esse reencontro?

Sessões - 9 de Setembro (Terça-Feira) à 18h15 no Cinema São Jorge/ 12 de Setembro (Sábado) às 13h40 no Cinema São Jorge


Portal Cinema (PC) – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vem apresentar ao MOTELX 2020, gostaria que falasse um pouco sobre o seu percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a sua formação? E o que fez antes de começar a trabalhar neste projeto?

Fábio Rebelo - No que toca à formação, frequentei o curso de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia da Universidade Lusófona e foi lá que consegui arranjar um estágio e posteriormente trabalho efectivo na Academia Mundo das Artes. Esta academia é uma escola para actores onde no final de cada curso há a produção de um conteúdo audiovisual, geralmente uma curta-metragem. É neste local que trabalho como director técnico e faço inúmeras curtas que acabam por potenciar os meus filmes pessoais.

Antes deste projecto, para além do trabalho, realizei uma curta-metragem intitulada “Vimos o mesmo pôr-do-sol (2019)”.

PC – Quais são as suas principais influências cinematográficas? E, já que estamos a falar no enquadramento de um Festival de Terror, qual é o seu Top 3 de Filmes de Terror favoritos?

Fábio Rebelo - Eu diria Darren Aronofsky, Derek Cianfrance e depois os suspeitos do costume: Kubrick, Fincher, Nolan, Tarantino, Villeneuve e por aí em diante. Quanto aos filmes, talvez o "The Shining" (1980), "It Follows" (2014) e "It Comes at Night" (2017)

PC – O que o levou a criar “Mirror Room”? Como o descreve? E como o enquadra no panorama nacional do género de terror?

Fábio Rebelo - A criação deste projecto faz parte da minha necessidade pessoal de fazer filmes, seja de que forma for. E, com isto, em género de exercício, poder evoluir e melhorar em todos os aspectos inerentes à produção do mesmo. Para este projecto em específico, a ideia germinou de uma imagem que me surgiu naturalmente: um casal encontra um cadáver numa floresta. A partir daí o objetivo foi criar uma espécie de narrativa. Eu descrevo este filme quase de um modo experimental, porque acaba por ser mais um exercício de atmosfera do que propriamente de narrativa. Admito ser um pouco leigo na matéria do panorama nacional do género de terror, mas se tivesse de enquadrar o meu filme, diria que está entre o horror gótico e cinema experimental.

PC – Quais foram os principais desafios que enfrentou para lhe dar vida? 

Fábio Rebelo - O principal desafio, que é transversal a qualquer projecto pessoal, é o de corresponder às nossas próprias expectativas. Para mim, as limitações de produção são catalisadores para a criatividade e por isso não as encaro como obstáculos.

PC – O que significa a presença da sua curta na Competição Oficial do MOTELX? Como espera que o público reaja? E perante isto quais são as suas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma?

Fábio Rebelo - A presença da curta na Competição Oficial do MOTELX é um orgulho e uma oportunidade única de poder mostrar o meu trabalho nas melhores condições possíveis. Espero que o público fique com vontade de ver mais. As expectativas são as de conhecer pessoas que partilham da mesma paixão que a minha, e de poder sentir que o meu filme é bem recebido. Posteriormente, a expectativa é a de que a curta continue a chegar ao maior número de pessoas possível.

PC – Em tempos de pandemia, incerteza sobre o futuro e perante a iminência de uma grave crise económica que poderá afetar o financiamento cinematográfico não só em Portugal, mas também em todo o Mundo gostaria de saber qual a sua posição e perspectiva sobre o futuro próximo da 7ª Arte em Portugal. Que novos desafios, oportunidades ou dilemas trará esta nova era para os criadores nacionais e, em particular, para o cinema de terror?

Fábio Rebelo -Eu sinto que o desafio, para qualquer cineasta em todo o mundo, seja na situação em que nos encontramos ou fora dela, é conseguir em primeira instância, a oportunidade de poder fazer conteúdo cinematográfico e consequentemente a respectiva distribuição. As plataformas de streaming vieram atenuar um bocado esses fatores, mas em Portugal isso ainda não arrancou. Acredito que quando isso acontecer o cinema em Portugal possa dar um passo em frente e que o estigma que ainda se sente face à 7a arte nacional se quebre. 

PC – E o que nos pode dizer sobre os seus projetos futuros? 

Fábio Rebelo -No que toca a projectos futuros fora do trabalho, após a conclusão deste filme que está em competição realizei mais 3 curtas - 2 já publicadas e uma na recta final de pós produção. Para além disso, encontro-me de momento em fase inicial de pré-produção para um curta-metragem que servirá de conceito para a minha primeira longa-metragem. 

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