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MOTELx 2020 - Entrevista com Hugo Pinto, Realizador da Curta O Intruso

MOTELx 2020 - Entrevista com Hugo Pinto, Realizador da Curta O Intruso

O Portal Cinema volta a aliar-se ao MOTELx (pelo terceiro ano consecutivo) para dar voz aos criadores que competem a um dos prémios mais icónicos do festival: Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa. É de recordar que o vencedor desta categoria será o representante de Portugal ao Prémio internacional Mélliès D´Árgent. É importante realçar que esta competição é um dos pontos altos da programação do MOTELx e a concretização de um dos maiores objectivos do festival: a promoção, incentivo e exibição de filmes de terror produzidos em Portugal.   É por isso um prazer para o Portal Cinema repetir esta parceria, ainda para mais num ano tão peculiar como este!


Hugo Pinto

Em 2018, por esta altura, também tivemos o prazer de falar com Hugo Pinto que também estava prestes a apresentar uma curta no MOTELx. Este ano, Hugo regressa com uma nova proposta intitulada "O Intruso" que, como o próprio revela, é inspirada num grande clássico da literatura. 


Realizado por Hugo Pinto

Argumento de Hugo Pinto

Com Cláudia Semedo

Sinopse: Uma adaptação moderna do conto "The Outsider" do escritor americano H.P. Lovecraft. Um misterioso indivíduo que habita sozinho num castelo decide libertar-se em busca de algum contato humano e de luz.

Sessões - 8 de Setembro (Terça-feira) à 00h00 no Cinema São Jorge/ 12 de Setembro (Sábado) às 13h40 no Cinema São Jorge


Portal Cinema (PC) – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vem apresentar ao MOTELX 2020, gostaria que falasse um pouco sobre o seu percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a sua formação? E o que fez antes de começar a trabalhar neste projeto?

Hugo Pinto – “O Intruso” é a minha quarta curta metragem, realizei as curtas “TU”, “Espelho meu” e “A Escritora”, depois de um percurso em realizações e montagens em televisão. 

PC – Quais são as suas principais influências cinematográficas? E, já que estamos a falar no enquadramento de um Festival de Terror, qual é o seu Top 3 de Filmes de Terror favoritos?

Hugo Pinto – Existem várias influências e como estamos em ambiente de MotelX vou apenas focar-me no terror. Carpenter e Romero são companheiros de infância e interessa-me particularmente o terror psicológico. O “Funny Games” do Haneke é tão perturbador quanto o "Amour" e muitas vezes ficamos anos a pensar num filme que é tão forte que não nos liberta o raciocínio. O terror varia de pessoa para pessoa, o que me mete medo pode não o fazer ao vizinho do lado. Portanto são vários os filmes que em que viajo e refiro os meus preferidos. “Halloween”, de John Carpenter, “The Hitcher”, de Robert Harmon ( com um monstro chamado Rutger Hauer) e “O Exorcista”, de William Friedkin. E o “Shinning”, “Jaws”, e tantos outros.

PC – O que o levou a criar “O Intruso”? Como o descreve? E como o enquadra no panorama nacional do género de terror?

Hugo Pinto – Esta curta foi rodada porque sempre fui fã do conto original do Lovecraft e depois de assistir a uma peça de Teatro com a Cláudia Semedo, começou a formar a ideia de experimentar com aquele texto.  Não é uma adaptação fiel muito pelo contrário. É uma experiência a vários níveis ( teatral, montagem, musical) diferente dos contos habituais de curtas de terror. É abstracto e disruptivo. 

PC – Quais foram os principais desafios que enfrentou para lhe dar vida? 

Hugo Pinto Principalmente, o Lovecraft era machista e racista e mantivemos o personagem do conto original como assumidamente masculino mas fizemo-lo com uma mulher negra. Sem alterar o texto original e com a Cláudia Semedo no limite das suas emoções. Para complicar o desafio rodamos com um telemóvel apesar de todo o trabalho de pós produção e fotografia estar num nível elevado de qualidade que nunca ninguém percebe que não tínhamos uma Arri... É sempre uma surpresa quando revelo que é uma mobile experience. 

PC – O que significa a presença da sua curta na Competição Oficial do MOTELX? Como espera que o público reaja? E perante isto quais são as suas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma?

Hugo Pinto - O MOTELx é um festival fabuloso e é a segunda vez que sou selecionado. Por isso estou grato pela possibilidade de mostrar a curta a um público específico que vai ver este género de filmes. “O Intruso” já foi a outros festivais e agora chega a casa. 

PC – Em tempos de pandemia, incerteza sobre o futuro e perante a eminência de uma grave crise económica que poderá afetar o financiamento cinematográfico não só em Portugal, mas também em todo o Mundo gostaria de saber qual a sua posição e perspectiva sobre o futuro próximo da 7ª Arte em Portugal. Que novos desafios, oportunidades ou dilemas trará esta nova era para os criadores nacionais e, em particular, para o cinema de terror?

Hugo Pinto –  A pandemia é uma incógnita. Não sabemos nada. Tudo e todos são afectados. Como em todos os processos de criação vai servir de base para muita inspiração. O problema é conseguir depois disto levar em frente um projecto. É um dilema e não a vejo como uma oportunidade. Quero que acabe rápido.

PC – E o que nos pode dizer sobre os seus projetos futuros? 

Hugo Pinto –  Estou a preparar duas curtas ( um drama e uma comédia de terror ) e a trabalhar na primeira longa metragem e estou a  esperar que a pandemia não deite tudo por terra. Não quero filmar nestas condições. Aguardo pacientemente e vou escrevendo...

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