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MOTELx 2020 - Entrevista com Ricardo M. Leite, Realizador da Curta Loop

MOTELx 2020 - Entrevista com Ricardo M. Leite, Realizador da Curta Loop

O Portal Cinema volta a aliar-se ao MOTELx (pelo terceiro ano consecutivo) para dar voz aos criadores que competem a um dos prémios mais icónicos do festival: Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa. É de recordar que o vencedor desta categoria será o representante de Portugal ao Prémio internacional Mélliès D´Árgent. É importante realçar que esta competição é um dos pontos altos da programação do MOTELx e a concretização de um dos maiores objectivos do festival: a promoção, incentivo e exibição de filmes de terror produzidos em Portugal.   É por isso um prazer para o Portal Cinema repetir esta parceria, ainda para mais num ano tão peculiar como este!


Ricardo M Leite

Temos falado muito de "Tenet", a nova obra de Christopher Nolan, mas o MOTELx terá também uma obra de sci-fi da autoria de Ricardo Leite e intitulada "Loop". Como fã de sci-fi que o Ricardo nos confidenciou que é, então podemos esperar grandes coisas desta curta!


Realizado por Ricardo Leite

Argumento de Ricardo Leite

Com Joana Africano, Simão do Vale Africano

Sinopse: O ano é 2113, a humanidade encontra-se no limiar da extinção devido ao avanço tecnológico. Raquel procura encontrar uma solução para o problema recorrendo à inteligência artificial.

Sessões - 10 de Setembro (Quinta-feira) à 18h10 no Cinema São Jorge/ 12 de Setembro (Sábado) às 13h40 no Cinema São Jorge


Portal Cinema (PC) – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vem apresentar ao MOTELX 2020, gostaria que falasse um pouco sobre o seu percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a sua formação? E o que fez antes de começar a trabalhar neste projeto?

Ricardo Leite - Eu venho de uma área que nada tem a ver com a arte de fazer cinema, trabalhei e trabalho ainda numa insígnia de retalho com lojas em todo o país mas sempre tive, paralelamente, um interesse especial no mundo da fotografia e do cinema que acabou por resultar numa candidatura ao ensino superior já aos 35 anos. Incentivado por familiares e amigos, ingressei na Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD) em Vila do Conde em 2016 onde concluí a Licenciatura em Tecnologias da Comunicação  Audiovisual  (TCAV) e donde surgiu o “Loop” como projeto final de curso.  Frequento atualmente o Mestrado em Produção e Realização Cinematográfica também na ESMAD estando a preparar já o meu próximo projeto que está atualmente em fase de pré-produção.

PC – Quais são as suas principais influências cinematográficas? E, já que estamos a falar no enquadramento de um Festival de Terror, qual é o seu Top 3 de Filmes de Terror favoritos?

Ricardo Leite - É sempre uma pergunta difícil, mas sendo eu um filho dos anos 80, muitas das minhas influências derivam dessa altura e do boom tecnológico que vimos surgir no cinema e que deu origem a uma série de filmes de culto que ainda hoje marcam a cultura pop e várias gerações. Vou escolher, “Bladerunner”, “Alien” e “Goodfellas” mas há tantos mais…Top 3 de filmes de terror, “The Birds”, “The Shinning” e para dar espaço a um mais recente escolho o “Hereditário”. Mas ficam a faltar muitos outros que merecem estar no Top 3.

PC – O que o levou a criar “Loop”? Como o descreve? E como o enquadra no panorama nacional do género de terror?

Ricardo Leite - Sem dúvida que sendo eu um fã de sci-fi agarrei a primeira oportunidade que me deram para escrever um argumento e explorar a ideia de um universo distópico numa realidade paralela. Esta realidade poderia ser uma das muitas possibilidades que assombram o futuro da humanidade. Gostaria que fosse visto como uma espécie de advertência de um perigo não muito distante. 

Quando me apercebi que não se fazem filmes de ficção científica em Portugal pensei para mim, "porque não?”.  Acho que esses foram os principais motivos, a paixão pelo género e o desafio de o fazer em Portugal.

O Fantástico pode aglutinar uma série de géneros e sub-géneros e a ficção científica parece andar de mãos dadas com o Terror seja pela sua narrativa ou pelo seu estilo visual, filmes como o “Tetsuo” de Shinya Tsukamoto são um excelente exemplo disso mesmo. Espero que “Loop” sirva para mostrar que é possível fazer-se Sci-fi em Portugal, que incentive e relembre a todos que precisamos de mais.

PC – Quais foram os principais desafios que enfrentou para lhe dar vida? 

Ricardo Leite - Um dos desafios mais evidentes foi sem dúvida a falta de apoios, fossem eles monetários ou não.  Quando uma equipa jovem avança para a produção de um filme não tem consigo todo um historial de experiência que possa “vender” a patrocinadores e parceiros o que torna todo o trabalho de angariação de apoio mais demorado e complicado. 

Sendo este também um projeto de ficção científica toda a parte visual requeria uma série de exigências ao nível dos figurinos, acessórios, locais e iluminação para que toda a ilusão de um “outro" mundo com mais de uma centena de anos à frente não se perdesse. Graças ao trabalho e empenho de uma equipa incansável que acreditou no projeto até ao fim e com a ajuda de todos sentimos que acabamos por conseguir fazer “muito pão com pouca farinha”.

PC – O que significa a presença da sua curta na Competição Oficial do MOTELX? Como espera que o público reaja? E perante isto quais são as suas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma?

Ricardo Leite - Estamos todos muito felizes de fazer parte desta família MONSTRUOSA que é o MOTELX e de estar em competição ao lado de outras incríveis curtas metragens, é mesmo uma grande honra.   Algo que me dá imenso prazer é ver que o “Loop” suscita discussão e põe as pessoas a falar e a teorizar sobre o que viram. Pode parecer algo estranho mas quando criamos um universo ficcional este ganha a sua própria vida, quase como um ADN próprio do qual não podemos fugir e o “Loop” ainda tem muito para contar.

Tem sido uma viagem incrível com este projeto e encaramos tudo o que acontece sempre como uma grande vitória, mas sem dúvida que gostaria de um dia dar continuidade a este projeto/Universo.  

PC – Em tempos de pandemia, incerteza sobre o futuro e perante a eminência de uma grave crise económica que poderá afetar o financiamento cinematográfico não só em Portugal, mas também em todo o Mundo  gostaria de saber qual a sua posição e perspectiva sobre o futuro próximo da 7ª Arte em Portugal. Que novos desafios, oportunidades ou dilemas trará esta nova era para os criadores nacionais e, em particular, para o cinema de terror?

Ricardo Leite - Antes de mais acredito que precisamos de arranjar em nós próprios a capacidade de encontrarmos soluções, sejam elas ao nível financiamento ou na forma de como se executam filmes em Portugal sem nunca desistir. Estes são, sem dúvida, novos tempos e uma nova realidade que nos obriga a tal.

Acredito também que são nestes mesmos tempos de adversidades que a criatividade emerge com mais força e tenacidade e se reinventa com novas formas de criar e de transformar as dificuldades em novas e melhores  oportunidades.

PC – E o que nos pode dizer sobre os seus projetos futuros? 

Ricardo Leite - Apesar do estado atual que o mundo atravessa ter atrasado o meu último projeto assim como aconteceu com todos os restantes que arrancavam no inicio do ano, encontro-me atualmente a trabalhar numa nova curta-metragem com argumento original intitulada de “Oblívio” no âmbito de projeto final de Mestrado.

Espero arrancar com a produção já em Março do próximo ano mas mais não posso revelar, apenas de que se trata de um Triller Psicológico. A juntar a este, umas tantas histórias que esperam pelo momento certo para verem a luz do dia mas para já o meu foco está no “ Oblívio” e no “Loop

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