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Minari É A Sensação Indie de 2020. Um Belo Drama Que Merece Ser Descoberto

Minari É A Sensação Indie de 2020. Um Belo Drama Que Merece Ser Descoberto


"Minari" é um dos filmes mais belos de 2020. Já com estreia assegurada em Portugal, "Minari" tem surpreendido nas últimas semanas e saltou rapidamente para o favoritismo na vindoura época de prémios, isto após ter brilhado em Sundance onde conquistou o Prémio da Competição Dramática. "Minari" desenrola-se nos Anos 80 e segue a história de David (Alan S. Kim), um menino coreano-americano de sete anos de idade que se depara com um novo ambiente e com um modo de vida quando o seu pai, Jacob (Steven Yeun), decide mudar-se com a sua família da liberal Costa Oeste dos Estados Unidos para uma zona rural no Arkansas. Esta drástica mudança altera drasticamente a rotina de David que sente dificuldades em adaptar-se ao ambiente mais sossegado de campo e nem mesmo a chegada da sua avó parece ajudá-lo. A mudança também é drástica para Jacob que arriscou tudo para construir uma nova vida e, após a mudança, começa a questionar se a opção que tomou foi a mais correta.


Tive a oportunidade de assistir a várias Q&As com o elenco e realizador de "Minari" e estas conversas foram fundamentais para compreender um pouco melhor este belo e intenso drama familiar que baralha constantemente as cartas num complexo jogo sociocultrural. Sim, "Minari" é um drama sobre o choque, a adaptação e o entrelaçar que se centra na complexa jornada de adaptação desta família de origem coreana a um ambiente mais rural. E são os elementos desta família que, graças à sua complexidade e multidimensionalidade, dão azo a uma trama que, quer dramaticamente, quer emocionalmente, é muito forte.

O argumento, no geral, foi muito bem escrito e, como o próprio realizador Lee Isaac Chung fez questão de dizer nas várias conversas em que participamos, "Minari" é uma obra muito pessoal para o próprio. Isto porque é inspirado nas vivências do próprio, nomeadamente na sua história pessoal de adaptação ao quotidiano numa quinta rural no Arkansas para a qual os seus pais se mudaram para lhe darem uma nova vida. A experiência do jovem David é, portanto, a experiência de Lee. Mas como o próprio também disse, "Minari" não é necessariamente a história da sua família, mas sim um retrato bem mais abrangente que envolve diferentes dinâmicas sociais, culturais e familiares que não fizeram necessariamente parte do seu passado. 


Embora Lee Isaac Chung não goste de colar este filme á sua história familiar, certo é que ao longo de "Minari" conseguimos perceber a sua forte ligação afetiva e emocional a esta obra. O seu trabalho de realização é fortíssimo e soube também usar o talento de outros departamentos técnicos, como a fotografia e a banda sonora, para criar algo absolutamente único que de certeza faz justiça à sua ideia original para o filme.  Lee Isaac Chung, aliás, mostra-se imensamente orgulhoso por este seu projeto e deve realmente estar, já que é de facto um belo drama familiar que combina sabiamente emoção crua com  humor, drama e lições culturais. É portanto um filme que instiga não só compaixão e emoção no espectador, mas que também se revela bastante didático, já que explora de forma muito habilidosa o processo de integração cultural e de adaptação a um ambiente completamente diferente. E fá-lo não só na perspectiva de uma criança, como também na perspectiva de adultos. 

Nas Q&As foi levantada a ideia, com a qual concordo, que "Minari" serve como um comentário poderoso sobre como os imigrantes (sejam eles coreanos ou não) podem ser afetados por percepções culturais da vida americana ou por estigmas sócio-culturais. É bem perceptível esta tema de integração e adaptação, mas acima de tudo é perceptível a dinâmica positiva que o filme tenta passar, já que não é um filme com orientações negativas mas sim com uma mensagem educativa que visa a integração e a compreensão e não a separação. O drama familiar que se cria em redor do choque de culturas que a família de protagonistas enfrenta é, apenas e só, uma consequência de tudo o que os rodeiam e serve como um catalizador para diálogos verdadeiramente deliciosos. Embora a dinâmica familiar que é retratada seja important, certo é que é a experiência do imigrante que, no final de contas, nos encanta e informar. Um filme delicioso que vale a pena descobrir.


Crítica - 4,5 Estrelas em 5

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