Porto/ Post/ Doc Regressa em Novembro e Tem Novidades

Dedicada a pensar os movimentos mais emergentes e referenciais da música à escala mundial, a secção Transmission propõe, para 2021, dez documentários que medem o pulso à forma como as artes são espaço para o debate e o derreter das fronteiras sociais. Em destaque a estreia nacional de Laurent Garnier: Off The Record, Don't Go Gentle – a film about IDLES, Freakscene – The Story of Dinosaur Jr. e All The Streets are Silent, um filme sobre as correlações entre o hip hop e a cultura skater da nova Iorque dos anos 90. Palavra especial para a redescoberta de duas histórias no feminino: a revisita à obra da cantautora norte-americana Karen Dalton e o percurso de ascensão e superação de Marin Alsop, uma das mais importantes maestrinas da actualidade. A passarem pela primeira vez nas salas do Porto, A Symphony of Noise, sobre o trabalho do multifacetado Matthew Herbert e Nueve Sevillas, um retrato pungente e transgeracional sobre a comunidade do flamenco sevilhano com participação, entre outros, de Rosalía e Nino de Elche. Este último será exibido no último dia da exposição que o realizador, Pedro G. Romero, tem patente na Galeria Municipal: Os novos babilónios", cujo foco está nas formas de vida nómadas, particularmente nos povos de etnia cigana, flamencos e exilados libertários. 

No plano nacional, primeiras passagens no Passos Manuel para Caudal, um filme sobre primeiro concerto dos portuenses Solar Corona no pós confinamento, e What is Ácida?, uma curta sobre o processo de criação desta que é uma das mais interessantes noites da cidade. 

Cerca de quarenta anos depois daquela que foi uma das maiores revoluções no campo da música de dança,  Laurent Garnier: Off The Record leva-nos por uma viagem na primeira pessoa à história de um dos seus mais respeitados djs e produtores. Percorrendo alguns dos mais marcantes momentos da história do techno, rave e house, entre Chicago, Detroit, Paris ou Manchester, o filme integra imagens, testemunhos e recordações de algumas das figuras mais emblemáticas e casa icónicas de um movimento que marcou a forma como hoje se olha para as pistas de dança. Dois anos depois daquela que foi a última e explosiva passagem dos IDLES pelos palcos portugueses, a banda de Bristol, a quem alguns atribuem a dianteira de um novo movimento punk rock a brotar no Reino Unido, estreia-se no grande ecrã com um filme-viagem sobre a forma como o colectivo liderado por Joe Talbot tem vindo a quebrar estereótipos, abrindo espaço para uma conversa séria em torno da saúde mental e das realidades que atormentam uma geração. Realizado por Jeremy Elkin, All the Streets Are Silent assume-se como uma fotografia da cidade de Nova Iorque nos anos 90, capturando os momentos mais relevantes do momento de transformador em que a cultura skater e o hip hop se cruzaram. Tendo como ponto de partida imagens de arquivo de influentes personagens desse tempos, como Justin Pierce e Harold Hunter (recordemos aqui o papel de ambos no filme de culto de Larry Clark, Kids), e entrevistas a artistas e promotores que por essa altura despontavam (Fab 5 Freddy ou Darryl McDaniels dos Run-DMC, entre outros), Elkin monta um retrato íntimo para a forma como toda uma geração transformou as relações raciais da Big Apple. Ainda em solo americano, a homenagem a um dos mais reconhecidos nomes da costa este dos Estados Unidos: Freakscene – The Story of Dinosaur Jr. é mais do que uma homenagem a uma das bandas que precede a génese do grunge, é uma montanha russa emocional, divertida e ruidosa sobre a relação criativa e pessoal entre J. Mascis, Lou Barlow e Murpha, desde a fundação até aos dias de hoje. O documentário conta com declarações de Kim Gordon e Thurston Moore (Sonic Youth); Kevin Shields (My Bloody Valentine); Henry Rollins (Black Flag / Rollins Band) e Bob Mould (Hüsker Dü / Sugar), entre outros. 

Cantora de folk e blues, Karen Dalton era uma das mais proeminentes figuras dos 60s em Nova Iorque. Idolatrada por nomes como Bob Dylan ou Nick Cave, Karen descartou toda as possibilidades de uma carreira nas luzes da ribalta, levando uma vida muito pouco convencional até à data da sua morte precoce. Tendo como fio condutor a voz e composições de Dalton (já que quase todas as suas gravações em vídeo forma perdidas ou destruídas), Karen Dalton: In My Own Time recorre a melodias, entrevistas com amigos e amantes e material inédito para desenhar um poético filme sobre uma mulher singular e a sua inesquecível música. Impressionante história de vida é também a Bernadette Wegenstein eterniza em The Conductor, um filme que transporta a audiência para o coração da música clássica e para a alma daquela que é, hoje, um dos seus nomes maiores: a maestrina Marin Alsop. Um filme que é também o testemunho de luta contra o estabelecido e da forma como Alsop se assumiu num universo marcado pelo patriarcado e pela falta de oportunidades para as mulheres.

Para assinalar o lançamento da programação e em pleno Dia Mundial da Música, o Porto/Post/Doc ocupa o Passos Manuel esta sexta, dia 1, com um programa especial. Um dia de festa que começa, como não podia deixar de ser na sala de cinema. A partir das 21:30 e com acesso livre até limite da lotação da sala, propomos uma viagem a Amazing Grace, filme de Sydney Pollack que revisita o lançamento do disco com o mesmo nome, um dos mais vendidos e referenciais trabalhos de Aretha Franklin. Logo de seguida, a festa segue fora de porta e em cima da mesa de mistura, com uma selecção musical da equipa do festival inspirada nos filmes que marcam o historial da secção.

O Porto/Post/Doc realiza-se entre os dias 20 e 30 de novembro no Teatro Municipal do Porto - Rivoli, Passos Manuel, Coliseu Porto Ageas, Casa Comum da Reitoria da Universidade Porto e Planetário do Porto - Centro Ciência Viva. À semelhança do que aconteceu em 2020, o festival contará ainda com uma extensão ao online, onde será possível visualizar grande parte dos filmes seleccionados. 


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