Especial MOTELx 2018 - Entrevista a Célia Fraga, Realizadora de Cinzas

No âmbito da antevisão ao MOTELx 2018, o Portal Cinema lançou um desafio aos realizadores das 12 curtas portuguesas a concurso ao Prémio de Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx 2018! O desafio consistia em responderem a uma pequena entrevista sobre o projeto a concurso, a sua carreira e, claro está, os projetos futuros. 11 dos 12 criadores aceitaram esta proposta e apresentamos agora o resultado final. Segue-se uma entrevista com Célia Fraga, realizadora de “Cinzas”.


Sobre Cinzas



"Cinzas" é a curta de estreia de Célia Fraga, uma jovem criadora/realizadora que incutiu a este projeto muitas inspirações, mitos e imaginários da região de Trás-os-Montes. O resultado final é uma narrativa de terror com uma carga mais psicológica, em que predomina um ambiente soturno e planos de media e longa duração que, certamente, irão surpreender os espectadores do MOTELx.

Sinopse - Num ambiente rural transmontano dos anos 40, uma jovem viúva vive numa profunda solidão e miséria. A sua rotina consiste numa sucessão de dias iguais, passados em casa ou no campo, a trabalhar. Tudo piora quando começa a ser atormentada por uma entidade misteriosa.



Entrevista a Célia Fraga



1 – Antes de explorarmos um pouco o projeto que vem apresentar ao MOTELx 2018, gostaria que me falasse um pouco sobre o seu percurso profissional até ao dia de hoje. Qual a sua formação? E o que fez antes de começar a trabalhar neste projeto?

Inicialmente, o meu percurso académico e profissional está um pouco distante do audiovisual. Formei-me em Português, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e já lecionei Espanhol e Português. Todavia, desde cedo tive interesse nesta área e comecei por escrever guiões cinematográficos. O ano passado resolvi ingressar num mestrado em realização cinematográfica, na Escola Superior Artística do Porto, para aprofundar os meus conhecimentos relativamente a metodologias de realização e modelos de argumento.

2 – Quais são as suas principais influências cinematográficas?

As minhas principais influências cinematográficas são Lars Von Trier, Dario Argento, Michael Haneke, Robert Eggers, David Lynch, Guillermo del Toro, Stanley Kubrick…

3 – Tem algum sonho/objetivo em particular que pretenda alcançar no mundo cinematográfico?

Cinzas é a minha primeira curta-metragem e ainda há um longo caminho a ser percorrido, porém gostaria bastante de realizar uma longa-metragem inspirada em histórias de bruxas da minha região, Bragança. Algumas destas histórias foram contadas pela minha avó paterna e ela assegura que são reais. O guião até já está escrito.


4 – O que o levou a criar “Cinzas”? O projeto final ficou como imaginou? E já agora como o descreve?

Cinzas foi desenvolvida em âmbito académico e consistiu num projeto extra que resolvi realizar no 2º semestre do mestrado. Tive a sorte de poder contar com a ajuda de profissionais como o produtor e realizador Nuno Rocha e o diretor de fotografia António Morais entre outros que foram cruciais em todo o processo. O projeto ficou como tinha imaginado, é uma narrativa de terror psicológico, que se passa nos anos 40, com um ambiente bastante soturno e focado na protagonista: uma jovem viúva transmontana que perdeu o marido recentemente e vive numa espécie de clausura, num exílio forçado.

5 – O que pode o espectador esperar e o que espera que ele sinta ao ver “Cinzas”? Tem alguma mensagem específica que lhe queira transmitir para o preparar para a visualização?

Eu não gosto muito de preparar o espetador para a visualização do filme, prefiro ver reações espontâneas, sem nenhum tipo de condicionamento, mas espero que gostem.

6 – O que significa a presença da sua curta na Competição Oficial do MOTELx? E perante isto quais são as suas expectativas globais (quer no festival, quer posteriormente) para a mesma?

Ter a minha primeira curta-metragem num festival como o MOTELx é sem dúvida bastante gratificante. Cinzas vai ganhar maior visibilidade e está a competir com filmes muito bons. Também estou a enviar a curta para festivais de outros países. Vamos ver como corre.

7 – E o que nos pode dizer sobre os seus projetos futuros? O seu futuro profissional passará por Portugal ou poderá haver uma aposta no estrangeiro?

Nos próximos meses irei realizar outra curta-metragem, como projeto final do mestrado. Esse filme será baseado no conto Tragédia de Mário de Sá-Carneiro. O meu futuro profissional é uma incógnita, mas, por enquanto, permanecerei em Portugal.

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