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terça-feira, fevereiro 05, 2019

Ficção Vs Factos - Os Erros Históricos de Mary Queen of Scots (Spoilers)

Na primeira rubrica de Ficção Vs Factos falamos sobre “Bohemian Rhapsody”, um dos 8 Nomeados ao Óscar de Melhor Filme. Nesta 2ª Edição decidimos falar de uma recente estreia nas salas de cinema nacionais: Mary: A Rainha dos Escoceses”/ “Mary Queen of Scots”, também nomeado aos Óscares da Academia nas categorias de Melhor Caracterização e Melhor Guarda Roupa. 


Estamos perante um Filme Histórico que aborda o conflito entre duas das Monarcas mais influentes da Idade Média: a Rainha Elizabeth e Mary dos Escoceses. São vários os historiadores que apontam falhas ao filme que, em muitos pontos, foi muito além da história real de forma a acomodar um maior ímpeto dramático e ficcional. Esta queda para a ficção em prol do realismo acabou mesmo por dar origem a uma das sequências mais fortes do filme, mas tal sequência acaba por representar a maior falha histórica do filme e que, de seguida, abordaremos!


Filme/ Ficção
Factos/ Realidade
No filme, Mary, A Rainha dos Escoceses (Soirse Ronan) fala um inglês perfeito com um sotaque tipicamente escocês.
Na realidade, Mary falava inglês mas com um profundo sotaque francês devido às décadas que passou em França, aliás Mary passou boa parte da sua infância em Terras Gaulesas, tendo sido enviada para lá pela sua mãe aos 5 Anos.
Para solidificar a sua posição na Escócia, mas também a da sua família como Família Herdeira do Trono Inglês, Mary casa-se com Henry Stuart, Lord Darnley, tornando-se este no seu segundo marido. O casamento acaba por se desmoronar quando Mary descobre que o Lord Darnley é homossexual e que não tem interesse nenhum nela. O Lord Darnley é eventualmente assassinado e o filme dá a entender que Mary nada teve a ver com a sua morte.
O casamento entre Mary e o Lord Darnley é um facto histórico, sendo também um facto que os dois não se davam bem e que só se casaram por conveniência. O que já é mais discutível é a orientação sexual de e Lord Darnley, mas o que o filme não demonstra é que Darnley era um homem muito machista e violento. É também um facto histórico que o Lord Darnley foi assassinado, mas muitos suspeitam que foi Mary a orquestrar a sua morte.


Numa das cenas mais intensas do filme, a Rainha Elizabeth (Margot Robbie) e Mary encontram-se, finalmente, num estábulo/lavandaria para falarem sobre o seu passado e, acima de tudo, sobre o futuro de Mary que, agora, encontra-se exilada em Inglaterra e pede a Elizabeth a sua proteção

Tal reunião nunca aconteceu, aliás as duas Rainhas nunca tiveram nenhuma reunião frente a frente de qualquer tipo ao longo das suas vidas. Um dado curioso é que, décadas após a  execução de Mary, o seu corpo foi exumado e sepultado novamente, com honras monárquicas, na Abadia de Westminster numa campa ao lado do túmulo da Rainha Elizabeth. Embora nunca se tenham conhecido presencialmente em vida, as 2 Monarcas são “vizinhas” de Cemitério.
O filme dá a entender que a Rainha Elizabeth não sofreu qualquer contestação quando assumiu o Trono e que sempre foi considerada, pelo povo Britânico, como a legítima governanta de Inglaterra. E, por outro lado, passa a imagem que Mary sempre teve dificuldades em assumir a sua pretensão pelo trono da Escócia e que batalhou imenso para conseguir governar a Escócia.
O filme não mostra que, após a morte do Rei de Inglaterra, Elizabeth foi declarada ilegítima após a execução de sua mãe, Ana Bolena, e viveu sob a ameaça constante de execução durante o curto reinado da sua irmã Maria. Só uma década após o início do seu Reinado é que Elizabeth começou a ser vista como a Rainha Legítima pelo seu povo e corte. Embora tenha sentido dificuldades em manter o poder nas vésperas do seu exilio, Mary não teve grande oposição por parte dos Escoceses quando chegou à Escócia para assumir o Trono, aliás Mary foi nomeada Rainha da Escócia quando tinha menos de uma semana de idade. `
No final do filme, a Rainha Elizabeth assina a Sentença de Morte de Mary perante os seus Conselheiros, sendo dado a entender que essa era a sua vontade expressa e que queria mesmo que Mary fosse executada pela sua traição
Na verdade, Elizabeth assinou casualmente entre outros documentos a Sentença, não lhe dando grande importância e nunca a assinou em público. A própria Rainha Elizabeth admitiu posteriormente que não desejava que Mary fosse executada e que acreditou que a sentença nunca seria concretizada. Ela resistiu durante 10 anos à execução Mary, mas a pressão e a manipulação dos seus concelheiros acabou por ditar o fim da sua companheira monarca.

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