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quinta-feira, março 21, 2019

Crítica - Nós (2019)

Realizado por Jordan Peele
Com Anna Diop, Elisabeth Moss, Lupita Nyong'o

Em 2017, o humorista Jordan Peele surpreendeu o mundo com "Get Out". Trata-se de um filme de terror fora do normal que, para além da aprovação do público, chegou, também, aos Óscares, tendo até conquistado o Óscar de Melhor Argumento Original. Uma vitória que, diga-se, foi mais do que justa, já que efetivamente este foi um dos filmes mais originais, populares e empolgantes desse ano. E, assim, o Óscar foi um prémio justo para um produto diferente com um argumento invulgar mas muito competente.
Naturalmente, “Us”, o segundo filme de Peele, gerou, desde o início, grande expectativa. Tendo em conta o valor da sua obra de estreia, esperava-se que a sua nova produção conseguisse, pelo menos, aproximar-se do seu nível de qualidade e criatividade. E certo é que a sua intrigante premissa parecia prometer também algo tão grandiosamente extravagante como “Get Out”. Já que prometia apresentar ao espectador à jornada arrepiante de uma simples família norte-americana que, durante umas férias, recebe em casa convidados inesperadamente estranhos que virarão as suas vidas do avesso. 
Pelo tom usado nestes primeiros parágrafos pode-se deduzir que “Us” não correspondeu às nossas expectativas. Mas embora não seja tão avassalador como o esperado ou prometido, nem corresponda à excelência apresentada por “Get Out”, “Us” representa sim mais uma nobre e criativa tentativa de Jordan Peele mexer com o terror.





Tal como na sua obra prima, Peele explora em “Us” uma premissa bizarra movida por temas complexos e conspiracionais com grande potencial para aterrorizar o espectador. E tal como no seu primeiro filme, Peele soube incutir pequenas doses de humor negro ao longo da trama para aprimorar um peculiar estilo extravagante. É percetível qual era o grande objetivo de Peele com “Us”, mas a sua execução das suas ideias e conceitos já não foi tão concreta como em “Get Out”. Nesta sua primeira experiência conseguiu passar as suas ideias com uma maior objetividade e proximidade, algo que culminou inevitavelmente em maiores doses de entretenimento e num filme bem mais completo. Já em “Us” não soube transformar um conceito intrigante num filme tão impactante como se desejava. 
O seu grande erro foi perder tempo e paciência do espectador em tentar explicar demasiado tal conceito (que nunca pode ser bem explicado para funcionar), levando assim o filme para caminhos tumultuosos. A especulação poderia ter sido o seu maior aliado, mas ao tentar explicar e contextualizar tudo o que pensava ser essencial, Peele perdeu todos os elementos de dúvida, surpresa e tensão que o filme poderia gerar junto do espectador. E ao tentar explicar demais, também o tornou demasiado confuso e inerte e, infelizmente, estes são dois dos seus principais pecados. 
O que poderia ser um bizarro filme de terror que teria sempre que levar o espectador a puxar pela sua própria imaginação, mas que no final compensaria a sua falta de respostas com fortes momentos de tensão e terror, acaba, infelizmente, por não fazer nem uma coisa nem outra. Mas preza-se, ainda assim, a veia criativa de Peele, que continua a desbravar um novo caminho para o género e que continua a surpreender com as suas ideias bizarras.  A concretização pode não ter sido a melhor, mas a genialidade do conceito está bem presente e, quem sabe, se aprender com os erros deste filme poderá apresentar-nos um terceiro projeto de excelência!
Um ponto de destaque final para um elenco de grande qualidade que mais não poderia fazer pelo filme. A brilhante Lupita Nyong'o está impressionante, assim como os outros atores que interpretam os outros três elementos da(s) sua(s) família(s), nomeadamente as crianças que, realmente, ajudam a fornecer em certos momentos aquele delicioso “creepy factor”.  Mas, em suma, “Us” merece uma oportunidade, pese embora as suas falhas. Não espere encontrar um novo “Get Out”, mas se apreciou a exuberância temática de Peele nesse filme, então deverá encontrar, pelo menos, um motivo de satisfação nesta sua nova obra.  

Classificação - 3 Estrelas em 5

2 comentários:

  1. Nós: 5*

    É daqueles filmes que me meteu a falar o dia inteiro dele, que obra-prima.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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  2. Achei o Get Out bastante mais previsivel e de maior facilidade desconstrutiva.

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