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Crítica - A Casa (2020)

Crítica - A Casa (2020)
Crítica - A Casa (2020)

Realizado Àlex Pastor, David Pastor
Com Javier Gutiérrez, Mario Casas, Bruna Cusí

Recentemente, a Netflix disponibilizou na sua plataforma "A Casa", um thriller espanhol da autoria de David e Àlex Pastor, dois cineastas espanhóis altamente criativos e com créditos já firmados no cinema fantástico graças a obras como "Carriers" e "Los Últimos Dias". O mais recente esforço criativo desta dupla não entra tanto no campo da fantasia como as suas obras anteriores, revelando-se um filme mais humano e realista que aproveita os temas ligados ao stalking, à psicopatia e à paranóia para desenvolver uma intriga maquiavélica que tem conquistado fãs.
Muitos têm comparado a base social e emocional de "A Casa" ao aclamado "Parasitas", mas convém desde logo desmistificar esta ideia e referir que são dois filmes completamente diferentes no rumo que optam por seguir É verdade que em ambos temos uma trama cujo desenrolar joga com o subconsciente humano relativo à cobiça, ao desejo e à ambição. Mas "A Casa" acaba por entrar por caminhos bem mais psicóticos que "Parasitas", já que na obra espanhola há claramente um vilão e há destacadamente tendências mais obscuras na base da trama.
Não há duvida que um dos méritos de "Parasitas" é a forma como trabalha o drama humano. É um filme que funciona, acima de tudo, como um retrato de desigualdades e até como uma sátira à dinâmica sociológica, apesar de ter muitos elementos dignos de thriller. Já "A Casa" é um thriller puro que se escusa de entrar por caminhos dramáticos e sociais para transmitir uma mensagem. É uma obra que foca toda a sua atenção no desenvolvimento da psicose e dos planos maquiavélicos de um desempregado de meia idade. Uma personagem à primeira vista quotidiana mas que se vai tornando desprezível graças aos claros problemas mentais que demonstra. E tais problemas traduzem-se numa jornada de fúria calculista que o leva a destruir a vida de um Homem do qual ele sente inveja desde que este passou a morar na casa que ele foi forçado a deixar. 
Esta personagem é interpretada com grande qualidade por Javier Gutiérrez, um vulto do cinema espanhol que tem aqui mais uma performance gigantesca. A sua performance aliada à construção primorosa da sua personagem transformam "A Casa" num filme que vale a pena seguir até ao final, mesmo quando este acabe por entrar por caminhos exorbitantes que roçam o ridículo. É por isso fácil de compreender que não o achei um filme inteligente, mas é um thriller que tem aspetos inteligentes, sendo o retrato degenerativo e maquiavélico do protagonista um desses momentos de brio. É claro que os seus planos entram no reino da impossibilidade e situam-se na estratosfera do impraticável, mas há que admirar o processo de deterioração pelo qual a personagem passa para chegar a tais planos. E esta acaba por ser a grande beleza deste projeto que, no global, não tem um argumento de destaque, mas que em alguns momentos específicos consegue brilhar. 
É evidente por demais que é cruel compará-lo à excelência de "Parasitas", mas "A Casa" acaba por ser mais um bom exemplo do talento de David e Àlex Pastor para contar histórias que são capazes de surpreender.

Classificação - 3 Estrelas em 5

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