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Crítica - The Trial of the Chicago 7 (2020)

Crítica - The Trial of the Chicago 7 (2020)


Realizado por Aaron Sorkin

Com Eddie Redmayne, Alex Sharp, Sacha Baron Cohen, Jeremy Strong


Aaron Sorkin já nos habituou a grandes filmes e séries, quer como guionista, quer como realizador (com "Molly's Game"). "The Trial of the Chicago 7" dá continuidade ao seu legado de qualidade e até lhe acrescenta um novo capítulo acima da média, já que estamos perante um dos grandes dramas de 2020. Talvez seja mesmo o grande candidato da Netflix aos Óscares e só esta afirmação parece suficiente para o validar como uma aposta segura e de qualidade. Mas mesmo além do seu estatuto de grande candidato aos prémios, este drama político e jurídico tem outras valências e outros cartões de visita ou não fosse a representação cinematográfica de um dos casos judiciais mais controversos da segunda metade do Século XX nos Estados Unidos.

O filme acompanha os eventos jurídicos que se seguiram a uma grande manifestação política contra a Guerra do Vietname e que interrompeu o congresso do Partido Democrata em 1968 em Chicago. Esta manifestação provocou diversos confrontos entre a polícia e os participantes e, por isso, o Governo Norte-Americano decidiu pedir mão firme contra todos os protestantes que foram presos. Esta jogada do Governo foi vista como um atentado à liberdade de expressão, mas também como uma forma corrupta de desviar atenções dos perigosos contornos da Guerra do Vietname e da atuação da polícia no caso, já que nenhum agente da policia foi acusado apesar de também estarem envolvidos nos protestos. E, claro, este grande julgamento também foi encarado como uma forma do Governo de intimidar e dissuadir futuros protestos e impedir a contestação social contra o conflito. 

É portanto um filme com uma importante conotação real, política e dramática. É, na sua essência, um drama jurídico, onde a maior parte da tensão e drama se encontra preso às envolventes sequências em tribunal durante o julgamento. Estas são magistrais e são responsáveis pelo grande sucesso do filme, sobretudo quando se focam no duelo freveroso entre o juiz do caso e os vários acusados. Os diálogos e sequências que envolvem estas duas partes são sublimes e demonstram na perfeição o quão envolvente e criativa é a escrita de Sorkin (para além de realizador, também foi responsável pelo argumento). É claro que as estrelas destas sequências são também responsáveis pelo sucesso, nomeadamente o sublime Frank Langella que, com a sua performance como o Juiz Julius Hoffman, pode ambicionar até a uma nomeação ao Óscar de Melhor Ator Secundário. Também Eddie Redmayne e Sacha Baron Cohen brilham na pele dos acusados com mais impacto no julgamento e no próprio caso!

Talvez a maior crítica que se possa fazer a "The Trial of the Chicago 7" é que não consiga fornecer tanto contexto como era desejado sobre o evento real (A Manifestação e os Confronto), deixando assim o espectador um pouco perdido em relação ao contexto do caso, da situação política da época e dos eventos que a rodearam. É claro que, ao longo do filme, vão sendo montadas as peças e vão sendo explorados os principais eventos que levaram até ao julgamento, mas ainda assim ficou muito por dizer e talvez aqui se poderia ter ido mais longe. É certo que, mesmo sem estas sequências, o filme já é bastante longo e a sua inclusão podia atirá-lo para uma duração excessiva de mais de três horas, mas ainda assim algumas coisas poderiam ter feito parte da versão final. 

Em todo o caso, "The Trial of the Chicago 7" é um filme muito bom. Um retrato sobre a luta pela liberdade de expressão e contra a supressão política e judicial por parte do governo. O olho crítico e criativo de Sorkin ajudou, claro está, a alimentar e dinamizar esta obra e a sua história real, mas há também que dar crédito ao brilhante elenco que ele escolheu para dar vida ao enredo. 


Classificação - 4 Estrelas em 5

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