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segunda-feira, janeiro 28, 2019

Crítica - Green Book (2018)

Realização Peter Farrelly
Com Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini

Estamos em plena época dos Óscares e, falando especificamente dos 8 Nomeados ao Óscar de Melhor Filme, posso afirmar com toda a certeza que “Green Book” é aquele candidato que melhor se enquadra numa categorização de Feel Good Movie! E exploro esta questão porque, todos os anos, temos vindo a observar que a Academia gosta de incluir entre os nomeados, pelo menos, um filme mais leve e direto que se mostra capaz de agradar, em toda a linha, ao grande público! E a verdade é que olhando para os outros sete concorrentes ao Óscar de Melhor Filme, “Green Book” é, de longe, o mais espirituoso, consensual e competente na arte de contar sem grandes arcaboiços uma história simples, divertida e capaz de inspirar! É no findo um filme com potencial para permitir aos espectadores saírem da sala de cinema com um forte sentimento de satisfação por terem visto algo improvavelmente comovente e hilariante!




Sem desprezo para os mais melodramáticos “A Star is Born” ou “Roma”; os mais políticos “Vice” e “BlackKklansman”; os mais polarizantes “The Favourite” e “Bohemian Rhapsody” ou o mais pipoca “Black Panther”, “Green Book” revela-se aquele filme/ candidato todo o terreno que, figurativamente, chega a tudo e a todos. Trata-se de um filme polivalente que pega em factos reais para desenvolver um enredo versátil, onde o drama e o humor colaboram em harmonia entre si. É também uma obra onde os géneros road movie, cinebiografia, drama político e comédia de amigos casam perfeitamente entre si para gerar algo diferente, mas muito competitivo! O resultado final só poderia ser muito inspirador e curioso, sendo mesmo impossível não sentir boas vibrações quando o filme termina e nos permite fazer várias reflexões sobre histórias, pessoas e amizades improváveis!
No cerne da trama está, portanto, a relação de amizade, respeito e idolatração que se vai fomentando entre Tony Lip, um gangster profundamente racista e fiel ao espírito da América Branca; e Don Shirley, um talentoso pianista afro-americano que, perante a postura de Lip, desafia-o a conduzi-lo numa digressão pelo Sul dos Estados Unidos onde terá também que o proteger dos mais que prováveis ataques racistas. E por esta descrição pode-se já ver as intenções do filme. É certo que, politicamente, explora um tema bastante forte como o são o racismo e as tensões raciais, mas fá-lo de uma forma tão descontraída como a postura de Don Shirley ou, melhor ainda, como retrata a amizade que se vinca entre os dois protagonistas. 
É claro que os mais críticos dirão que “Green Book” peca na questão histórica, porque embora Lip e Shirley tenham efetivamente existido, pouco do que o filme retrata terá, efetivamente, acontecido na realidade. É certo que há muitas dúvidas sobre a factualidade da trama e esta parece ter sido claramente embelezada para efeitos cinematográficos, mas considero que o espírito desta obra sobrevive bem a esta ausência de exactidão. Para além de “Green Book” não se assumir nem nunca ser descrito como um filme puramente factual e histórico, convém ainda referenciar que o que o torna tão bom e tão interessante não é o seu cariz biográfico, mas sim a forma como inspira e explora a história dos protagonistas (fictícia ou real) de uma forma tão polivalente e segura!
Um destaque final mas óbvio para Viggo Mortensens e Mahershala Ali. Este último acaba por ofuscar, ligeiramente, o seu co-protagonista com o seu apelativo retrato polivalente de Shirley, mas Mortensen está também irrepreensível no papel do bruto mas afável Tony Lip. É justa por isso a nomeação de ambos para os Óscares de Melhor Ator Principal e Ator Secundário, sendo ambas as nomeações mais uma prova do enorme talento de ambos!

Classificação - 4,5 Estrelas em 5

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