Jennifer Coolidge, Os Fabelmans e Os Espíritos de Inisherin Foram as Estrelas Dos Globos de Ouro, Mas o Glamour de Outros Tempos Não Regressou a Hollywood

A entrega dos Globos de Ouro referentes ao ano de 2022 realizaram-se ontem. Após tantas polémicas e de um breve interregno, a HFPA regressou com a sua cerimónia de prémios que, nos anos dourados, chegou a concorrer em prestígio e importância com os Óscares e os Emmys. Hoje, os Globos de Ouro têm uma hierarquia diferente e demorará anos para recuperarem o vigor mediático de outros tempos (se é que alguma vez acontecerá). 

A cerimónia realizou-se a um dia de semana (algo que para os Estados Unidos não é incomum, já que há muitos eventos importantes que só se realizam à semana, exemplo disso são os Dias de Eleições que são sempre a uma terça-feira) e a cobertura mediática fora dos Estados Unidos foi praticamente inexistente, tendo sido atirada para notas de rodapé pelas principais redações e meios de comunicação. Mesmo nos Estados Unidos, os Globos de Ouro estão agora a nível mediático ao nível de prémios como os Prémios dos Sindicatos que,apesar de tudo, têm pelo seu historial e relevância social mais prestigio e, acima de tudo, melhor reputação. Há notícias é certo, mas basta olhar para os Trending Topics e Feeds das redes sociais para perceber que os Globos de Ouro passaram ao lado….com uma nobre excepção chamada Jennifer Coolidge. 

Coolidge, que até há bem pouco tempo era mais conhecida pela sua participação na saga “American Pie”, subiu ao palco para apresentar uma categoria e....para receber um Globo de Ouro pela sua performance na série “The White Lotus”. O público adora-a, sobretudo a nova geração que se apaixonou pelo seu carisma e pelo seu talento que esteve demasiado tempo escondido em Hollywood sob a sombra de uma personagem cliché. Está agora a receber a merecida atenção e foi ela que salvou os Globos de um apagão ainda maior, aliás se tem TikTok, Twitter ou Instagram em 100 publicações que lhe irão aparecer no feed sobre o evento, 90 deverão ser sobre o show que Coolidge deu e ainda sobre a merecida atenção que recebeu. 

À margem do Show Coolidge, os Globos de Ouro lá foram entregues sem grande pompa ou circunstâncias, apesar de, para surpresa de muitos, vários nomes sonantes da elite de Hollywood terem participado no espetáculo e aqui há que dar crédito a Brendan Fraser, ator nomeado pelo seu papel em “The Whale”. Em abono da verdade, Fraser disse sempre que não iria participar nos Globos e, aliás, foi mais longe ao dizer que nunca iria regressar à cerimónia. E se há ator que poderia precisar de publicidade é mesmo Brandon Fraser que, como se sabe, está a protagonizar um grande regresso ao topo, isto após anos de travessia no deserto mediático. Mas como Fraser disse à Variety, ele não é hipócrita e não consegue superar os erros e maus tratos que sofreu por parte da HFPA (sobretudo de alguns membros) no passado e, assim, optou por boicotar a cerimónia. Já outras estrelas que, no passado foram bastante críticas da HFPA, não adotaram a mesma atitude e marcaram presença, talvez por pressão dos estúdios ou por necessidade própria, mas certo é que o público tirou notas….

Em relação aquilo que talvez menos interessa temos pouco a dizer. E falamos dos vencedores dos prémios. “Os Fabelman” conquistou dois prémios – Melhor Drama e Melhor Realizador (Steven Spielber) – e acabou por ser um dos grandes vencedores da noite, isto a par de “The Banshees of Inisherin” que, inexplicavelmente, foi considerado pela HFPA uma comédia…..mas já estamos habituados a este nível de ridículo por parte de uma organização que continua a fazer todos os possíveis para nomear o máximo de filmes possíveis para trazer os seus astros às cerimónia...mesmo que isso signifique enquadrá-los em categorias sem sentido. Mas a obra de Martin McDonagh acabou mesmo por ganhar o Globo de Melhor Comédia ou Musical e também os de Melhor Ator numa Comédia (Colin Farrell) e Melhor Argumento. Outros grandes candidatos aos Óscares também saíram com prémios, nomeadamente “Tár” (Cate Blanchett -  Melhor Atriz – Drama) e “Babylon” (Melhor Banda Sonora). Austin Butler venceu o Globo de Ouro de Melhor Ator - Drama pela sua performance em “Elvis”, algo esperado até porque Brandon Fraser nunca o iria ganhar após as suas declarações polémicas. “Everything Everywhere All at Once”, um filme muito esquecido pela imprensa portuguesa mas sempre referenciado pelo Portal Cinema, provou que é candidato com duas conquistas na área de representação, tal como “RRR”, grande surpresa indie, que ganhou Melhor Canção Original, sendo este um filme que em breve iremos explorar  ao detalhe.

Se os Globos de Ouro são um barómetro fiável para os Óscares ou para outros prémios? Não…Mas fazem parte da época de prémios e, acima de tudo, darão alento mediático a vários filmes que ainda têm grandes esperanças de chegar aos Prémios da Academia, mais não seja porque as votações para as nomeações ainda decorrem entre os membros...e algumas vitórias/ nomeações podem influenciar a escolha final. Mas o que efetivamente fica para a história é um regresso dos Globos sem grande glória que mostra que a HFPA ainda tem um longo caminho a percorrer na jornada da reabilitação...mas não será a considerar um drama como comédia que isso irá acontecer.

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