Crítica - The Amazing Spider-Man (2012)

 
Realizado por Marc Webb
Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary

O mínimo que se pode dizer é que “The Amazing Spider-Man” suscitou muitas dúvidas. Aquele anúncio totalmente inesperado de que a saga de Sam Raimi iria ter um fim abrupto e de que a célebre história do jovem aracnídeo iria ser alvo de um reboot deixou muito boa gente de pé atrás. Afinal de contas, não seria demasiado cedo para iniciar tudo de novo? O Spider-Man de Sam Raimi estava ainda muito fresco na memória de todos. Assim sendo, não seria uma decisão irrefletida dizer adeus a Tobey Maguire e companhia limitada para orquestrar uma nova versão do herói? Normalmente, este tipo de decisões oriundas dos manda-chuvas dos grandes estúdios acabam mal e porcamente, muito graças ao objetivo primordial que lhes deu origem: única e exclusivamente fazer dinheiro. E este parecia ser um caso exemplar dos administradores dos estúdios a meterem o nariz onde não são chamados. Por aqui, temos de admitir que sempre desconfiámos um bocadinho deste reboot, precisamente por ele ter todo o ar de ser excessivamente precoce. Mas o que é certo é que tudo acabou por correr da melhor maneira, quiçá contra todas as expectativas. “The Amazing Spider-Man” revela-se um produto de entretenimento de elevadíssima qualidade, surpreendendo tudo e todos com a sua abordagem mais realista e terra-a-terra das aventuras de Peter Parker. E para este resultado muito vale a visão descontraída de Marc Webb, bem como a química que existe entre Andrew Garfield e Emma Stone.

 

O filme original de Sam Raimi mostrava-nos um Peter Parker já muito próximo da idade adulta, prestes a terminar os estudos básicos para entrar na universidade e numa fase da vida mais independente. Este “The Amazing Spider-Man” não tem pressa em abordar a maturidade do herói, inserindo-o num contexto de escola secundária e recusando-se a tirá-lo desse contexto. Já todos conhecem a história de como o tímido e enfezado Peter Parker se transforma no ágil e confiante Spider-Man. Numa visita de estudo aos laboratórios da Oscorp (a empresa multimilionária de Norman Osborn), Parker (Andrew Garfield) é acidentalmente picado por uma aranha geneticamente modificada e a sua vida altera-se radicalmente. Aos poucos, ele descobre capacidades extraordinárias e ganha confiança através delas, passando a fazer frente aos colegas que costumavam importuná-lo nos intervalos das aulas. Porém, essa atitude mais emproada leva a que o seu tio Ben (Martin Sheen) seja assassinado por um vulgar larápio de rua e Peter compreende que tem de usar os seus novos poderes para proteger a população. Saído da casca, o rapaz capta também a atenção da bela Gwen Stacy (sempre carismática Emma Stone), iniciando uma relação de intimidade com ela. Mas os problemas surgem quando o Dr. Curt Connors (Rhys Ifans) se injeta com um soro que deveria reconstruir o seu braço direito amputado, dando origem a uma mutação genética que o transforma num lagarto gigante. E com esta criatura a aterrorizar a população local, Peter não tem escolha senão vestir o fato de Spider-Man e lutar pelo bem-estar (e pelo reconhecimento) dos seus conterrâneos.

 

Não deixa de ser curioso que o filme que apresenta o vilão mais animalesco e inverosímil seja o filme que usufrui de um ambiente mais realista e, para todos os efeitos, credível. Sam Raimi ofereceu-nos um Spider-Man a roçar o fantástico, talvez mais fiel à banda-desenhada mas também mais difícil de se identificar com o grande público. Marc Webb tem o condão de nos apresentar um Spider-Man extremamente humano e de atitudes palpáveis. Peter Parker é neste filme um rapaz muito mais próximo de qualquer rapaz tímido e atormentado da vida real, tornando tudo o que se passa em seu redor muito mais crível e natural. As personagens do Spider-Man de Raimi tinham uma certa aura de cosplay, como se fossem personagens cerradas num estereótipo e num modo de atuar artificial que as afastava da realidade. As personagens deste reboot são mais naturais, mais acessíveis, mais próximas do cidadão comum. A fantasia de Raimi trazia magia ao mundo do aracnídeo, mas trazia também algum irrealismo e algum patriotismo patético que apenas infantilizava toda a trama. Um pouco à imagem do que Christopher Nolan fez com o Cavaleiro das Trevas que dá pelo nome de Batman, “The Amazing Spider-Man” insere o aracnídeo num cenário de (quase) absoluto realismo, mostrando-nos o que poderia acontecer se o herói do fato azul e vermelho existisse mesmo. Webb não manipula a transição entre a comédia e a ação tão bem como Raimi. Mas, para compensar essa falha, filma tudo com um sentido de realismo muito apurado, oferecendo-nos cenas de ação de cortar a respiração e diálogos entre personagens simplesmente deliciosos

.  

Andrew Garfield convence mais do que Tobey Maguire no fato (e na pele) de Spider-Man, assim como Emma Stone perfaz um interesse amoroso bem mais carismático e interessante do que a Mary Jane de Kirsten Dunst. E o Lizard de Rhys Ifans é o vilão mais bem conseguido até ao momento, dando água pela barba ao herói e exalando uma aura de ameaça que nem Venom conseguiu atingir em “Spider-Man 3”. Claro que, ainda assim, não é um filme perfeito. Peter Parker transforma-se em Spider-Man demasiado depressa, já que numa cena ainda é um zé-ninguém e na cena seguinte já é um herói que toda a população parece conhecer. Era preciso mais tempo para fazer essa transição de uma forma mais equilibrada, mas compreende-se a necessidade de acelerar o passo numa obra com mais de duas horas de duração. A personagem de Denis Leary beneficiaria também de mais algum tempo de antena, pois não tem o aprofundamento que merecia e seria interessante explorar mais a fundo a relação do aracnídeo com as forças de autoridade. Porém, como um todo, “The Amazing Spider-Man” é um filme bastante satisfatório. A nível técnico é quase perfeito, a nível dramático pouco deixa a desejar, e só é pena que termine quando tudo começa a ficar deveras interessante. Bravo. Ficaremos à espera da inevitável sequela. 

  Classificação – 4 Estrelas em 5

16 comentários:

  1. Gostei desta critica, no entanto apenas existe um aspecto em que não concordo muito. Em relação a vilões creio que o Dr. Octupus do Spiderman 2 está ao mesmo nível ou até mesmo a um nível superior que o vilão deste filme. Este filme também está bastante mais fiel aos comics que os outros, no entanto não deixei de gostar da outra triologia.

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  2. À excepção do elenco, que é em todos os aspectos superior ao da trilogia, e a um ou outro momento com sentido de humor, achei o filme uma decepção. A cena do Spider-Man a salvar o miúdo do carro a arder é ridícula; a cena em que os trolhas de Nova Iorque ajudam todos o Spider-Man é simplesmente parva; a cena da morte do Agent Stacy é do pior que há (pensei que já fosse tão cliché, tão cliché que tivesse caído em desuso, mas afinal não); a facilidade com que o Peter ultrapassa a promessa que lhe fez leva a um grande "wtf?". E o filme é demasiado longo. No fim de contas, foi de facto cedo para um reboot e esteve muito longe de marcar pela diferença. Enfim, opiniões.

    V.

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  3. Boa crítica. Subscrevo-a na íntegra. É um filme excelente. Andrew Garfield é perfeito, ao contrário do Tobey que foi o maior erro de casting da história do cinema.
    Não concordo com o "Anónimo/V." quanto à cena "dos trolhas de Nova Iorque". Boa parte da mística das personagens do Homem-Aranha sempre passou pela presença da população anónima. É certo que a cena é um pouco forçada do ponto de vista do realismo, mas... é cinema! :)

    Jorge

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  4. Boas, para mim que adoro o Homem Aranha, e que quando saiu em 2002 o primeiro filme adorei-o e aos seguintes, se esses não existissem este era excelente, mas como existem este é simplesmente bom.
    E estou plenamente de acordo com os comentários do anterior comentador, e para mim a química do anteriores protagonistas é muito superior como tudo o resto a este, claro que não é prefeito para este gênero de filme, para isso temos o Batman de Nolan, mas esses estão inseridos no DC Comics Dark e este na Marvel mais aconselhado para todas as idades.
    Mas gostos não se discutem, como por exemplo eu adorei o último Super-homem e o primeiro Hulk do Ang Lee e pelos vistos devo ter sido dos únicos.
    Continuem com o excelente trabalho, adoro este site.

    Pedro Moutinho

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  5. Estou de acordo com o anónimo V e não do Jorge.

    Pedro Moutinho

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  6. O Dr. Octopus de "Spider-Man 2" será o que mais se aproxima deste Lizard em termos de impacto visual e dramático, mas eu gostei mais do vilão deste filme. É mais feroz e ameaçador, constituindo um verdadeiro desafio para o herói.
    A cena dos trolhas era, de facto, escusada. É o tal patriotismo pateta que aparece em todos os Spider-Man. Até aparece (como de costume) a bandeira dos Estados Unidos em pano de fundo. Porém, neste filme é a única cena pateta e escusada de que me recordo. Na trilogia de Sam Raimi havia muito mais cenas deste género. E muito menos discretas...
    Ao fim e ao cabo, em termos de qualidade cinematográfica, este "The Amazing Spider-man" não está muito longe dos dois primeiros filmes de Raimi sobre o aracnídeo. Mas se tivesse que escolher um, escolhia definitivamente este de Marc Webb.

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  7. Ficou surpreendido com a crítica ao filme. Sinceramente esperava muito mais do filme. Para mim estava fraquinho, saí da sala a perguntar: "Era isto?" Agora a minha atenção e ansiedade ja está focada no Dark Knight Rises...

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  8. Eu vinha aqui fazer uma crítica, mas entretanto o Anónimo V, roubou-me totalmente as palavras... so much win!

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  9. Realmente acho graça aqueles que veêm um filme e vêm comentar outros!
    Isto é uma crítica ao Homem-Aranha e não ao hulk, batman, superhomem e afins.

    Criticam negativamente e depois dizem que 'é bom', não entendo!


    pffff.....

    AE.

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  10. Também acho graça, que, pelo menos eu critiquei o filme e falei de cinema, você só falou mal e não foi de filmes mas de um comentador.
    Eu moro num país livre por isso...
    Eu gostei do filme, mas por ser um reboot é normal e perfeitamente admissível falar dos outros filmes do herói, mas acho os outros muito melhores do que este, é difícil perceber a diferença? Em relação a mencionar as outras fitas foi só para reforçar o que queria exprimir, não vou pedir desculpa por o incomodar.
    E pelos menos identifico-me.
    Não perca tempo a responder, porque não tenho mais nada a dizer a um ressabiado com o mundo.

    Bons filmes
    Pedro Moutinho

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  11. O filme não presta e para mim enquanto continuar com este novo autor o Spider-Men acaba no 3.

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  12. Boa Tarde,

    Quanto à identificação pessoal, esse comentário não será somente para mim, mas para cerca de 80% dos comentadores deste site, atrás diz que é a favor do comentador V., sem criticar o anonimato, comigo critica, não entendo.

    Você assina porque quer e lhe apetece, ganha o mesmo se assinar ou não, deve ser para procuras externas ao site só pode. Não o confunda com um web chat.

    Não percebo o porquê do insulto, deve ser daqueles que a sua opinião é que conta e que o mundo gira à sua volta, ou mais um frustado com a vida, só pode, ou então daqueles que faz dos outros a sua opinião, em suma sem carácter.

    Já ressabiado penso que esse adjectivo não é o mais indicado, pois eu sinto-me bem com o Mundo, com a minha família, com a vida... Ja você não sei...!!


    Aqui a crítica é sobre o homem aranha, não interessa se gosta do batman e afins, quer comentar esses filmes, vai à página das críticas e comenta, para isso é que a administração do site cria as páginas singulares para cada filme, senão ficavam aqui os comentários gerais sem sentido crítico, mas insultuoso como o seu.


    Pela crítica deve ser cineasta de profissão, só pode, já esse português é um exemplo de escrita, humilhante para a nação, vê-se logo quando se começa uma crítica com a palavra 'Deveras interessante', aqui está o problema de assinar as críticas, vê?? E esse comentário do filme 'Prometheus' quase que tive que ir buscar o dicionário.

    Quanto à parte de não me dar ao trabalho de comentar não entendo, deve fazer parte da administração do site, ou então ser um General, em que a palavra é ordem.

    AE.

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  13. Esta frase é um exemplo:

    'E estou plenamente de acordo com os comentários do anterior comentador, e para mim a química do anteriores protagonistas é muito superior como tudo o resto a este'

    Que português fantástico, sem dúvida!

    Ora se formos ler, o anterior comentador é o Jorge, o qual diz que gosta neste comentário, e no seguinte diz que não é a favor.

    lol.

    AE.

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  14. Gostei muito do filme. E não estava nada à espera de gostar. Por isso, foi uma boa surpresa.

    Acaba por ser inevitável comparar este filme à saga de Raimi, e eu não sou capaz de por um acima do outro.
    Achei que este estava muito mais próximo da BD do que a primeira triologia, tanto com o romance com a Gwen Stacy, como com a própria personalidade do Peter Parker enquanto Spiderman.

    Em relação ao vilão, gostei deste, mas, ainda assim, pareceu-me que não chega nem perto ao que foi o Dr. Octopus, o melhor na minha opinião. No entanto, comparar o Lizard com o Venom de Raimi não faz o mínimo sentido e torna-se injusto para com o lagarto, já que o simbionte (talvez o maior vilão do aracnídeo) esteve muito mal representado no filme (não teve nem metade da mística que tem na BD).

    Para concluir, tenho de dizer que senti falta da celebre frase "with great power comes great responsibility".

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  15. O maior vilão do aracnideo é e sempre será Duende -verde e quem acompanha os HQ`s sabe disso!!!
    Quanto filme ,me surpreendeu e aprovei 100%

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  16. Em termos de cinema, o vilão que mais "preencheu" o ecrã foi até ao momento, o Doctor Otto Octavius do Spider-Man 2! Gostei deste filme, no entanto o vilão não está tão fantástico, em especial o seu plano. O que o vilão pretendia, nunca foi muito bem explicado!

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