Crítica - Extremely Loud & Incredibly Close (2011)

Realizado por Stephen Daldry
Com Sandra Bullock, Max von Sydow, Tom Hanks

É difícil de explicar a lógica por detrás da nomeação deste mediano "Extremely Loud and Incredibly Close" ao Óscar de Melhor Filme da 84ª Edição dos Prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos da América, quando filmes muito melhores como “Drive”, de Nicolas Winding Refn; “Tinker Tailor Soldier Spy”, de Tomas Alfredson e “Melancholia”, de Lars von Trier foram ignorados. É verdade que esta obra de Stephen Daldry tem alguns méritos mas globalmente não é um filme merecedor desta nomeação que foi muito contestada pela crítica internacional que, tal como eu, não vê nada de extraordinário neste básico melodrama que nos conta a história de Oskar Schell (Thomas Horn), um curioso rapaz de onze anos que após encontrar uma misteriosa chave que pertencia ao seu pai, que morreu no 11 de Setembro no Wall Trade Center, embarca numa excepcional viagem por Nova York para encontrar a fechadura que ela abre na esperança de encontrar uma última mensagem do homem que ele considerava ser o seu melhor amigo. Ao longo da sua aventura pela cidade, Oskar encontra uma grande variedade de pessoas que o vão ajudar a encontrar aquilo que ele procura e que lhe vão ensinar a viver a vida de uma maneira diferente.


O enredo deste filme é baseado no homónimo trabalho literário da autoria de Jonathan Safran Foer, um famoso bestseller norte-americano que infelizmente não foi alvo de um tratamento muito feliz ou eficaz por parte de Eric Roth (Guionista) e Stephen Daldry (Realizador), dois homens muito experientes e com currículos invejáveis que transformaram esse belo romance num meloso melodrama que nunca nos envolve e raramente nos comove. "Extremely Loud and Incredibly Close" aborda muito levemente o 11 de Setembro, muito embora este esteja sempre omnipresente, e nunca nos fala sobre os seus nefastos efeitos para a sociedade norte-americana, assim sendo, não estamos propriamente perante um filme sobre uma das maiores tragédias dos últimos anos mas sim perante uma obra que aproveita este fatídico evento para nos contar uma história sobre a superação do luto e tristeza, história essa que tem como protagonista um sonhador mas relativamente irritante menino de onze anos que embarca numa idealista aventura citadina na tentativa de diminuir a sua tristeza e manter viva a memória do seu falecido pai. O problema desta aventura é que está recheada de cenas piegas sem muito sentido ou valor que não nos transmitem nada de muito relevante, transformando-a desta forma num vazio festival de lamechices que roça muitas vezes o tédio e o ridículo. No meio de tanta frivolidade melodramática encontramos, ainda assim, dois ou três momentos muito interessantes que conseguem captar a bela essência do livro e que se afastam do dramatismo excessivo que afecta o resto do filme ao abordarem, de forma séria e adulta, a difícil dinâmica das relações afectivas que Oskar mantém com a sua mãe e com um misterioso homem mudo que decidiu auxilia-lo na sua aventura, mas também a tristeza que ele ainda sente pela morte do seu pai e pelos remorsos que tem por não o ter apoiado quando ele mais precisava. A somar a isto tudo temos uma anticlimática conclusão que fica muito aquém das expectativas e que deixa muitas perguntas sem resposta. Será que Oskar sofre do Síndroma de Asperger? A questão é levantada no inicio do filme mas nunca é respondida, no entanto, o livro também não nos fornece essa resposta que parece aberta à interpretação do espectador.


Um dos principais responsáveis pelas falhas e excessos desta obra é Stephen Daldry, um realizador muito experiente que desta vez excedeu-se com as suas análises melodramáticas sobre a condição humana. O cineasta britânico conferiu um ambiente demasiado carregado a este filme que merecia ter sido alvo de uma abordagem mais alegre e esperançosa, no entanto, tecnicamente "Extremely Loud and Incredibly Close" até tem algum valor, sendo de destacar os belos planos da “cidade que nunca dorme” ou os vários contrastes de cor entre o colorido vestuário da personagem principal e os vários tons de cinzento que caracterizam as ruas nova-iorquinas. Se a nomeação deste drama ao Óscar de Melhor Filme foi injusta, o mesmo não se pode dizer da de Max von Sydow ao Óscar de Melhor Actor Secundário. Sem dizer uma única palavra, Sydow convence-nos com a sua energia e expressão fácil que exterioriza tudo aquilo que a sua personagem sente. O jovem Thomas Horn também não está mal, mas uma personagem tão complexa como a sua merecia um actor um pouco mais experiente e afável. Sandra Bullock e Tom Hanks não entram em muitas cenas e nunca conseguem mostrar o seu real valor, acabando por isso por não acrescentar nenhum valor extra a este “Extremely Loud and Incredibly Close", um filme muito sobrevalorizado pela Academia que até deriva de uma boa ideia, no entanto, Stephen Daldry não a soube aproveitar nem conseguiu criar um filme que faça justiça ao livro de Jonathan Safran Foer.

Classificação – 2,5 Estrelas Em 5

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