Crítica - Attack the Block (2011)

Realizado por Joe Cornish
Com John Boyega, Jodie Whittaker, Alex Esmail, Nick Frost

Mais conhecido pelo seu trabalho enquanto argumentista (só para dar um exemplo, foi o argumentista do recente “The Adventures of Tintin”, da dupla Steven Spielberg/Peter Jackson), Joe Cornish estreou-se na realização com esta longa-metragem de tom cómico e satírico sobre um bando de extraterrestres que invade um bairro social de Londres. “Attack the Block” recebeu vários prémios nos festivais de cinema por que foi passando e marcou também presença no último Fantasporto, onde teve honras de antestreia nacional. Assim sendo, esperava-se que fosse uma obra minimamente credível e interessante. E, em boa verdade, até consegue fazer uma crítica mordaz ao modo de pensar e de actuar das novas gerações britânicas, para além de apresentar duas ou três cenas de algum arrojo fora do vulgar e criaturas extraterrestres bastante originais. Porém, no seu todo, “Attack the Block” acaba por não funcionar inteiramente, desabrochando como um filme para entreter jovens aborrecidos e pouco mais.


A narrativa dá-nos a conhecer o típico grupo de jovens delinquentes com propensão para grandes encrencas. Moses (John Boyega) é o líder do grupo. Rebelde e durão quanto baste, diverte-se a assaltar jovens isolados nas esquinas obscuras do bairro e incita o bando a comportar-se como se fosse dono do mundo. Numa noite como tantas outras, depara-se com uma estranha criatura selvagem que lhe provoca alguns ferimentos. E para manter a sua posição de macho alfa do grupo, não descansa até encurralar a criatura num beco sem saída e tirar-lhe a tosse sem pensar duas vezes. Todo contente com o grande feito, regressa descansado da vida ao bloco de apartamentos onde todos vivem para dar por terminado mais um dia de parvoíce. Mas as coisas começam desde logo a complicar-se quando o bando percebe que está a ser perseguido por criaturas bem mais ferozes e corpulentas que a anterior. Criaturas aparentemente extraterrestres, que querem a cabeça de Moses como forma de pagamento pelo que ele fez ao membro mais enfezado do grupo alienígena invasor…



“Attack the Block” quase que pode ser resumido a isto: grupo de delinquentes terrestre contra grupo de invasores alienígenas. A fórmula é simples: a personagem principal mata um dos extraterrestres sem saber bem o que estava a fazer e as restantes criaturas do espaço decidem vingar-se antes de consumarem a sua invasão alienígena. A junção de jovens sem nada na cabeça com extraterrestres em formato de orangotango de boca azulada poderia ser bastante interessante, na medida em que dava azo a bons momentos de comédia descomprometida. Porém, “Attack the Block” acaba por deixar a audiência verdadeiramente indiferente, muito graças a um fio narrativo demasiado forçado e a ligações entre personagens que não convencem de todo. A conceptualização dos extraterrestres e a crítica subtil ao modus operandi dos grupos insurrectos tornam-se facilmente os únicos pontos realmente positivos da película. É certo que Londres é filmada como um local terrivelmente frio e inseguro, o que nos deixa relativamente inquietos e com medo de sair à noite. É certo que Joe Cornish filma tudo com uma energia admirável e com um sentido de humor tipicamente britânico. Mas “Attack the Block” opta pela direcção errada ao transformar os gangsters de língua afiada numa espécie de heróis salvadores da pátria, como se a delinquência fosse o caminho certo a seguir numa sociedade cada vez mais podre e deficitária. Obviamente que isso não é reconfortante, nem sequer minimamente credível. O que transforma esta obra num produto de entretenimento fácil e esquecimento garantido.

Classificação – 2,5 Estrelas Em 5

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