Crítica - Lawless (2012)

Realizado por John Hillcoat
Com Gary Oldman, Guy Pearce, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Shia LaBeouf, Tom Hardy

Segundo consta, “Lawless” foi recebido com uma grande ovação de aplausos no Festival de Cannes 2012, onde foi exibido pela primeira ver para a imprensa e para o grande público. Eu considero esta receção/ reação efusiva um pouco exagerada porque, apesar de estar longe de ser uma obra digna de apupos ou críticas negativas, não é propriamente um filme espetacular. O trabalho de realização de John Hillcoat é, como se esperava, de grande qualidade, podendo o mesmo ser dito, por exemplo, da grande maioria dos seus elementos técnicos e da performance coletiva do seu elenco, no entanto, existem várias coisas no seu argumento que não nos conseguem cativar ou encher as medidas, como o fraco retrato socioeconómico que é feito dos conturbados anos da Lei Seca ou então, a forma simplista e algo grosseira como é explorada a dinâmica social, familiar e criminal dos Irmãos Bondurant. O seu enredo é então baseado na história verídica da Família Bondurante, um pequeno grupo familiar de traficantes de álcool que montaram uma operação ilegal de grande sucesso na Virgínia durante a Lei Seca. Este grupo é formado por três irmãos: Jack (Shia LaBeouf), Howard (Jason Clarke) e Forrest (Tom Hardy). Jack é o incontido irmão mais novo, que ambiciona transformar o pequeno negócio familiar numa operação de tráfico de grande envergadura. Ele sonha com roupas elegantes e armas poderosas, esperando com isso impressionar a bela e inocente Bertha (Mia Wasikowska). Howard (Jason Clarke) é o irmão do meio, o membro mais violento e leal da família. O seu bom senso dissolve-se regularmente no álcool que não consegue recusar. Forrest (Tom Hardy) é o mais velho, o chefe do grupo que continua determinado em proteger a sua família das novas regras impostas por um novo mundo económico. Quando a solitária e misteriosa Maggie (Jessica Chastain) chega à cidade à procura de trabalho, ele toma-a sob a sua proteção e começa a questionar-se se ela tem potencial para ser a mulher da sua vida. Os três irmãos estão sozinhos contra uma polícia corrupta, uma justiça arbitrária e gangsters rivais, mas nada os vai impedir de travarem uma luta para permanecerem no seu próprio caminho durante a primeira grande corrida ao ouro do crime.


Ao nível dos elementos técnicos, “Lawless” não tem grandes falhas de relevo, mas tem muitos pontos positivos que têm que ser destacados. Um desses elementos de luxo é a hábil direção de John Hillcoat, um cineasta com provas dadas que, com um trabalho de câmara sem falhas e uma incrível atenção aos detalhes, conferiu a este thriller de ação um substancial primor visual/ técnico que salta à vista de qualquer um. Este talentoso realizador também conseguiu apimentar o conteúdo desta produção graças à inclusão de várias sequências relativamente violentas e dramáticas/ emotivas que, para além de incutirem um ritmo mais acelerado ao filme, conseguem cativar o interesse e atenção do espetador. É também necessário indicar os elementos cénicos, visuais e sonoros que se enquadram perfeitamente com a época em que se desenrola esta obra, mas também com o seu peculiar espirito cinematográfico. O elenco de “Lawless” exibe-se a um bom nível coletivo. Os conhecidos Gary Oldman, Guy Pearce, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Shia LaBeouf, Tom Hardy têm todos trabalhos razoáveis, mas nenhuma destas grandes estrelas tem uma poderosa performance, algo que demonstra na perfeição a robustez do desempenho coletivo. O único ator que não tem assim um grande trabalho é Jason Clarke, que está sempre muito apagado e pouco ativo no ecrã.


A meu ver, “Lawless” tem um argumento imperfeito que é, mesmo assim, minimamente empolgante e complente, no entanto, nota-se que falta alguma substância e desenvolvimento à trama. Eu não conheço o livro que está na base do enredo, "The Wettest Country In the World", de Matt Bondurant, mas no final de “Lawless” ficamos com a ideia que muito ficou por contar e que o que realmente interessa são os momentos físicos de ação e violência que rodeiam o dia-a-dia dos Irmãos Bondurant, três personagens que acabamos por nunca conhecer muito bem, já que o seu envolvimento na trama resume-se a violentas confusões com rivais e homens da lei ou então a breves romances sem muito contexto ou interesse. No fundo, “Lawless” preocupa-se apenas em explorar ao pormenor o desenvolvimento da violenta e birrenta rivalidade entre os três irmãos e um agente especial corrupto, logo fica praticamente sem tempo para levar a cabo uma análise, subjetiva ou objetiva, minimamente interessante à sociedade norte-americana da altura, ou até para abordar com um maior pormenor a dinâmica familiar e social dos irmãos. A falta de tempo e espaço também impediu que algumas personagens bastante complexas e apelativas como Floyd Banner (Gary Oldman), Howard Bondurant (Jason Clarke) e Charlie Rakes (Guy Pearce) tivessem uma maior intervenção no filme, algo que é especialmente irritante no caso da personagem do veterano Gary Oldman, que dá vida a um gangster bastante duro e violento que representa alguns dos mais fortes ideias criminais da época. É por causa destas fragilidades narrativas que “Lawless” é apenas um filme razoável. Se não fosse por isto, não duvido que esta obra seria um dos melhores filmes de gangsters e contrabandistas dos últimos anos.

 Classificação – 3 Estrelas em 5

1 comentários:

  1. LOL comecei a ler percebi logo quem estava a escrever...gostava de saber quais o que tem mais cotação de crítica, é um filme para 4 estrelas...tem cenas um pouco estranhas mas um elenco à altura bem como uma boa reprodução da época!

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