Crítica - The Words (2012)

Realizado por Brian Klugman e Lee Sternthal
Com Bradley Cooper, Dennis Quaid, Olivia Wilde

À primeira vista, “The Words” parece ser um thriller pródigo e inteligente, mas por detrás desta enganadora imagem de complexidade está um filme falacioso e extremamente desordenado que não é tão cativante ou astuto como parece. É bastante difícil de encontrar alguma coisa de positivo nesta obra aparentemente profunda, até porque é praticamente impossível ignorar os vastos e irritantes problemas da sua pobre narrativa e da sua péssima direção que, curiosamente, são da inteira responsabilidade de Brian Klugman e Lee Sternthal, os grandes culpados pelo emaranhado desastre que é este filme, que de francamente positivo só tem a sua premissa.


Quando Rory Jansen (Bradley Cooper) publica o seu primeiro livro dá-se um daqueles momentos raros, uma vez em cada geração, em que o mundo literário e a imaginação do público são tocados em simultâneo. O livro é elogiado por todos e está em toda a parte, algo que torna o seu carismático, inteligente, talentoso e jovem autor numa estrela literária imediata. A vida de Rory é praticamente perfeita, afinal de contas ele tem uma vida luxuosa, uma mulher adorada (Zöe Saldana) e o mundo das artes aos seus pés, mas todo este sucesso deve-se apenas às suas palavras que aparentemente têm uma origem dúbia. No pico do seu sucesso, um Homem Misterioso (Jeremy Irons) descobre Rory e confronta-o com a revelação de que é ele o verdadeiro autor do romance. O homem conta-lhe as belas mas trágicas memórias da sua juventude na Paris do Pós-Segunda Guerra Mundial que levaram à criação do livro. Vendo que um outro homem pagou o preço da verdade e da visão da história, Rory é levado a confrontar as questões essenciais da criatividade, da ambição e das escolhas morais que tomou. Escrita como uma história dentro de outra história, a vida de Rory é também ela uma criação ficcional. Por detrás, está a verdadeira personalidade literária de Clay Hammond (Dennis Quaid). Persuadido por uma bela e perspicaz estudante (Olivia Wilde) a falar sobre o verdadeiro significado do seu romance, não consegue deixar de dar pistas sobre a relação entre a história e o seu próprio segredo do passado.


A base narrativa de “The Words” tem um certo charme intelectual, mas a sua confusa e ultramelodramática trama nunca desenvolve as tentadoras características da sua forte e curiosa premissa, que acaba por nos elucidar mais do que a própria conclusão. Ao todo, “The Words” aborda três histórias diferentes que desiludem ao nível do seu conteúdo e clareza intelectual. É até fácil de compreender os traumas e dilemas dos três intervenientes centrais de cada história, mas já é mais difícil de perceber a relação que existe entre eles, muito embora sejam dadas algumas pistas que nos permitem formular algumas teorias que nunca são oficialmente confirmadas pelo filme. As três histórias têm no entanto alguns elementos com potencial que infelizmente nunca fazem justiça à sua possível qualidade, muito por culpa da já referida pobre construção e arrumação do argumento, mas também por causa da exagerada presença de supérfluas e dispensáveis sequências dramáticas ou românticas, que conseguem anular e ofuscar qualquer possibilidade de qualidade com os seus estereótipos e pretensiosismos melodramáticos que nos dizem muito pouco. É difícil de evitar concluir que a ambição desmedida de Brian Klugman e Lee Sternthal matou qualquer hipótese que este filme tinha de surpreender ou maravilhar o público, porque o seu super-subjetivo enredo dá claramente a entender que eles queriam fazer um filme inteligente e complexo, mas acabaram por criar uma obra díspar e pseudo-inteletual que falha nas pequenas coisas. Um pouco mais de simplicidade teria melhorado imenso esta obra, quer ao nível do enredo quer ao nível da realização, que nos afoga em planos demasiado pensados e pouco naturais que reforçam ainda mais a artificialidade e falsa subtileza da história. Os menos culpados pelas fraquezas de “The Words” são os vários atores que compõem o seu elenco. É verdade que é agradável ver Bradley Cooper num papel sério, mas poucas coisas de positivo podem ser ditas sobre o seu desempenho que, apesar de ter alguma qualidade, é nitidamente afetado pelos problemas do argumento. Jeremy Irons e Dennis Quaid também sofrem do mesmo mal, apesar das suas respetivas personagens não terem tanto destaque como a do ator de “The Hangover” (2009) ou “Limitless” (2011). As meninas, Olivia Wilde e Zöe Saldana, exibem-se a um nível mediano, até porque não são mais do que bons acessórios românticos e dramáticos para os homens da história. Eu até aprecio filmes subjetivos que puxem pelo nosso intelecto, mas este não é claramente um desses filmes, muito pelo contrário, é uma produção repleta de falhas gritantes que muito dificilmente conseguirá entreter, convencer ou envolver quem o veja. 

 Classificação – 2 Estrelas em 5

6 comentários:

  1. Caro João Pinto,
    Gostaria apenas de dizer que acho a sua crítica completamente disparatada e sem razão de ser. Todos os pontos negativos em que você evidencia são eles que tornam este filme diferente. Por exemplo, se a relação entre os três intervenientes centrais de cada história fosse mais óbvia o filme perdia metade da "piada". E não entendo como pode afirmar também que "É difícil de evitar concluir que a ambição desmedida de Brian Klugman e Lee Sternthal matou qualquer hipótese que este filme tinha de surpreender ou maravilhar o público...".
    Não sei que filmes anda a ver ou então onde arranja a imaginação para fazer tal crítica, mas sugiro que pense duas vezes no que escreve.

    Obrigado

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  2. Discordo totalmente com tal critica.

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  3. Desculpe a franqueza, mas discordo completamente da sua opinião. Este filme não é para qualquer um... lamento a sua falta de sensibilidade.

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  4. Peço desde já desculpa mas tenho que concordar com os restantes intervenientes, o filme em questão é um dos melhores do género que vi nos últimos tempos, e apesar de as 3 historias nunca se tocarem directamente elas contem sempre algo em comum, o que leva a conclusão final do mesmo.

    penso que seja um filme que não agrade a todos mas que assim como o livro que retrata o filme merece a mesma avaliação, excelente

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  5. Não concordo totalmente com a crítica.. penso que é sim um filme complexo em que as três realidades se tocam discretamente.
    Concordo no facto de que poderia ter sido mais aprofundado, mas é essa superficialidade "propositada" que lhe dá um toque diferente... Um filme deve também provocar o trabalho do telespectador, para que este construa a história que deseja criar.
    Penso que é um filme de "words", em que cada um pode dar o seu toque e imaginação e construir a sua própria história!

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