Crítica - Jack Reacher (2012)

Realizado por Christopher McQuarrie
Com Tom Cruise, Rosamund Pike, Richard Jenkins, WernerHerzog

“Jack Reacher” não pretende exatamente competir com a saga “Mission: Impossible”. No entanto, as pontes de contacto entre estes dois universos são mais que muitas, a começar no nome do protagonista e a acabar na trama de conspiração em que um só homem limpa o sebo aos maus da fita e salva o dia. E a verdade é que “Jack Reacher” fica a perder quando é diretamente comparado com “Mission: Impossible”. Esta obra adaptada dos livros de Lee Child proporciona bons momentos de ação misturados com tiradas cómicas bem-sucedidas. O protagonista é um mimo para qualquer espectador que goste de personagens duras e frias, e Tom Cruise encarrega-se de emprestar elevadíssimas doses de carisma a esse mesmo protagonista, recolhendo facilmente o carinho e o entusiasmo da audiência. O problema é que a trama sofre de algumas deficiências que saltam à vista, mantendo-se no mesmo tom do início ao fim da película e jamais dando o salto para algo de verdadeiramente surpreendente, algo que realmente coloque o herói em apuros. E, apesar de dirigir a narrativa com competência e até com algum arrojo, Christopher McQuarrie dá tiros nos próprios pés ao levar a audiência a tomar conhecimento de factos a que as próprias personagens do enredo só mais tarde têm acesso. 

   

A película inicia a marcha com uma sequência deveras perturbadora, em que um homem desconhecido se arma de uma enorme espingarda de longo alcance e desata a disparar arbitrariamente sobre a população do outro lado do rio. Emerson (David Oyelowo) e a força policial à sua disposição iniciam de imediato a investigação do caso e depressa chegam à conclusão que o autor dos disparos é James Barr (Joseph Sikora), um ex-militar com feitio problemático e antecedentes criminais. Barr é capturado quase de surpresa e não mostra grande resistência à detenção. Mas quando chega a altura de confessar os seus atos, ele escreve a seguinte frase num pedaço de papel: “Tragam o Jack Reacher”. A partir desse instante, a polícia tenta por todos os meios encontrar este Jack Reacher (Tom Cruise), um ex-militar sem grande historial e mais difícil de encontrar que um fantasma de eras vitorianas. Mas é Reacher quem acaba por procurar a polícia de bom grado, pois tomou conhecimento do aprisionamento de Barr através da televisão e deseja falar com ele para ajustar contas do passado… 

 

Jack Reacher” não é mau de todo, possuindo todas as características que costumam agradar neste género de películas. É intenso, é violento quanto baste, tem bons momentos de comic-relief, possui sequências de ação originais e bem engendradas, e tem também uma trama suficientemente intrigante para manter o espectador colado à cadeira. Para além disto, tem Tom Cruise como protagonista e tem uma aura de negrume que McQuarrie bem soube aproveitar. De resto, no cômputo geral, pode dizer-se que McQuarrie fez um bom trabalho, pois apresentou uma película que equilibra muito bem a balança entre o puro divertimento e o policial com subtis traços de noir. O grande problema é que ficamos com a sensação de que o realizador subestimou a audiência. Ou se não subestimou, pelo menos não soube jogar com as cartas que tinha no baralho. Isto porque “Jack Reacher” tinha todos os componentes para adensar o mistério até ao fim e surpreender a audiência no último terço com revelações minimamente credíveis. Mas McQuarrie dá cabo disso tudo porque oferece gratuitamente as informações à audiência, retirando emoção ao enredo e tornando tudo fastidiosamente previsível. Há pelo menos dois grandes twists na intriga. Mas nunca chegam a ter o efeito desejado no espectador porque este toma conhecimento de tudo muito antes das próprias personagens desconfiarem de alguma coisa. O que resulta em momentos de enorme vazio emocional quando as personagens finalmente descobrem a verdade. O vilão de Werner Herzog é intrigante e perturbador, mas também nunca chega a afirmar-se como uma verdadeira ameaça para o protagonista, o que não abona a favor da película. Resumindo e concluindo, “Jack Reacher” é divertido e entusiasmante, mas tinha potencial para se tornar uma experiência cinematográfica bem mais compensadora e intelectualmente desafiante. 

Classificação – 3 Estrelas em 5

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