A Verdade Por Detrás do Sexo Explícito de Nymphomaniac

A presença do sexo no grande ecrã não é, propriamente, uma novidade. Na primeira metade do Século XX, era completamente impensável colocar alguma cena de sexo, por muito leve que fosse, numa longa-metragem com distribuição global, porque na altura imperavam as práticas morais rigorosas de uma sociedade já antiga, mas ao longo dos anos as políticas foram mudando e as mentalidades tornaram-se mais receptivas à modernidade e à banalidade do sexo, sendo por isso que, atualmente, quase todos os filmes direccionados a um público adulto apresentam, pelo menos, uma cena de sexo ou então a insinuação direta de atividade sexual. O sexo no cinema já se tornou portanto numa coisa banal e mundana, cuja presença dificilmente chocará alguém, até mesmo a pessoa mais puritana, já que a presença de atividades sexuais nas produções cinematográficas costuma restringe-se apenas a breves minutos muito inocentes e nada controversos, já que o sexo é normalmente retratado sem grande alarido, ou seja, essas sequências raramente assumem contornos pornográficos, sendo quanto muito classificadas de sequências "soft porn", ou seja, cenas presas ao género erótico onde o sexo é retratado com nudismo mas sem a exibição de penetração ou qualquer ato explícito de sexo, ou seja, estas cenas apostam mais no poder da sugestão e insinuação do que propriamente no ato explicito propriamente dito. É claro que, por vezes, alguns realizadores passam com os seus projetos as barreiras da insinuação e chegam a aproximar-se perigosamente da barreira pornográfica, já existindo até casos de realizadores que colocaram cenas bem explicitas e pornográficas nos seus filmes que, como é óbvio, nunca chegaram a receber uma distribuição ilimitada a nível global, porque apesar de tudo, ainda impera em Hollywood uma certa contenção moral e sexual, muito por causa das classificações etárias que, de certa forma, podem limitar gravemente a distribuição de um filme em solo norte-americano, causando assim graves prejuízos aos estúdios que, como se sabe, detestam perder dinheiro. 


Embora "Nymphomaniac"/ "Ninfomaníaca" esteja a receber muita atenção mediática por causa da sua abordagem explícita da atividade sexual, não se pode dizer que Lars Von Trier seja um pioneiro neste tipo de abordagem, já que no passado distante e até num passado recente, vários realizadores tomaram opções criativas semelhantes, mas é claro que pelo passado de Von Trier e por todos os elementos promocionais que têm sido divulgados, "Ninfomaníaca" tem atraído grande atenção do público e da imprensa, que acredito que não estejam curiosos apenas em relação ao sexo, mas sim em relação a tudo o que envolve este projeto com quatro horas de duração, mas o que importa aqui falar é mesmo da parte sexual, e como é que Von Trier a decidi filmar. 

É verdade que em "Ninfomaníaca" há várias sequências de sexo, uma explicitas outras ligeiramente mais contidas, onde as várias personagens do filme, nomeadamente a protagonista, envolvem-se nas mais variadas práticas sexuais, que vão desde o simples sexo oral, a coisas mais complexas como o sadomasoquismo. Embora Charlotte Gainsbourg, Willem Dafoe, Stellan Skarsgård, Shia LaBeouf, Jamie Bell, Christian Slater, Uma Thurman e Connie Nielsen sejam as principais estrelas de "Ninfomaníaca" e contribuíram por isso explicitamente, como os seus próprios corpos, para as cenas que envolvem nus integrais, não tiveram ainda assim qualquer envolvimento direto nas cenas mais explicitas que, efectivamente, existem nesta produção e foram gravadas por Von Trier. É verdade que todas estas estrelas participaram nas cenas e estiveram envolvidos na sua gravação, mas nenhum deles praticou, efetivamente, um ato sexual explicito com os seus colegas. Para incutir um maior realismo ao filme, Von Trier decidiu contratar atores pornográficos para gravar as cenas explicitas que pretendia incluir, tendo posteriormente utilizado várias técnicas computorizadas para substituir as caras e corpos dos atores porno, deixando apenas ficar os seus orgãos sexuais envolvidos nos atos de penetração. É claro que esta estratégia ajuda um pouco a quebrar a polémica de "Ninfomaníaca", mas outra coisa não se esperava de um filme com atores tão conhecidos como este, que por questões de segurança e até imagem pública, teve que seguir este rumo que, ainda assim, não retira qualquer valor a esta produção que não deixa por isso de ser mais ou menos erótica, apenas convém realçar que as sequências explicitas que existem também resultam da arte de ilusão e dissimulação praticada pelos grandes estúdios de Hollywood nos seus projetos, mas é claro que aqui essa arte foi levada a um extremo bem polémico que certamente está a aguçar a curiosidade de muitos espetadores. Já sabe, "Ninfomaníaca" estreia a 16 e 30 de Janeiro em Portugal. 

0 comentários:

Enviar um comentário

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial