Crítica - Alone in Berlin (2016)

Realizado por Vincent Perez
Com Emma Thompson, Brendan Gleeson

Os historiadores sempre nos disseram que, a partir de certa ponto, a maior parte do povo alemão estava contra as políticas di Regime Nazi de Hitler, mas que apesar deste descontentamento crescente nada fizeram contra as suas atrocidades por medo de represálias mortais. O povo alemão, como uma força coletiva, pode nunca ter feito nada, mas o que é certo é a História está repleta de corajosos alemães que ousaram enfrentar os Nazis e denunciar as suas mentiras. Uma dessas histórias de coragem é retratada "Alone in Berlim", onde somos apresentados à história de um casal de típicos cidadãos alemães cumpridores da lei que, em pleno apogeu da popularidade do Terceiro Reich, decidiram pôr em causa o poder nazi e enfrentar a sua propaganda.  
Baseado numa história verídica, "Alone in Berlim" transporta-nos portanto até Berlim em 1940,  altura em que o autoritário Regime Nazi de Hitler celebra a vitória sobre a França. O casal Anna e Otto Quangel, trabalhadores confiante até então no poder do Fuehrer, recebe a trágica notícia de que o seu único filho foi morto na frente de combate. Inconformados, Ana e Otto decidem optar por uma oposição aberta contra à guerra e, por arrasto, contra o regime. Por intermédio de táticas improvisadas de resistência aberta, Anna e Otto embaraçam publicamente os Nazis e acabam por cair de imediato na mira das temidas forças SS e Gestapo. levando-os assim a emergir numa jornada de sobrevivência, coragem e resistência.


Tal como se pode facilmente presumir, "Alone in Berlin" não tem um típico final feliz, mas acaba ainda assim por oferecer ao espectador uma cena final que moralmente oferece um certo sentimento de justiça poética. Esta parte final está até bem conseguida, mas ressalva-se que o desenrolar da jornada de Anna e Otto não é assim tão emocionante ou intenso como à partida pode parecer. O retrato da sua luta humilde contra os Nazis é bastante simples e acaba por não estar carregado por aquelas importantes ideias de cariz psicológico ou político, ideias estas que esperaríamos encontrar numa história com este potencial. Pode-se até dizer que "Alone in Berlin" é uma obra unidimenional e não tem, por esta mesma razão, aquela profundidade emocional e dramática que outras obras sobre a 2ª Guerra Mundial apresentam. 
Esta relativa secura dramática e dimensional diminui, como é obvio, o alcance da curiosa perspectiva de rebeldia social que é retratada, mas ainda assim o espírito da luta e dos valores de Anna e Otto ficam bem assentes. Os papéis deste casal são interpretados por dois atores de elevado calibre, Emma Thompson e Brendan Gleeson. As suas performances são um dos verdadeiros luxos deste drama semi-bélico, não sendo por isso de estranhar que os seus diálogos conjugais sejam das partes mais reveladoras e interessantes do filme. E tal se deve em parte às interpretações convincentes e carismáticas destes experientes atores que representam, em efetivo, um importante pedaço da alma deste projeto, assim como a direção muito técnica e cuidada de Vincent Perez. 

Classificação - 2,5 Estrelas em 5

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