E Agora Para Algo Completamente Diferente: Análise Crítica/Turística a Bruxelas (Bélgica)

Bruxelas, a capital do Reino da Bélgica e da União Europeia. Há poucas cidades na Europa que sejam tão belas e tão diversificadas como Bruxelas, talvez por isso tenha sido escolhida pela Comunidade Europeia para acolher os seus principais centros políticos, superando assim centros urbanos com um maior peso político, como Berlim, Roma, Paris ou Londres. O passado de Bruxelas é tão rico como a própria cidade, aliás a partir do Século XII tornou-se numa das principais metrópoles da Europa e alvo de cobiça por parte de vários países e personalidades. Entre as que a cobiçaram ao longo dos séculos está o famoso Rei Luís XIV de França que, no Século XVII, lançou uma enorme ofensiva contra a cidade com a esperança de a conquistar e torná-la em mais uma das jóias da coroa do Reino de França. Também Napoleão Bonaparte, Adolf Hitler e Guilherme I dos Países Baixos viram Bruxelas como uma das peças nucleares dos seus respetivos monopólios civilizacionais. O que é certo é que, apesar de toda a cobiça, Bruxelas resistiu a inúmeras guerras, ataques e desejos pessoais e ainda hoje está de pé, sendo uma das cidades mais fortes e belas da Europa, isto para além de ser a pérola do orgulho belga e um monumento à perseverança deste povo. 
Um dos motores económicos da cidade é o turismo. Por ano milhões de pessoas de todo o mundo visitam esta cidade que é servida por dois aeroportos, o Brussels Airport em Zaventem e o Brussels South Charleroi Airport em Charleroi, que acolhem por semana milhares voos vindos dos quatro cantos do mundo. E compreende-se a razão de ser uma importante atração turística para o mundo. Embora na teoria não seja uma daquelas cidades europeias de visita imperdível, como Paris ou Londres, o que é certo é que Bruxelas não fica nada atrás em relevância dessas metrópoles. E tal se deve à impressionante quantidade de coisas que esta tem para oferecer. 

OS LOCAIS DE INTERESSE

A experiência pessoal leva-me a concluir que, entre todos os monumentos e sítios de relevo da cidade, o seu principal atrativo é o clássico Grand Place. Evocativo do espírito de Bruxelas, o Grand Place que hoje podemos visitar é uma versão reconstruída após o ataque do Rei Luís XIV no Século XVII, ainda assim neste local respira-se história e beleza. O local é verdadeiramente imponente e quase que nos transporta para uma época mais medieval que evoca a tradição mercantil da Flandres. A praça do Grand Place está quase sempre adornada com qualquer tipo de decoração especial, sendo que por altura do Natal e do Festival de Natal da Cidade acolhe uma gigante Árvore de Natal que se enquadra na perfeição com o ambiente convidativo do local. Rodeado pelo Museu de Bruxelas, a Town Hall, a Breadhouse e, claro está, inúmeros Restaurantes, o Grand Place convida a uma visita aprofundada, quer de dia, quer de noite, já que o local é dotado de uma iluminação que mesmo à noite torna este local muito bonito. Este é o verdadeiro ex libris da cidade. Não se deixe enganar por quem diga que o Anatomium é que é o monumento de relevo de Bruxelas, porque não é, o Grand Place é que tem esse título.
Por falar em Anatomium, este é até a maior desilusão de Bruxelas. Para um monumento que é apelidado de Torre Eifel da Bélgica esperava-se mais. O edifício em si é imponente e pode até ser considerado uma maravilha arquitetónica, mas a nível turístico pouco tem a oferecer. É um bom sítio para tirar umas fotografias divertidas e emblemáticas, mas pouco mais. Este monumento, que foi construído por alturas da Expo 58, tem no seu topo um restaurante com vista privilegiada da cidade, mas devido à distância que este fica do seu centro histórico, não se pode dizer que a sua vista seja tão magnânima como a que a Torre Eifel oferece sobre Paris, por exemplo. O edifício em si acolhe exposições normalmente de cariz científico, mas se quer visitar um bom museu em Bruxelas, o Anatomium não pode entrar na sua lista de preferências, já que tais exposições são normalmente banais. Tal como já referi o Anatomium fica um pouco distante do centro de Bruxelas, sendo necessário apanhar o metro ou o autocarro para o visitar. É claro que a viagem vale a pena, mas prepare-se para ficar um bocado desiludido se tiver altas expectativas. 
Bastará uma curta visita ao Anatomium para o ficar a conhecer, portanto poderá aproveitar a viagem e o resto do tempo para visitar o Parque de Laeken e as Serres Royales, dois dos principais espaços verdes da cidade. Os dois estão muito bem cuidados e oferecem aos seus visitantes uma entrada livre e uma diversidade de flora muito fresca e interessante. Poderá também aproveitar para descobrir, no meio destes parques, o Palácio de Laeken e o Jardin de la Tour Japonaise, sendo que o primeiro terá que apreciar de longe já que se encontra, na maior parte do tempo, fechado ao público. A Mini-Europa, uma espécie de atração que tem maquetes de vários monumentos europeus, e o King Baudouin Stadium também se localizam nesta área.
No centro histórico de Bruxelas, para além do Grand Place, há também um sem número de praças, igrejas e edifícios importantes. Entre as igrejas destaque particular para três edifícios imponentes. A principal catedral da cidade é a St Michael and St Gudula Cathedral. Pode-se apreciar por dentro este belo edifício eclesiástico que ainda hoje recebe várias missas por dia. A sua arquitetura é belíssima e cheia de detalhes, sendo por isso a igreja que, no centro da cidade, é a que mais chama a atenção e apela a uma vista. Na periferia de Bruxelas localiza-se outra catedral imponente, a National Basilica of the Sacred Heart. Mas atenção que esta Basílica é até bastante recente e não tem uma elevada relevância histórica, mas a sua imponência arquitetónica chama a atenção, sendo um dos locais que se vê ao longe mal se chega à cidade. O problema é que fica muito longe do centro, ainda mais que o Anatomium, e não tem assim muitos acessos por via de transportes públicos. A terceira igreja de destaque é a Église Notre-Dame du Sablon, cuja construção data do Século XV e denota na sua fachada o estilo gótico e barroco da época. Também a Eglise Royale Sainte-Marie e a Sint-Katelijnekerk são dignas de uma visita. 
Também no centro da cidade encontram-se uma série de museus importantes que fazem de Bruxelas uma atração especial. Entre os mais notórios encontram-se o Museu da Cidade, que fica no Grand Place, o Palácio das Belas Artes e o Museu de Instrumentos Musicais. Um pouco mais longe ficam quatro museus igualmente emblemáticos: o Museu da Banda Desenhada, o Museu dos Comboios, o Museu Real das Forças Armadas e o Museu do Carro (AutoWorld). Estes dois últimos ficam localizados no Parque do Cinquentenário, outra importante zona verde da cidade que se destaca pela sua beleza verdejante e, claro está, pelo Arco do Triunfo de Bruxelas, o Les Arcades du Cinquantenaire. É um monumento gigante, devidamente adornado com uma gigante bandeira da Bélgica, que se assemelha bastante ao famoso Brandenburg Gate de Berlim. Tal arco foi construído para comemorar o 50ª Aniversário da Independência da Bélgica. Já se for ao Museu da Banda Desenhada terá que passar, forçosamente, pela Rue Neuve, uma popular rua cheia de lojas e muito movimentada que, especialmente ao final da tarde, merece ser visitada. 
Se está pelo centro histórico de Bruxelas não pode deixar de ver o Manneken-Pis, uma pequena estátua que de certa forma se tornou no símbolo da rebeldia artística de Bruxelas. A estátua em si é pequena, mas devido à sua relevância cultural não deixe de passar por ela para tirar uma foto marcante, juntamente com outras centenas de turistas que por lá deverão estar. Também no centro da cidade fica o Palácio da Justiça que, apesar de atualmente estar em obras, é um daqueles edifícios  históricos e emblemáticos da cidade. Na praça deste monumento tem-se aliás uma vista privilegiada sobre a parte norte da cidade. Um pouco mais abaixo ficam as Galeries Royales Saint-Hubert, que são ideais para fazer umas compritas, como chocolates tradicionais. Mais à frente ainda fica o Palácio Real, a moradia da Monarquia Belga. Não se pode entrar no Palácio, como é óbvio, mas pode-se visitar os Jardins do Palácio que ficam mesmo em frente. Tal como as restantes zonas verdejantes, também estes jardins estão bem cuidados e dão azo a um passeio muito agradável. Um pouco mais à frente fica o Parlamento da Bélgica e o Jardim Botânico. O primeiro pode-se visitar apenas com marcação, já o segundo pode ser livremente visitado, sendo que os seus jardins exteriores são o seu real ponto de interesse. Um pouco antes doo Jardim Botânico fica a The Congress Column, um importante monumento de Bruxelas que também tem que se visitar.
No lado oposto de Bruxelas está o Bairro Europeu que, como o nome indica, é onde estão localizados os principais edifícios da União Europeia, como o Parlamento e a Comissão Europeia. Estes edifícios podem ser visitados com marcação durante a semana, mas a menos que adore a História da União Europeia será melhor guardar o seu dinheiro para museus bem mais icónicos. À frente do Parlamento Europeu fica a Praça de Luxemburgo, onde há muitos bares onde se pode apreciar a tradicional cerveja bela. Esta bebida pode ser apreciada um pouco por toda a cidade, já que não faltam estabelecimentos vocacionados apenas para esta bebida, mas é no Centro Histórico e na Praça de Luxemburgo que estão os mais emblemáticos, sendo que na praça tais estabelecimentos são mais vocacionados para a diversão noturna. 

A CIDADE E A POPULAÇÃO

Com uma população de mais de um milhão de habitantes, Bruxelas é a maior cidade da Bélgica e uma das maiores da BeNeLux, a região que junta Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Por ser um importante centro populacional, Bruxelas é também a cidade da Bélgica que abriga o maior número de imigrantes legais e ilegais e isso nota-se, mas não num mau sentido. A população é na sua maioria muito civilizada e não se nota qualquer clima de insegurança nas ruas, apesar dos recentes eventos terroristas. É certo que, por estes dias, é natural encontrar o Exército Belga em cada esquina, mas mesmo assim nota-se que Bruxelas é uma cidade muito segura devido à sua população geralmente bem comportada. 
Ao contrário de grandes cidades francesas, alemãs ou italianas, a Imigração não tem grande influência no aproveitamento turístico da cidade. Esta é bastante convidativa por todos os aspetos, incluíndo pela vertente popular. O povo de Bruxelas é na generalidade muito simpático e fluente em mais que uma língua para além do francês ou do holandês, as línguas oficiais do país. Se tiver complicações linguísticas não deverá, portanto, sentir dificuldades em se expressar. Também não terá dificuldades em ser atendido, quer em lojas, espaços públicos ou restaurantes. A maior parte dos funcionários das grandes lojas são muito simpáticos e atendem às nossas necessidades. Pode portanto desfrutar das iguarias gastronómicas locais, como os Mexilhões, a Cerveja, as Waffles Com Chocolate ou as Batatas Fritas em qualquer um restaurante, pub ou bar da cidade sem medos de ser mal compreendido. Há imensos estabelecimentos deste género em Bruxelas, uns bons e outros maus, mas na generalidade pode-se dizer que se come, petisca e bebe muito bem na cidade, mas nem sempre de forma barata. Esta é também servida por um sem número de restaurantes ambulantes, nomeadamente de waffles, que especialmente nos fins de semana deixam o centro da cidade com um cheiro maravilhoso e convidativo. 
É claro que, como se trata de uma cidade do Norte da Europa, Bruxelas é um bocado cara. Não é tão cara como Paris, Berlim ou Londres, mas ainda assim para os padrões de Portugal é cara. Deve portanto planear os seus gastos com cuidado e sempre a contar com os transportes públicos que, como é óbvio, também têm um preço puxado, apesar de existirem várias modalidades que se ajustam as necessidades do utente. Estes servem muito bem a cidade e têm um enorme alcance, mas deverão ser a parte mais insegura da experiência citadina de Bruxelas, por isso cuidado com os roubos de carteiras ou telemóveis nas estações. A cidade é também servida por três estações de comboio que, esteticamente, não são nada de especial, mas representam o centro de mobilidade da região. Estas são aliás uma ótima oportunidade para visitar outros sítios mais longínquos da Bélgica e até da Holanda, já que cidades como Bruges ou Amesterdão ficam apenas a um par de horas de distância. Se já viu tudo em Bruxelas e tem um tempinho disponível, aproveite esta vantagem.

CONCLUSÃO

Fiquei rendido a Bruxelas e à sua cultura e beleza. Na minha curta viagem tirei o maio proveito possivél da cidade, quer de dia, quer de noite. Os sues principais pontos turísticos foram explorados ao máximo e as iguarias que me interessavam foram saboreadas. Sei que ficou por visitar muito da cidade, nomeadamente as suas partes mais escondidas, longínquas e caras, como por exemplo o Monumento de Waterloo. Ficaram também por visitar a grande maioria das centenas de museus da cidade, mas para os visitar todos seria preciso, no mínimo, um mês, tempo que quase nenhum turista tem. O planeamento da viagem, tendo em conta a duração e o orçamento, foi o possivél e, apesar de se ter focado mais no aspecto urbano e exterior da cidade, conseguiu-se retirar o máximo possivél desta metrópole que convida claramente a uma segunda visita com um pouco mais de tempo.
Quanto aos custos posso dizer que, se parte de Portugal, uma visita a Bruxelas de dois ou três dias em acomodações humildes e sem visitas de luxo fica por volta dos 150/200 Euros por pessoa. Parece exagerado, mas a cidade compensa imenso este esforço por tão pouco tempo. A mesma fornece uma experiência imperdível que é reforçada na altura do Natal graças ao Festival de Natal de Bruxelas, mas também no Verão com o Brussels Summer Festival.

O Melhor: Grand-Place. O sítio mais emblemático e icónico de Bruxelas. Será esta praça que ficará na sua memória para o resto da vida. Um local belíssimo cheio de vida e atividades que adorna o também belo centro histórico da cidade. Um sítio de paragem imperdível que não pode perder. A viagem já compensa com uma visita imersiva a este local e à área que o rodeia.

O Pior: Anatomium. Há poucas coisas de negativo em Bruxelas, mas o Anatomium é uma delas. O monumento não é de todo desinteressante, mas fere as elevadas expectativas de qualquer um que esperava algo mais de um local que, de certa forma, representa Bruxelas um pouco por todo o mundo. 

Recomendações: 1- Use o amplo sistema de transportes públicos para se deslocar entre pontos da cidade, caso tenha possibilidades para tal. Fiz sempre um percurso urbano a pé, por opção pessoal, mas andei mais de 60Kms em poucos dias e isso afeta como é óbvio as pernas. Fiquei a conhecer todas as ruas da cidade, mas também fiquei com pernas doridas durante uma semana. 2- Em tempos Bruxelas estava para ser a Nova Iorque da Europa e tal se deve ao Centro Financeiro que fica loclizado perto da Gare du Noord que, realmente, apresenta edifícios gigantes que fazem lembrar Nova Iorque. Se vem do Aeroporto em Zaventem saia nesta Estação de Comboios e aproveite esta parte da cidade de dia, porque muito provavelmente não terá vontade de a visitar posteriormente devido à riqueza do resto da cidade. 3- Não se assuste com a presença militar em Bruxelas, a Bélgica, tal como a França, ficará em Alerta Amarelo de Segurança durante algum tempo devido aos atentados terroristas de que foram alvo. 


1 comentários:

  1. Mais uma cidade para juntar à minha lista de cidades europeias ainda não visitadas, uma cidade fantástica!

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