Crítica - 3 1/2 Minutes, Ten Bullets (2015)

Realizado por Marc Silver

Vencedor do Prémio Especial do Júri para Melhor Documentário do Festival de Sundance 2015, "3 1/2 Minutes, Ten Bullets" tenta explicar as versões do fatídico incidente que vitimou Jordan Davis, um jovem afro-americano que foi baleado dez vezes por Michael Dunn, um homem caucasiano de meia idade, num parque de estacionamento na Florida. Tal incidente remonta até 2012, quando Dunn, enquanto esperava pela sua mulher numa estação de serviço, baleou por dez vezes o carro onde estava Davis e mais três amigos com a justificação de Davis o ter ameaçado após ter pedido aos jovens para desligarem o rádio do veículo onde estavam. Dunn alegou legitima defesa para justificar o crime, mas tal defesa não foi aceite pela polícia de Jackson (Florida) que, após uma investigação controversa, concluiu que o tiroteio foi uma retaliação não justificada e claramente exagerada de Dunn perante um comentário inapropriado de Davies. 
Este caso apresenta muitas semelhanças com o polémico caso do homicídio julgado como justificado de Trayvon Martin, outro jovem afro-americano que foi assassinado na Florida por um homem caucasiano que justificou tal homicídio com a necessidade de proteger a sua própria vida. No caso de Trayvon a questão de legítima defesa era mais fácil de provar em tribunal, já no caso de Davis tudo parecia indicar que se tratava efectivamente de um caso de homicídio injustificado provocado por um momento de fúria. Tais certezas, que se fundaram nas reações posteriores de Dunn e na história que este contou que não encontrava qualquer apoio nas provas físicas encontradas no local do crime, levantou uma onda de indignação que colocou as questões do racismo e das mortes em legitima defesa sob um apertado escrutínio público nos Estados Unidos.
Este documentário não explora essa temática social com tanto aperto psicológico e sociológico como outras produções do género sobre outros casos, mas consegue ainda assim pintar um bom retrato jurídico deste complexo caso. Para além de conter entrevistas com os pais e amigos de Davis que ajudam a traçar um retrato mental e emocional do jovem assassinado, "3 1/2 Minutes, Ten Bullets" acompanha ainda todos os eventos que rodearam o primeiro julgamento de Dunn que culminou na sua condenação por três tentativas de homicídio tentado contra os amigos que acompanhavam Davies no carro, mas o júri não chegou a consenso para condenar Dunn pelo homicídio de Davis. Perante a incapacidade do júri foi efetuada uma repetição do julgamento e, dessa vez, um novo júri condenou Dunn pelo homicídio de Davies e sentenciou-o a uma pena de prisão perpétua. Todos estes eventos são explorados de uma forma competente que inclui uma esperada dose dramática e humana. Mas embora seja interessante, "3 1/2 Minutes, Ten Bullet" não é um documentário avassalador, aproximando-se mais de uma bem feira reportagem criminal que explora um interessante caso jurídico.

Classificação - 3,5 Estrelas em 5

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