Crítica - Mother! (2017)

Realizado por Darren Aronofsky
Com Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris

Por vezes surgem no nosso quotidiano filmes que são difíceis de ver, explicar e analisar. Tais obras cinematográficas são normalmente menosprezadas pelo grande público e acabam por ser rotuladas à partida como fracassos ou maus filmes. Isto sucede porque, na grande maioria dos casos, tais produtos são mal interpretados pelos espectadores, o que desde logo origina criticas injustas atendendo aos seus objetivos surrealistas, experimentais ou artísticos. Na maior parte dos casos, portanto, um filme que à primeira vista destaca-se como um ridículo exemplar cinematográfico acaba por se revelar um filme interessante após uma análise mais cuidada ou, pelo menos, acaba por ser compreendido como tal atendendo o seu complexo contexto experimental.  
É perfeitamente percetível que Darren Aronofsky tentou incluir “Mother!” nessa categoria de obras inexplicavelmente surreais de complexa apreciação, como aliás já o fez no passado com obras igualmente extravagantes como “The Fountain” (2006) ou “Black Swan” (2010). Neste caso particular considero, no entanto, que as suas corpulentas intenções criativas ultrapassaram o limite do razoável e não foram devidamente aplicadas, já que o resultado final acaba por se aproximar mais de um devaneio experimentalista sem nexo do que propriamente de uma criação exagerada mas com uma complexidade fundamentada. E exponho tal afirmação tendo em conta o exposto no primeiro paragáfo deste texto, porque mesmo após uma análise cuidada não me consigo incluir naquele grupo de pessoas que consideram "Mother!" uma obra prima. Sinceramente não encontro nada que justifique tal aclamação, já que a sua narrativa é perfeitamente banal e apenas o seu veículo de transmissão se destaca, mas apenas por ser severamente excessivo e absurdo. 


Rotulado pelos seus criadores como um thriller psicológico de cariz experimental, “Mother!” acompanha a alucinada jornada de um jovem mulher, cujo simples e pacífico quotidiano é envolto no epicentro surreal de um inesperado rebuliço emocional e dramático. Esta breve sinopse pode parecer intrigante, mas “Mother!” acaba por promover uma narrativa bem menos provocante que a sua componente estrutural. A sua base narrativa é simples de decifrar, já que apela aos ideais primários da criação, misturando conceitos abstratos de religião com conceitos primordiais da relação humana. Esta mensagem claramente criacionista apenas se revela com maior imponência na parte final da narrativa, mais concretamente quando esta atinge o seu ponto mais louco e surreal, mas não há dúvidas que é este o tema que move a quase demente sequência de eventos que tornam esta obra num produto tão pouco consensual.
O principal problema de "Mother!" não reside portanto no cariz da mensagem que pretende passar, mas sim no veiculo usado para a transmitir. Neste ponto há que responsabilizar Darren Aronofsky. Embora lhe sejam reconhecidos muitos talentos, incluíndo o de moldar e construir uma intensa história, não se pode dizer que em "Mother!" tenha optado pela melhor estratégia. A sua manipulação do exagero, do experimentalismo e da complexidade do tema em questão roça sempre o exagero e, em certas alturas, o ridículo.
Há uma linha ténue que separa a genialidade surrealista do exagero risível e, infelizmente, Aronofsky ultrapassou essa barreira na sua tentativa de criar um poderoso exemplo de cinema artístico experimental. Não conseguiu esse objetivo porque foi demasiado além dos objetivos propostos e caiu no erro de apostar no choque do espectador em detrimento da sua surpresa positiva. A montanha russa de sequências bizarras a que sujeita o espectador ao longo de "Mother!" fomenta uma experiência demasiado incongruente que nunca poderia ser devidamente apreciada por nenhum espectador, até mesmo pelo maior fã daqueles filmes ditos difíceis de ver, explicar ou analisar.
O que é curioso de observar é que "Mother!" até começa por apresentar um tom agradavelmente bizarro que prometia promover bons níveis de qualidade, mas a certa altura Aronofsky perdeu por completo o controlo sobre a sua criação e, num ápice, o filme entrou num enorme devaneio de ideias exageradas sem sentido prático que culminaram num resultado bem áquem do esperado. A ânsia de transportar o espectador para um mundo diferente e de levá-lo numa viagem completamente diferente e alucinante acabaram por trair Aronofsky que, no final, apresentou um produto pouco digno do seu real valor.
É óbvio que há que dar valor à Paramount Pictures e a Aronofsky por terem ousado criar algo tão diferente como "Mother!", um filme que nunca se enquadraria no conteúdo mainstream de Hollywood, mas que se poderia destacar precisamente pela sua diferença e criatividade. É certo que "Mother!" está em destaque em todo o mundo por essas razões, mas infelizmente os comentários que sobressaem não são os mais positivos devido ao seu claro tom exagerado. No fundo, Aronofsky conseguiu impactar e surpreender como pretendia, mas não o conseguiu fazer de uma forma inteligente. Isto porque cedeu, ironicamente, a um dos principais pecados capitais da indústria cinematográfica atual e mainstream, ou seja, tentou criar um filme que choca e que acaba por ser mais falado por causa do seu despropósito exorbitante do que pelo seu conteúdo experimental. 

Classificação - 1,5 Estrelas em 5

14 comentários:

  1. Não concordo... o cinema também é isto, criar emoções fortes deixando-te à deriva... este definitivamente não é um filme para se digerir, é para se ir digerindo, pela complexidade do mesmo e pela interpretação que fazes pelo desfeche..
    Se é entediante à partida, claro que sim, mas o final não deixa de ser perturbador e perplexo... é incrível, porque nem vendo o filme, permite uma crítica justa...

    ResponderEliminar
  2. Também percebi a intenção de discutir a criação como tema central. Porém, não vi como uma mensagem criacionista. Na minha visão, a loucura e as cenas surreais, sem sentido, servem como uma crítica à ideia das religiões atuais. Mostrando o Poeta (deus) como alguém arrogante e egoísta.

    ResponderEliminar
  3. Também percebi a intenção de discutir a criação como tema central. Porém, não vi como uma mensagem criacionista. Na minha visão, a loucura e as cenas surreais, sem sentido, servem como uma crítica à ideia das religiões atuais. Mostrando o Poeta (deus) como alguém arrogante e egoísta.

    ResponderEliminar
  4. Que texto repetitivo.
    Li a mesma coisa do começo ao fim... filme exagerado, não foi usado de forma inteligente, e por aí se repete.

    ResponderEliminar
  5. Filme razoável, anacrônico, com interpretação dúbia e realização sem as devidas proporções de lógica. Uma interpretação alternativa de conceitos bíblicos, levados a anarquia e com resultado sofrível. Uma heresia em relação aos escritos antigos, trazendo muita contradição, inadaptação, inadequação, desambientação e inconformidade, bem ao estilo em que se ressuscitam situações já vividas e com versão própria, como no reality “Faceoff”. Repleto de metáforas e simbolismos e com a dislexia do roteiro em seu ápice, não valeu pela magia, aliás, nenhuma empolgação e sim pela frustração adquirida, a confusão mental de seus idealizadores e a quantidade de retóricas bíblicas adaptadas bem ao estilo moderno hollywoodiano. Só faltou o real significado da proposta, tal qual “Jesus Christ Superstar”, mal elaborado, projetado, filmado e com gosto de “Nunca mais”, mas pelo menos tinha bons atores, alguns em decadência plena e esquecidos, outros em evidência, mas faz com que não se perca o ingresso por inteiro, pois valeu pela bela sala de cinema e pela pipoca. E com certeza, mais um filme meia boca, candidato ao Oscar de 2018, assim como todos que são péssimos e que obtém o prêmio por genialidade, que no caso de “Mother”, com certeza será agraciado pela falta de criatividade, direção, fotografia e bem longe de ser uma obra prima.

    ResponderEliminar
  6. Também não concordo. O filme realiza uma experiência extraordinária no cinema cheia de possibilidades.

    ResponderEliminar
  7. Também discordo por completo. Claramente se vê que não compreendeu a metáfora da violência psicológica com que a figura central suporta o egocentrismo, afinal pouco criativo, do poeta. Claramente, repito, se vê que não compreende o nome do filme e a angústia de quem ama mais do que a si, para afinal ser consumido como inspiração. 1,5* dou eu ao seu comentário. Lamento que não tenha compreendido a mensagem do filme. Quase que ouso imaginar que quem escreveu é homem e não mãe.

    ResponderEliminar
  8. Crítica péssima. Vá aprender a apreciar o cinema direito.

    ResponderEliminar
  9. Está crítica que diz que o it é um filme razoável.Não estava á espera que desse Boa classificação.

    ResponderEliminar
  10. nossa amigo, não. Você certamente foi uma das pessoas que não conseguiu entender o filme. Eu tenho pra mim, que por sinal estudei a bíblia. que um mundo apocalíptico é pesado e chocante. a história da humanidade é chocante. O que vivemos é exorbitante, nesse filme ele conseguiu reproduzir exatamente o sentimento que vivenciamos enquanto vemos o mundo ser afundado. Me diga, vc queria que a cena que faz alusão ao apocalipse fosse feita com rosas pra não chocar? Que a cena que faz alusão ao dilúvio fosse feita com algodão pra deixar a gente mais calmo? Amigo, se conecte no mundo, leia a bíblia, leia as passagens de gênesis ao apocalipse e aí vc escreve outra crítica. ok?

    ResponderEliminar
  11. Foi chocante sim, imcomprensível, mas osado. Tem o seu mérito Aranofski.

    ResponderEliminar
  12. Filme ridículo sem nexo exagerado cheguei a pensar se era um filme de guerra... Surreal... Era preferível ter visto um filme de animação ou ficção cientifica. Depois aquele final previsível igual a tantos outros.. Uau bela merda. Mas o que mais chateia é a publicidade que fazem ao filme e que ate parece um thriller interessante algo psicológico de suspanse e com pés e cabeça... Wrong

    ResponderEliminar

 

Descontos Em Bilhetes de Cinema

Crítica da Semana


Membro Oficial

Membro Oficial