Crítica - All the Money in The World (2017)

Realizado por Ridley Scott
Com Mark Wahlberg, Christopher Plummer, Michelle Williams


Este é o retrato da história por detrás do sequestro de John Paul Getty III, neto de dezasseis anos do magnata do petróleo americano John Paul Getty. Após o rapto em Roma, a mãe de John, Gail Harris, pediu ajuda financeira ao avô do rapaz, que, por não acreditar no rapto e para não abrir precedentes, recusou ajudar numa primeira fase. Os raptores decidiram então enviar à imprensa italiana uma orelha do menino para obrigar a família a acelerar o pagamento do resgate cifrado em 4 Milhões de Dólares. É de conhecimento geral como é que esta história acaba, por isso não será spoiler revelar que Getty acabou por ajudar e o pagamento foi feito, tendo o rapaz sido libertado num lastimável estado de saúde, mas sem risco de vida.



Os eventos que decorreram durante este longo processo de sequestro são retratados com competência por Ridley Scott, mas embora "All The Money in The World" seja um retrato competente desta poderosa história, não é, infelizmente, um daqueles filmes com potencial para perdurar no tempo. É certo que é um produto interessante graças à forma como explora os desenvolvimentos da sequestro e como lida com as polémicas questões familiares que o rodearam, mas, no fundo, esta obra carece de uma noção mais apurada de real emoção e intensidade.
É claro que o retrato em si também não é puramente fiel à realidade, já que nos créditos finais os próprios responsáveis admitem terem tido alguma liberdade criativa na produção narrativa. Ainda assim, a base que nos é transmitida é aquela esperada do ponto de vista histórico, mas lá está, é notório que "All The Money in The World" poderia ter aproveitado melhor o lado subjetivo e pessoal da história real para incutir um pouco mais de profundidade humana e criminal ao enredo.



Em todo o caso destacam-se alguns momentos repletos de suspense e muito positivos do ponto de vista cinematográfico, como por exemplo as curtas mas relevantes intervenções de John Paul Getty, aqui interpretado por um soberbo Christopher Plummer. Este experiente ator foi sempre a primeira escolha de Scott para interpretar Getty, mas na primeira versão esta personagem foi interpretada por Kevin Spacey. Mas devido ao escândalo sexual que abalou Spacey e Hollywood, Scott optou por refilmar as intervenções de Getty, desta vez com Plummer a assumir o papel. A substituição foi uma opção feliz e completamente adequada, já que Plummer, mesmo com pouco tempo para preparar o papel, conseguiu assumir a personagem de uma forma espetacular. Infelizmente, as outras estrelas principais do elenco, Mark Wahlberg e Michelle Williams, não estiveram de todo ao mesmo nível de Plummer. 
Torna-se claro que Scott deveria ter escolhido desde início o veterano ator britânico para interpretar Getty, já que Plummer é decididamente um dos melhores elementos deste projeto. E embora apareça poucas vezes ao longo do filme, John Paul Getty é, sem dúvida, a grande personagem do filme devido à sua complexa personalidade que ajuda a tornar uma complexa história verídica ainda mais complexa! Pena é que "All The Money in The World" não tenha conseguido ir mais além na sua abordagem e não tenha igualado esta complexidade em toda a linha. Se o tivesse conseguido poderia ter ultrapassado a barreira de excelência e da diferença.

Classificação - 3 Estrelas em 5

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