Pérolas Indie - The Lure (2015)

Realizado por Agnieszka Smoczynska
Com Marta Mazurek, Michalina Olszanska, Kinga Preis 
Género - Musical/ Fantasia

Sinopse - Silver (Marta Mazurek) e Golden (Michalina Olszanska) são duas jovens irmãs que também são sereias. Motivadas pela fome de amor e de carne, as duas chegam a Varsóvia, onde dão de caras com uma família estranha que as coloca a trabalhar num clube noturno. Quando Silver apaixona-se pelo filho dessa família, surge então a inveja, a obsessão e com isso o perigo para as duas irmãs.

Crítica - Vamos começar pelo óbvio. "The Lure" está bem longe de ser um produto consensual com aquele toque de classe natural que simplificaria, por exemplo, a sua distribuição comercial, mas também a aptidão do público em relação à sua oferta de entretenimento. No entanto, "The Lure" é, sem qualquer dúvida, um daqueles filmes extravagantes e praticamente únicos que ficam na memória. Esta obra polaca, que antes de passar pelo FantasPorto 2016 passou também pelo Festival de Sundance, junta o género musical com os géneros dramático e fantasioso. O resultado é um filme pródigo em momentos extravagantes e com predisposição para o entretenimento que, graças à sua oferta invulgar mas agradavelmente surpreendente, presenteia o seu público com pouco mais de uma hora e meia de algo quase nunca antes visto.
A música é uma das partes fundamentais e mais interessantes desta produção, ou não estivéssemos nós a falar de um projeto que tem como protagonistas duas belas sereias, cuja natureza mitológica indica que são ótimas cantoras. As múltiplas sequências musicais que vão aparecendo em cena ajudam a conectar os vários pontos da história e ajudam também a aumentar o entretenimento do projeto, isto para além de lhe oferecerem, claro está, um ponto de vista muito distinto. 
Já a sua história não tem nada de muito interessante ou extraordinário. Esta explora, num dos seus pontos, a dicotomia que existe entre as visões que as duas irmãs sereias têm do mundo. Este tema, por força da sua natureza e inclusão na trama, até se ressalva como um dos elementos narrativos mais curiosos do filme, até porque é graças a ele que surgem por arrasto as sequências mais exóticas e bizarras. Esta vertente, que apela ao drama e também ao cinema fantástico, contrasta, por exemplo, com a mediocridade da outra parte fulcral do enredo que se prende a um retrato romântico pouco coeso e não muito curioso que, por ser mal exposto e muito pouco equilibrado, acaba por destoar pela negativa junto dos outros parâmetros centrais.
Embora o seu argumento não seja perfeito, "The Lure" prima ainda assim pela diferença e pela exuberância. As ideias e o trabalho de Agnieszka Smoczynska têm, por isso, que levar uma nota francamente positiva, assim como o trabalho de um elenco esforçado e tão exuberante como o próprio filme. Tal como referi no início, "The Lure" pode até nem ser um filme para todos os gostos, mas pelo menos tem qualidade e prima pela sua curiosa diferença em relação a outros projetos e, talvez por isso, tenha saído do FantasPorto 2016 com o prémio de Melhor Filme

Classificação - 3,5 Estrelas e 5

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