Óscares 2017 - Vencedores e Considerações

Os Óscares 2017 foram entregues esta madrugada. O Óscar de Melhor Filme foi atribuído a “Moonlight”, de Barry Jenkins. A Par de “La La Land”, “Moonlight” era o favorito à conquista do prémio, mas esta aproximação de favoritismo entre estas duas produções foi notória até na hora de entregar este Óscar, já que um erro gravíssimo por parte da Academia deu, numa primeira fase, a entender que “La La Land” tinha conquistado o Óscar de Melhor Filme. Já com os produtores do musical em palco é que foi corrigido o erro e o Óscar foi entregue ao vencedor correto, “Moonlight”. Esta obra de Barry Jenkins conquistou ainda os Óscares de Melhor Ator Secundário Mahershala Ali) e Melhor Argumento Adaptado, tal como aliás já estava mais ou menos previsto. Não se pode dizer que "Moonlight" seja um vencedor injusto do Óscar de Melhor Filme, já que estava num patamar de igualdade de favoritismo em relação a "La La Land", ainda assim há que evidenciar a Academia por não se ter deixado levar por uma escolha mais popular. No fundo, o Óscar de Melhor Filme foi bem entregue e, verdade seja dita, apenas seria mal entregue se tivesse sido entregue a "Hacksaw Ridge", "Hell or High Water" ou "Hidden Figures", três dos candidatos ao Óscar de Melhor Filme que, pese embora o seu nível bem aceitável, nunca tiveram dimensão suficiente para estar no mesmo patamar de "La La Land", "Moonlight" e até mesmo "Arrival", "Fences" ou "Manchester By The Sea". 
Já o outro favorito aos Óscares, o musical “La La Land”, de Damien Chazelle, venceu seis prémios entre as suas catorze nomeações. Os Óscares de Melhor Realizador (Damien Chazelle), Melhor Atriz (Emma Stone), Melhor Fotografia, Melhor Banda Sonora, Melhor Canção Original e Melhor Produção Artística foram todos parar a "La La Land" e tais conquistas foram quase todas justíssomas. A vitória de Chazelle não foi surpreendente porque já era esperada, já a de Emma Stone na categoria de Melhor Atriz não foi tão consensual, já que ficou no ar a sensação que deveria ter sido Isabelle Huppert a levar o Óscar para França. O Óscar de Melhor Ator foi entregue a Casey Affleck pela sua performance em “Manchester By The Sea”. A sua vitória acabou por ser justa, já que excluindo o prémio do Sindicato de Atores que foi atribuído a Denzel Washington, Affleck venceu todos os restantes grandes prémios deste ano, por isso a conquista do Óscar acaba por ser uma consequência natural da sua grande performance. Washington também merecia, mas Affleck fez um pouco mais por merecer o prémio. O drama “Fences”, realizado pelo próprio Denzel Washington, acabou por não sair de mãos a abanar e recebeu mesmo um Óscar por intermédio de Viola Davis. Ao fim de vários papéis de luxo, Davis conquistou finalmente o Óscar que já merecia há muito tempo e, este ano, acabou mesmo por confirmar todas as previsões que a apontavam como vencedora. Ficará também para a história como a primeira afro-americana a vencer um Emmy, um Óscar e um Tony.
Nas restantes categorias há que destacar as surpreendentes vitórias de “Hacksaw Ridge” nas categorias de Melhor Montagem e Mistura de Som, isto porque o filme de Mel Gibson não era de todo o favorito nestas categorias, nomeadamente na de Mistura de Som, onde “La La Land” era o claro favorito. Terá sido esta uma tentativa de não dar prémios a mais a "La La Land" e dar uns prémios a "Hacksaw Ridge"? Acho que nunca saberemos. Sem surpresas, “O.J: Made in América” triunfou na categoria de Melhor Documentário e “The Jungle Book" venceu na categoria de Melhores Efeitos Especiais, naquelas que foram as categorias mais previsíveis da noite. Também previsível mas ainda assim surpreendente foi a vitória de “Zootopia” na categoria de Melhor Animação. Embora esta produção da Walt Disney fosse a grande favorita à conquista deste Óscar, muitos ainda esperavam que “Kubo and The Two Strings” conseguisse o Óscar, mas o que é certo é que o lobby da Disney foi, como se esperava, muito mais forte. Aliás, a Walt Disney Pictures conseguiu mesmo uma dupla vitória no campo da Animação, já que também conquistou o Óscar de Melhor Curta de Animação graças a "Piper". Também o drama iraniano “The Salesman” do Irão superiorizou-se à dramédia “Toni Erdmann” da Alemanha na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, algo surpreendente tendo em conta o palmarés do filme alemão. A vitória de "The Salesman" acaba ainda assim por se compreender numa perspetiva puramente política, como aliás ficou provado pelo discurso de aceitação do Óscar por parte da representante escolhida pelo realizador Asghar Farhadi. 
Por fim, Arrival” não saiu de mãos abanar dos Óscares, tendo conquistado o Óscar de Melhor Edição de Som, no entanto, apenas esta vitória é diminuta para o enorme valor deste projeto sci-fi que deveria ter sido mais louvado. Entre as surpresa está também o Óscar de Melhor Caracterização entregue a "Suicide Squad" que, uma vez mais, deu força à corrente popular que defende que esta categoria de Óscar é sempre entregue ao filme mais fraco do roster de nomeados. Este ano não foi excepção. Por fim resta referir uma pequena curiosidade. Entre os nove candidatos ao Óscar de Melhor Filme apenas “Hidden Figures”, “Hell or High Water” e “Lion” acabaram por não conquistar qualquer prémio, mas verdade seja dita que nenhum deles estava cotado para conquistar qualquer prémio. 
Esta foi no fundo uma Edição dos Óscares que não será recordada no futuro pelas catorze nomeações de "La La Land", pela vitória final de "Moonlight", pela péssima forma como "Arrival" foi tratado, pelos prémios pouco merecidos de "Hacksaw Ridge", pela homenagem post mortem a uma pessoa que afinal estava bem viva, pelas surpreendentes derrotas de "Toni Erdmann", Isabelle Huppert ou "Kubo and The Two Strings", pelas piadas políticas contra Donald Trump, pelas palmas invertidas de Nicole Kidman, pelo facto de Chazelle se ter tornado no realizador mais novo da história a venceu um Óscar ou pela vitória histórica e já tardia de Viola Davis, mas sim pelo erro embaraçoso e humilhante da Academia que, por tinta segundos, deu a "La La Land" o Óscar de Melhor Filme. Por mim "La La Land" teria mesmo ficado com o Óscar, mas "Moonlight" também mereceu. 


Melhor Filme
Moonlight

Melhor Realização
Damien Chazelle por "La La Land"

Melhor Atriz
Emma Stone em "La La Land"

Melhor Ator
Casey Affleck em "Manchester by the Sea"

Melhor Atriz Secundária
Viola Davis em "Fences"

Melhor Ator Secundário
Mahershala Ali em "Moonlight"

Melhor Argumento Adaptado
Moonlight

Melhor Argumento Original
Manchester By the Sea

Melhor Canção Original
City of Star em "La La Land"

Melhor Banda Sonora
La La Land

Melhor Fotografia
La La Land

Melhor Filme Estrangeiro
The Salesman

Melhor Edição
Hacksaw Ridge

Melhor Mistura de Som
Hacksaw Ridge

Melhor Edição Som
Arrival

Melhor Documentário
OJ: Made in America

Melhor Guarda Roupa
Fantastic Beasts and Where To Find Them

Melhor Caracterização
Suicide Squad

Melhor Curta-metragem
Sing

Melhor Curta-Metragem Documental
The White Helmets

Melhor Curta-Metragem de Animação
Piper


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