Crítica - The Snowman (2017)

Realizado por Tomas Alfredson
Com Michael Fassbender, Charlotte Gainsbourg, Chloë Sevigny

Baseado no homónimo best-seller do escritor nórdico Jo Nesbø, "The Snowman" representa mais uma tentativa de Hollywood em adaptar, com sucesso, uma obra prima nórdica a sua versão de grande ecrã.  São já vários os exemplos de remakes norte-americanos de filmes nórdicos que, por variadas razões, não singraram junto do público ou da imprensa e que ficaram a léguas da qualidade exibida pelo produto original. Os exemplos mais crassos são, provavelmente, os filmes "Let Me In" (2010) e "The Girl with the Dragon Tattoo" (2011). Este último era, aliás, a grande aposta de Hollydoo para obter um primeiro sucesso neste campo, afinal de contas estamos a falar de uma adaptação da obra "Millenium: The Girl with the Dragon Tattoo", a primeira parte da popular trilogia literária escrita por Stieg Larson que foi um sucesso em todo o planeta. Mas quase pelas mesmas razões que "The Snowman" e "Let Me In" falharam, também essa adaptação foi um fracasso a todos níveis. No entanto, Hollywood não esmoreceu e continua a apostar na cultura nórdica e continua à procura daquele grande sucesso. 
A sua mais recente tentativa é, então, este "The Snowman". Ao contrário do que sucedeu com "The Girl with the Dragon Tattoo", o best-seller em que se baseia ainda não foi adaptado ao cinema por um estúdio nórdico, pelo que esta versão de Hollywood é a sua primeira adaptação cinematográfica. Não há dúvidas que se trata de uma vantagem, já que não há assim bases para comparação e porque, a julgar por exemplos passados, a obra nórdica seria superior à versão norte-americana. Esta regalia não foi, contudo, devidamente aproveitada e o resultado final acabou por ficar muito abaixo das razoáveis expectativas criadas pelo poder do livro e pela sua premissa intrigante. Esta acompanha o detetive Harry Hole que, juntamente com uma equipa especializada, investiga o caso de um bizarro serial killer que mata mulheres sempre que há uma queda de neve. 


Embora não seja tão mau como a imprensa norte-americana o pinta, "The Snowman" apresenta demasiadas falhas e, por isso, acaba por não se assumir como uma competente adaptação da sua bem sucedida base literária. Um dos seus maiores problemas reside na estrutura que sustenta o desenrolar da intriga. Esta acaba por não ser transmitida ao espectador de uma forma fluída ou tensa, resultando assim num enredo sempre ameno e confuso que parece nunca deslocar de uma ideia de pré-mistério ou pré-ação. Pese embora seja um thriller policial com capacidade para sustentar elevadas doses de drama, suspense ou mistério, acabamos por não encontrar na sua narrativa fortes exemplos de conteúdos com essas características.  Isto redunda, portanto, num thriller sem a identidade que se previa e, acima de tudo, sem aquela chama policial carregada de mistério que tão bem caracteriza o livro. 
Só por este ponto, "The Snowman" já seria uma adaptação pouco fiável, mas apesar de divergir do ambiente e do sentimento do livro poderia, ainda assim, alcançar algum sucesso com a sua  divergência criativa. Infelizmente tal abordagem específica não resultou devido à insistência dos seus criadores em tentar explorar todos os ângulos do livro sem ter os meios para tal. O caso mais exemplar é o enfoque excessivo em histórias paralelas do passado ou nos  dramas pessoais do protagonista e na sua tentativa de resolver um extravagante mistério, isto ao mesmo tempo que lida com a sua complicada vida pessoal. Este enfoque informativo poderia até resultar na teoria e até em livro, mas na prática cinematográfica não funciona devido às evidentes constrições de tempo. É por esta razão que somos presenteados com um argumento pouco fluído que contempla um evidente excesso de informação que até se revela importante, mas como não é devidamente filtrada e abordada acaba por se tornar trivial e, com isso, torna também o filme demasiado pesado e incompleto.
O resultado produzido acaba assim por afastar ainda mais o filme dos seus objetivos centrais e dos pontos fortes do seu género, provocando assim uma maior alienação do espectador que, no fundo, acaba por ser confrontado com algo que não corresponde às promessas e premissas inicias.  Embora seja evidente a tentativa dos seus criadores em torna-lo  numa obra emocionalmente complexa, não se pode dizer que os meios empregues para obter esse fim foram os mais corretos ou criativos, muito pelo contrário.  
Existem, ainda assim, pontos positivos em "The Snowman", como a prestação de Michael Fassbender. Uma vez mais, Fassbender prova que sabe lidar com um argumento fraco e não deixa que isso afete o seu trabalho. É certo que não tem uma performance memorável, mas atendendo aos muitos problemas do filme acaba por conseguir sobressair positivamente. O mesmo já não pode ser dito dos seus companheiros de elenco que, sem exceção, acompanham o nível mediano do filme. Também o trabalho do realizador Tomas Alfredson é bastante mediano. Provavelmente Martin Scorsese, o primeiro cineasta associado ao projeto, teria criado uma obra prima já que tem uma maior experiência na hora de explorar obras complexas ao cinema, algo que Alfredson não tem e isso ficou patente no resultado final. Faltou a Alfredson uma maior controlo sobre o enredo e uma maior criatividade na hora de o disseminar. Faltou-lhe bom senso, mas acima de tudo uma maior capacidade de adaptação às exigências da obra em concreto. Em todo o caso pode agradecer ao cinematógrafo Dion Beebe por ter ajudado a elevar, em parte, o seu trabalho técnico, já que uma das melhores partes do filme são as sequências que exibem na perfeição as belas paisagens naturais e citadinas da Noruega. Neste ponto convém destacar que existem vários planos invernais muito interessantes que se adequam ao espirito sombrio do filme, pena é que tais planos sejam das poucas coisas que representam esse espírito.  

Classificação - 2 Estrelas em 5


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