Crítica - Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017)

Realizado por Martin McDonagh
Com Frances McDormand, Woody Harrelson, Sam Rockwell

Não é primorosamente excecional, mas "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" é, sem dúvida, um dos melhores filmes de Hollywood de 2017. Não é por isso de estranhar que, já por esta altura, seja considerado um dos maiores candidatos aos Óscares, sendo um dos candidatos de proa a, pelo menos, obter uma nomeação ao Óscar de Melhor Filme.
A sua história narra os esforços de uma mãe inconvencional para obter vingança e justiça contra quem violou e matou a sua filha adolescente. O problema é que a polícia não está sequer perto de resolver o caso e, por isso, esta mãe estremada põem em prática uma ousada estratégia que visa forçar a atuação das autoridades policias. Esta mãe é maravilhosamente interpretada por Frances McDormand, uma verdadeira força da natureza que confere um selo extra de qualidade e entrega a esta consagrada produção. 



Não é só a veterana McDormand que se apresenta ao mais alto nível, já que todo o elenco brinda-nos com performances extraordinárias, nomeadamente Woody Harrelson e Sam Rockwell. Estes dois experientes atores interpretam dois polícias que, numa primeira fase, são diretamente atacados pela estratégia da mãe desesperada, mas que eventualmente acabam por se redimir perante ela à sua maneira. A personagem de Rockwell é particularmente curiosa e só ganha com a fantástica performance do ator. O polícia que interpreta é o típico polícia xenófobo, homofóbico e racista que se encontra demasiado acostumado à sua função. Mas que por força de eventos drásticos é forçado a amadurecer e a tentar ser um melhor vigilante, mas não necessáriamente um policia melhor, como aliás a parte do final deixa a entender.


O competente leque de personagens e intérpretes de "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" encontra apoio num argumento muito interessante que combina na perfeição os dois estilos centrais do filme: o humor negro e o drama familiar. Engane-se se pensa que estamos perante um thriller policial, porque na essência do filme está efetivamente o drama e a família, já que a grande lição do filme expõem até onde uma mãe desesperada está disposta a ir para obter justiça. A este poderoso toque de drama familiar junta-se o estilo próprio de humor negro do filme, já que muitas das suas passagens aparecem carregadas de situações bizarras ou momentos incómodos que só ajudam a abrilhantar o filme ainda mais. 
Também se pode dizer que é um filme bastante inesperado. Existem muitas surpresas e momentos inesperados ao longo do filme, sendo que a maior parte desses momentos não são nada óbvios. Aliás uma das grandes perguntas do filme fica até sem resposta, mas isto mostra bem as suas prioridades e os seus grandes objetivos. E tal sucede porqye "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" nunca foi sobre um caso policial, mas sim sobre as consequências desse caso na vida de todos os afetados por ele. 
No final, Martin McDonagh, o aclamado realizador de "In Bruges" (2008), acaba por entregar o melhor projeto da sua carreira até à data e aquele que mais hipótese lhe dará de dar o grande salto em Holllywood. A ver vamos se  "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" recebe o amor que merece, pelo menos a crítica está rendida. 

Classificação - 4,5 Estrelas em 5

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